Histórico sobre a raiz da família TAVARES PAES em Guarataia e seus agregados
Textos sendo atualizado em 2020
INTRODUÇÃO
Existem histórias que marcam nossas vidas para sempre. Existem momentos em que tudo parece estar bem e de uma hora para outra desaba o céu em nossas cabeças.
Existem pessoas em nossas vidas que ficam em nossa história e quando se vão ainda
O texto a seguir, é um resumo de nossa história, falando de pessoas do presente, pessoas do passado, pessoas queridas que estejam conosco e outras que já se foram porém marcaram nossas vidas para sempre.
AGRADECIMENTOS
![]() |
| Assim foi o inicio de tudo |
Ficamos muito felizes com o lançamento da primeira edição destes relatos, após o primeiro Encontro de nossa Grande Família, na localidade de Guarataia, nos dias 03, 04 e 05 de Junho de 2010, por que é um sonho realizado para nós.
A ideia inicial seria fazer a impressão da primeira edição de nossa história, para ser distribuída durante o encontro, porém muitos fatos e acontecimentos sobre nossos dados históricos e fotográficos que ainda estão incompletos, seriam levantados durante a
![]() |
Espero que cada um sinta se bem lendo estes relatos, conhecendo um pouco mais de si mesmo e vendo que por conta da conversão de apenas um homem, hoje, gerações e gerações estão aos pés do Senhor Jesus e podemos dizer que a Glória é do Senhor Jesus, mas a honra com certeza é de Izídio Paes Muleu, e agradecemos a Deus, que mesmo que os mais novos não tenham conhecido Izídio Paes, ficaremos sabendo que ele nos mostrou uma grande estrada, o caminho da salvação, nos deixando o legado de mostrar para aqueles que ainda não conhecem, que este é o melhor caminho.
O COMEÇO DESTA IDEIA
Gabriel - Tudo começou em 2001, quando meu primo Irineu filho de Tia Creusa faleceu, depois de sofrer um acidente de moto.
Após o sepultamento dele, logo depois eu fui a Guarataia, onde eu já havia ido algumas vezes ainda pequeno, e não me lembrava muito bem do lugar. Na época eu tinha 9 anos de idade.
Fui com Tia Regina, Tia Elça e minha Mãe até a casa de Juca após o enterro de Irineu, e Tia Regina resolveu antes de vir embora, dar uma passadinha na famosa Casa da Pedra na beira da pista, e eu a acompanhei diante das minhas curiosidades.
Eu desde pequeno ouvia falar muito sobre as histórias desta casa, mas nunca tinha visto ou lembrado de ter ido um dia lá.
Uns dois ou três anos depois desta data, voltei a Campos para o aniversário de minha priminha Júlia filha de minha prima Marli, quando pedi a tia Vânia que fossemos outra vez na Casa da Pedra, pois desde a primeira vez que lá eu pisei, ficou gravado em mim, a lembrança daquela casa bonita edificada em cima de uma pedra.
Eu não conhecia nem metade de tantas histórias que contavam, que tinha acontecido no passado, eu estava vendo na minha frente, em silêncio, como se eu tivesse vivendo a 50 e muitos anos atrás, quando eu nem existia.
Parecia que tudo estava no mesmo lugar, mas não havia ninguém pra contar.
Parecia que tudo o que tinha sido vivido ali, teria ficado perdido em algum lugar no tempo e alguém precisava fazer alguma coisa.
Então pensei, porque não relatar toda esta história? Porque uma pessoa faria uma casa em cima de uma pedra? Quem seria esse artista que teria tão inusitada ideia naquela época, há mais de 70 anos, para um padrão de construção muito aquém dos utilizados na região onde não havia engenheiros ou arquitetos, sendo o dono da casa o próprio idealizador, projetista e na realidade o engenheiro que deu as ordens de como ele queria que a casa fosse edificada, somente muita inspiração divina para um homem semianalfabeto que aprendeu a ler com a própria Bíblia.
E foi numa caixa de sapatos que tudo começou. Comecei a juntar e colecionar tudo o que era relacionado aos meus familiares, coisas que foram do meu avô que estavam com minha mãe e com outros parentes que iam me dando e outras coisas que fui encontrando ao longo do tempo, ou melhor eu virei um pedinte de coisas antigas que muitos tinham em casa, jogadas em algum canto.
Peguei uma caixa de sapatos e ali coloquei tudo o que estava achando, fotografias de pessoas que eu nem conhecia quadros que mereciam cuidados, fotografia antigas pintadas à mão que não podiam ficar no tempo, documentos, cadernos de anotações enfim... Tudo o que eu encontrei.
Porém o que era apenas uma curiosidade de criança, transformou-se num grande quebra-cabeça que parecia não ter fim, fui chamado de doido por alguns, de caça defuntos por outros, e alguns disseram que eu nunca ia conseguir resgatar esta história.
Porém uma coisa muito boa aconteceu, em julho de 2008 eu fui ao aniversário de Tia Elisa esposa do saudoso Tio Felipe, lá conheci tia Penha, tia Faride que ainda não conhecia pessoalmente, e pude prosear com elas e outros mais antigos adquirindo conhecimento para minhas pesquisas.
E quando Tia Penha retornou para casa em Campos ela falou com seu filho Paulo Fernando sobre mim e dizendo que eu estava colhendo informações dos familiares e das coisas do passado.
Logo ele que era um dos que tinham a mesma ideia que eu, após conseguir me localizar pela Internet, entrou em contato comigo para juntos montarmos essa história mesmo ele estando distante, em São Mateus, norte do ES, quase 700 quilômetros distante não impediu de juntos começarmos a montar este quebra-cabeça.
Começamos a montar a história da família e estamos juntos até hoje (2010) nessa busca que a cada
![]() |
| Até as crianças grandes se divertem |
dia tem avançado. Em março de 2009 eu tomei um susto muito grande, eu pedi que minha prima Yolanda tirasse algumas fotos da casa da pedra pra mim porque não tinha tanta disponibilidade de ir lá quanto ela.
Ela foi e tirou umas fotos pra mim, quando vi, as lágrimas caíram e lá estava a Casa da Pedra no chão, tinha virado um monte de entulhos empilhados.
Pra mim, aquele sonho de criança tinha se acabado de uma hora pra outra junto aos escombros, confesso que doeu muito ao saber que o mais importante dessa história não existia mais, mas a página no Orkut que Paulinho estava montado com as fotos que eu tinha conseguido, fez com que outras pessoas de nossa família dividissem a dor que eu estava sentindo, e acabei me conformando sem desistir.
Até tive vontade de parar a pesquisa, parar de escrever e colocar tudo novamente dentro daquela caixa de sapatos.
Porém eu vi que eu tinha ido longe demais, e que minhas anotações, objetos, histórias, fotos, e os contatos que havíamos conseguido, havia se transformado numa verdadeira corrente que a cada dia não para de crescer, e hoje, tudo isso não cabe mais na minha caixa de sapatos.
As coisas tinham avançado mais do que eu esperava e nem nos meus sonhos mais esperançosos eu havia imaginado que iria tão longe com minhas pesquisas. Então, porque parar agora? Porque desistir depois de ter lutado tanto?
Eu pude ver que nem tudo nessa vida é como a gente sonha e quer, mas quando a gente quer, conseguimos realizar, basta só acreditar!
Eu não deixei que as tristezas nessa caminhada me fizessem desistir, não deixei que a dor me fizesse desanimar e não deixei mesmo que o meu sonho fosse como um monte de entulho para me fazer parar de sonhar.
Muita gente pergunta o porquê de escrever essas histórias ou querer cavar o que já passou e está enterrado. Muitos criticam isso e acham que é errado, porém alguém quer ser esquecido?
Alguém quer morrer e ser esquecido por todos a quem tanto ama? Eu acho que não!
Você quer que toda a sua vida vire pó com você e que ninguém pronuncie seu nome mais e que ninguém ouça mais falar de você? A maioria das pessoas que eu conheço não quer isso!
A maioria das pessoas que eu conheço quer ser lembrada e que a sua vida sirva de lição para sua geração.
É pra isso que estamos escrevendo essa história, pra que você não seja esquecido! Saiba que você é muito importante pra todos nós, e que um dia todos tenham orgulho de poder bater no peito e dizer com alegria como eu tenho dito “FAÇO PARTE DESSA HISTÓRIA” relator escritos por Gabriel Paes.
PREOCUPAÇÃO COM OS DADOS LEVANTADOS
A responsabilidade de fazer estes relatos trouxe muita preocupação porque alguns assuntos que aconteceram no dia a dia de alguns de nossos parentes, podem ter sido de alguma forma desagradáveis, ou causado o descontentamento em alguma situação até mesmo de nossos parentes.
Mas sabemos da necessidade de serem relatados, porque de alguma forma realmente aconteceu e ficaríamos até desacreditados, relatando nossa história, omitindo algum fato acontecido, e diante disto nos cercamos de todas as precauções para não ressuscitar fatos desagradáveis, que viesse trazer desconforto entre nossa parentada, mesmo sabendo que coisas desagradáveis aconteceram com as pessoas, acontecem e vão acontecer em nossas vidas...
Mas ao mesmo tempo nos espelhamos nos relatos Bíblicos, que podemos citar a vida de Davi, Homem de Deus que teve uma carreira brilhante de coragem, determinação, fé e muitos exemplos brilhantes, então alguns se perguntam, e porque a Bíblia relata a parte de seu pecado, de sua queda, e se este pedaço de sua história não foi deixado de lado para não manchar sua biografia?
Mas sabemos que a orientação do Senhor aos escritores da Bíblia, foi para não deixar estes fatos ocultos, para servirem de reflexão até os dias de hoje, servindo de lições diversas, para mostrar como o homem é capaz de cair, mesmo que seja muito abençoado, consagrado e dedicado ao Senhor, e diante de seu arrependimento, merece o perdão de seu Criador.
Não só a história de Davi, mas a de José do Egito, de Daniel, de Jó e muitas outras lindas histórias Bíblicas, contam os tristes relatos.
É muito comum quando as famílias vão crescendo ao longo dos anos, haver um distanciamento
![]() |
| A fogueira, já é uma marca registrada |
natural com a formação de outras ramificações e em alguns casos, muitos parentes que vão pra mais longe nunca mais se encontram.
Em nossa família não tem sido diferente, com mais de 160 anos da existência, aconteceu o espalhamento de descendentes por este Brasil afora, pela vastidão das belas áreas geográficas, foram em busca de oportunidades de uma melhor sobrevida.
E quando este distanciamento acontece, é muito comum um grande número de parentes se encontrarem apenas em momentos de tristeza durante o velório de algum ente querido. Em nossa família isto vem acontecendo a um bom tempo, quando a gente só se encontrar durante o velório de alguém e diante da tristeza da perda, ao rever que não se via, a alegria toma conta da gente, às vezes se esquecendo de estar num velório, contando algumas histórias e até arrancando risos de alguém, e quando a ficha cai, a gente acaba voltando pra realidade daquele momento de tristeza pela perda de um ente querido e nestas ocasiões, nos encontro deste tipo não acontece o merecido clima de confraternização nem de alegria, apenas a satisfação de poder rever alguém que há muito tempo não se via, e de poder conhecer a nova geração de nossa família, nem compartilhar as novidades do dia a dia de cada um.
Buscando um melhor entrosamento, um grupo de pessoas interessadas em promover um encontro de confraternização da família, estão aos poucos se juntando e organizando o trabalho que está sendo apresentado pela internet, objetivando um maior entrosamento entre aqueles que aos poucos foi se distanciando.
![]() |
| Inhosinho e família |
A importância de um censo familiar é fundamental para que todos os descendentes possam se conhecer um pouco mais, mesmo que seja somente através de nomes, pois será um fato importante, quando for concluída toda esta história, ficaremos sabendo quantos somos.
É muito importante sabermos algo mais e poder conhecer a história de nossos antepassados, e às vezes nem sabemos a quem recorrer para descobrir nossas origens, nossas raízes, porque se não for registrado, o tempo se encarrega de apagar, e o que temos na memória vai desaparecendo.
Hoje para saber quem somos e onde estamos, ficou mais fácil através da Internet, e aproveitando o avanço tecnológico que o mundo moderno proporciona através da informática estaremos nos
![]() |
| Réplica de uma casa de palha |
comunicando de maneira rápida e interativa.
Assim, com o pontapé inicial dado por Gabriel, eu (Paulinho-Juvenil) Gelça (Felipe), Henrique (Faride) e muitos outros que abraçaram esta causa, e aos poucos foram agrupando ao grande número de pessoas interessadas de resgatar o conteúdo de nossa historiar raiz.
Até aqueles que criticavam, ignoravam e não acreditavam que nosso Encontro pudesse acontecer, hoje estão se achegando, estão participando e graças ao Nosso Bom Deus, as Bênçãos estão acontecendo.
Pensando nisso, um grupo de familiares deste Clã Familiar está organizando a realização do primeiro encontro de confraternização da Família Tavares Paes e seus agregados, que se Deus nos ajudar e todos se empenharem, será realizado no ano de 2010
QUEM SOMOS
Toda nossa descendência é formada por pessoas simples, humildes e trabalhadoras, não importando o que fazem profissionalmente ou a oportunidade intelectual ou financeira conseguida ao longo de suas vidas, portanto todos devemos nos orgulhar de que somos uma família, que mesmo distantes um dos outros, nos sentimos unidos pelos laços que nos unem, mesmo sendo pedreiro, motorista, operário, lavrador, empresário ou Doutor, nos orgulhamos de nossa origem.
A partir da união de nossos progenitores a família cresceu, somaram-se aos Tavares
Paes, muitos outros agregados, vieram os Benvindo, Borges Almeida, Alves, Louzada, Ferreira, Silva,
Pereira, Avelar, Duarte, Gomes, Silva, Moura, Carvalho, etc.
E assim vai crescendo mais ainda com os sobrenomes incorporados pelos Bisnetos e Tataranetos, que estão se incorporando aos sobrenomes, existem alguns casos de descendentes deste clã não carregam a nomenclatura Tavares ou Paes, mas somos parentes, em que grau for através de nossas raízes.
Pelas informações e levantamentos realizados até agora, temos em todo clã da família Paes, apenas um descendente registrado com o nome de Izídio vem da parte de seu filho Paulo, conhecido como Juvenil, trata-se do primeiro filho de Paulo Fernando que se chama Izídio Leonardo, e também o único da família que herdou o sobrenome Muleu, é o neto de Paulo Fernando chamado Samuel Paes Muleu, filho de Analice.
Temos uma Mariana filha de Felipe e Eliza, um Amaro e uma Cândida, filhos de Edgar e Malvelita, alguns outros descendentes mais distantes também receberam seus nomes homenageando seus avós e bisavós.
DIFICULDADE DE SABER O VERDADEIRO NOME
Para quem faz pesquisa por antepassados no Brasil, a incompreensão verdadeira de sobrenomes, grafias erradas, nomes próprios que se tornaram sobrenomes, são extremamente importantes saber um pouco mais. Tudo isso é recorrente de que os nomes originais estrangeiros foram adaptados ao português local.
Existem muitos casos de nomes registrados segundo a interpretação de escrivães da época, como exemplo: Manoel Porenquanto, este fato aconteceu devido a indecisão dos pais quanto ao sobrenome que colocaria no filho, e diante da pergunta feita pelo escrivão, “o nome é Manoel, e qual é o sobrenome, o pai respondeu pode botar Manoel Porenquanto, que na sua intenção, este nome ficaria valendo até que fosse definido o sobrenome definitivo daquela linhagem familiar, mas o escrivão entendendo que este seria o sobrenome efetuou o registrou daquela criança com o sobrenome de Porenquanto,
conforme conta entre as muitas histórias que Pr. Eugênio conhece.
Algumas pessoas acreditam que o nome ou um apelido da pessoa já diz em muito sobre essa pessoa. Acham que o nome deve influenciar no caráter, forças e fraquezas e até o estado de saúde.
Mas mesmo que estas teorias não interessam nem identificam o cidadão, pode ser na mesma excitante, saber mais sobre a origem do próprio nome, ou mesmo de onde veio nossa família?
De qual terra vieram os meus antepassados? Afinal por onde está espalhado o meu nome? Respostas a estas perguntas e muito mais nos leva a pesquisar e investigar a origem de nossos antepassados.
ORIGEM DOS SOBRENOMES
Levantamentos nos levam a saber que os sobrenomes podem ser classificados em quatro categorias, para que seja melhor entendido, transcrevemos esta pesquisa feita na Internet:
Sobrenomes de local – São chamados toponímicos aqueles que derivam do nome do lugar de procedência de seu portador inicial. Ex. Rocha, Vilas Boas, etc.
Já os locativos: derivam de características topográficas do lugar de residência de seu primeiro portador. Ex.: Flávio Belmonte (monte belo).
Sobrenomes de parentesco – São chamados de Patronímicos, aqueles que derivam do nome próprio do pai.
De matronímico os que derivam do nome próprio da mãe
Na maioria dos países era comum o sobrenome derivar apenas do nome próprio do pai. O sufixo inglês “son” agregado a um nome denota “filho de”.
Outros sufixos utilizados na Noruega e Dinamarca “sen” Grego “pulor”, Polonês:“-wiecs”,Castelhano: “-ez”, Finlandês: “-nen”, Irlanda e Escócia: “Mac e Mc”
Quando um sobrenome inglês termina em “s” este pode indicar que pertencia a uma
pessoa que estava a serviço de outra. Ex.: Parsons foi alguém que trabalhou para o Senhor Parson. Em outros casos o “S” também significa que o marido de uma mulher havia falecido e que portanto ela era viúva.
Já os sobrenomes apelativos são aqueles que geralmente denotam características físicas da primeira pessoa a que ele foi dado. Ex.: Alexandre Costa Curta, José Calvo, portanto a própria grafia já diz tudo.
Em alguns nomes maiores foram abreviados gerando diferentes grafias. Ex.: Mezzeti é uma variante de Giacomazzeti.
Ou mesmo em alguns casos incluem-se os nomes de animais. Ex.: João Lobo.
Os sobrenomes ocupacionais aconteciam Durante a Idade Média, quando a Europa era composta de vilarejos que pertenciam aos senhores. Estas vilas precisavam dos serviços de pessoas para arar a terra, cuidar dos animais, carpinteiros para construir casas e outros.
Assim as ocupações descreviam o trabalho desempenhado por cada indivíduo, quando o escrivão registrava a pessoa em um arquivo era normal identificá-lo por meio de sua ocupação ou trabalho.
Os feudos precisavam destas pessoas e seus ofícios e muitas vezes os filhos continuavam desempenhando as mesmas atividades para os mesmos senhores feudais que seus pais haviam servido.
Outro método para identificar e distinguir indivíduos e famílias na Idade Média se iniciou com as cruzadas, este método consistia em identificar as pessoas por meio de um escudo e brasão.
Os antepassados de uma família são representados em uma ordem fixa. Se os relacionamentos familiares forem simples e com poucas ramificações, o quadro de antepassados é uma forma de representação ideal, pois possibilita uma visão geral da origem da família.
Os quadros de antepassados são geralmente ilustrativos e constituídos principalmente por descrições de perfis, fotografias de passaportes e documentos com foto, bem com fotos familiares nas quais os antepassados estão presentes. Porém, o quadro de antepassados não é a forma ideal de representação para uma grande família.
Nos casos de relacionamentos múltiplos e muito ramificados, o quadro de antepassados se torna facilmente confuso.
Muitos de nossos parentes vêm ao longo dos tempos pesquisando a verdadeira origem do parentesco relacionado ao seu sobrenome, os que tiverem informação da origem dos Tavares, Paes, Benvindo, Gomes, Ferreira, Muleu e outros, em fim do sobrenome que você carrega em seu nome, favor entrar em contato com a gente através de nosso e-mail no final deste texto.
PORQUE A IMAGEM DA CASA NA PEDRA
Entre as muitas dificuldades para chegar aos verdadeiros fatos históricos de nossos antepassados, uma delas foi encontrar fotografias de nossos antepassados, das casas que foram demolidas e muitas das vezes somos surpreendidas com a falta de colaboração de algumas pessoas que tem em sua posse dados e documentos importantes, mas não tiveram interesse de colaborar, em resgatar nossa verdadeira história.
Muitos de nossos familiares mesmo no passado tinham essa ideia de buscar, anotar e registrar o que sabiam de todo histórico familiar de nossa origem, mas as limitações financeiras, da comunicação e dos meios para pesquisar tudo isto, sempre dificultou a conclusão de um trabalho como este.
E aproveitando-se do avanço tecnológico proporcionado com a popularização da Internet, umjovem de apenas 16 anos chamado Gabriel, neto de Elias Paes, interessado em conhecer sua história raiz, em conhecer sua descendência, decidiu pesquisar tudo, começando com seus parentes mais próximos (tios, primos e mais chegados), e durante a comemoração dos 90 anos de Eliza Tavares, viúva de Felipe Paes, ele aproveitou e naquele evento, realizado em Duque de Caxias-RJ, onde estava reunida uma boa quantidade de parentes, ele começou sua pesquisa.
Ele acertou em cheio, quando muitos achavam ser ele um garoto chato, querendo ressuscitar defuntos, conforme fora dito por alguém, outros poucos se interessaram pelo assunto, pois alguns que tinham as mesmas ideias que ele, começaram a ajudá-lo, outros que nem estavam presente, ao tomarem conhecimento, foram aos poucos aderindo à pesquisa iniciada por Gabriel e foram se ajuntando, e graças a esta iniciativa, temos uma boa parte de nossa história já registrada, algumas dezenas de fotografias antigas e atuais já catalogadas em arquivo digital, podendo serem compartilhadas com os mais novos que também tinham curiosidade de conhecer sua história raiz.
Por causa do interesse maior, pela curiosidade da origem Italiana, a parte mais avançada destes relatos, foi conseguida com os descendentes de Mariana Tavares e Izídio Paes, a escolha da casa da Pedra como referência da família, está no simples fato de ser uma construção diferenciada, erguida numa localização estratégica, em cima duma pedra, e a própria arquitetura arrojada para aquela época e com grande investimento de quem a planejou e a construiu, bem como a sua localização, foi motivo de muitas pessoas ao longo dos anos terem fotografado esta obra erguida pelo casal Izídio e Mariana, e agora tem ajudado neste trabalho, com uma verdadeira referência de nossas raízes em Guarataia, onde tudo começou.
O fato de agora em 2010 existir mais registros e dados da família de Izídio e Mariana, não foi com a intenção de privilegiar ninguém, nem uma parte da família, trazendo até certo descontentamento de alguns parentes, está baseada no fato de que estas pessoas foram as que mais se interessaram e forneceram dados e fotos de seus familiares.
Portanto, estamos buscando mais dados e relatos para que sejam arrolados todos os descendentes do casal Sebastião e Ana de Almeida Carvalho, conhecida como Naná, que são os patriarcas deste clã familiar, que viveram e criaram seus filhos na localidade de Guarataia, e consta que foram um dos primeiros moradores.
Abaixo estão relatados alguns fatos sobre os citados, mas temos certeza que falta muita coisa para ser anotada, falta muita fotografia dos antepassados e seus descendentes, precisamos para continuar esta pesquisa, e quando você que também faz parte desta história tomar conhecimento destes relatos, passe para outros parentes que ainda não tiveram conhecimento, e assim possamos concluir este trabalho, deixando um legado para as gerações futuras poderem se conhecer melhor.
PORQUE GUARATAIA
Muitos se perguntam, porque o nome Guarataia neste pequeno lugarejo, tão aconchegante e importante na história de nossas famílias, e muitas pesquisas foram feitas, nos dicionários, na internet, enfim sem nenhum resultado técnico ou registrado em alguma enciclopédia a origem deste nome.
Algumas pesquisas com alguns antepassados constam que a palavra Guarataia tem origem na linguagem indígena Tupi-Guarani, cuja grafia original é “Guaratã”, nome de uma ave de pernas na cor preta e alongada, com pescoço grande, de penas avermelhadas e de um pio forte estridente, ave esta que vivia na região entre os morros e os riachos, pois se alimentava de pequenos peixes, lagartas e insetos existentes nos pastos e banhados da região, exceto na cor, ela parecia com uma garça.
Por outro lado, um amigo de nossa família, grande admirador de nossa parentela e de nossa região, que por onde por mais de 12 anos pastoreou as Igrejas de Murundu e Guarataia, Pr. Eugênio nos informou que o nome da localidade, vem de uma planta de uma espécie de Bambu, porém rasteiro que no passado havia muito na região, e talvez por um nome diferente e interessante, alguém resolveu chamar a localidade de Guarataia.
Já é de nosso conhecimento que na região do Rio Bonito, existem exemplares desta planta, e numabreve oportunidade vamos trazer um exemplar desta planta hoje extinta na região para ser cultivada, para que nossa gente possa conhecer um exemplar desta planta que tem o mesmo nome da localidade, que provavelmente tenha sido a inspiração de alguém no passado para dar nome ao lugar.
Por volta de 1850, ano provável de ter acontecido o casamento de Sebastião de Tavares com Ana de Almeida Carvalho, conhecida como Naná, concluímos que foi a partir desta união quando nasceram seus filhos: Amaro, José (Zeca), Mariana, Francisca (Xica), Manoel (Inhosinho), Iaiá, Alice (Lili), Inhazinha e Bem.
Alguns estão descritos apenas pelo apelido, porque ainda não conhecemos seus nomes verdadeiros nem de seus familiares foram localizados.
E foi no lugarejo chamado Guarataia, o local escolhido por Sebastião e Ana para viverem e criarem seus filhos, neste local eles adquiriram uma grande propriedade, onde construíram sua casa, tiveram seus filhos, dando origem à família Tavares, ainda não sabem precisar quando eles chegaram e adquiriram a propriedade onde viveram com seus filhos, mas foi através de seu espírito empreendedor que ao longo dos anos formou-se este lugarejo.
Depois com o casamento de seus filhos, que ao formarem família, também iam se erradicando na propriedade, localizada entre Chave do Paraíso até a Concha-Colônia, desde a linha férrea, tendo como vizinhos do outro lado da linha, a fazenda da família Almeida que tinha uma fábrica de Aguardente e o cultivo de Cana de Açúcar, local onde ao longo dos anos empregava muita gente da região, e outra da Família Vidal onde existia um moinho para beneficiar milho e arroz produzido em sua fazenda além de prestar serviço beneficiando milho e arroz para agricultores menores, também de compravam a produção agrícola de terceiros, cuja atividade industrial empregava muitos homens na região.
Na Fazenda de Antônio Vidal, eles aproveitavam a força natural do peso d’água para movimentar as máquinas do moinho e o gerador de energia elétrica, portanto segundo relatos, esta fazenda foi uma das primeiras propriedades beneficiada com energia elétrica nas casas, com o empreendimento de Antônio Vidal.
A família Tavares Paes foi concretizada com o casamento de Mariana Tavares com Izídio Paes, também tem sua história e origem na região onde morava na região entre Guarataia, Colônia e Concha, no antigo distrito de Morro do Côco, lugarejo este que ganhou representatividade com o advento da construção da linha férrea que ligava Campos a Cachoeiro de Itapemirim, entre os anos de 1877/1890, sendo que a estação de Guarataia, foi construída um pouco mais tarde atendendo ao pedido do fazendeiro Sr. Vidal, que cedeu parte de sua propriedade para que fosse construído um ramal da linha férrea, onde a Usina de Santa Maria construiu uma balança, que serviu durante muitos anos para escoar toda produção de cana de açúcar, que era transportada em carros de bois, de todas as propriedades da região para transbordo na balança do Vidal, como era conhecida.
Hoje abandonada, a velha estação ainda está de pé, recebeu o nome de P.T. Guarataia (Parada de Trens Guarataia), está catalogada como “Sítio Arqueológico” protegida por lei Federal, fazendo parte do Patrimônio Cultural Brasileiro.
E neste citado local, era feito o embarque e desembarque dos passageiros, já a produção agrícola e outras encomendas ou despachos da região até o final dos anos 70 através das estações de Murundu ou de Vila Nova, ocasião em que fora desativado o trem de passageiros na citada estrada de ferro, permanecendo até os anos 80 apenas o embarque de Cana de Açúcar.
Atualmente o lugarejo chamado Guarataia que era no passado um centro de encontro das famílias, que tinha como referência as Igrejas existentes, havia muitos moradores, hoje são poucas as famílias que ainda moram lá, está sendo esvaziada pelo êxodo rural, a maioria das famílias se mudaram para as proximidades de Vila Nova, Campos e outras cidades, vivendo ainda no mesmo lugar, alguns descendentes de Júlia e Irineu Benvindo (Izaque e Juca) de Farid e Epitácio, o Júnior que ainda mora na mesma casa onde nasceu, Adenildo filho de Edgar e Malvelita sua mãe, moram na propriedade que herdaram, desde que se casou e alguns outros poucos descendentes mantém a tradição e sobrevivem da propriedade na região, mesmo morando fora.
Entre as muitas atitudes marcantes deste clã familiar, estava em acolher pessoas estranhas, algumas com parentesco na vizinhança que eram colonos da fazenda dos Tavares, outros vinham sem destino a pé pela linha do trem ou desembarcavam na estação de trem a procura de trabalho.
Uma figura lendária que viveu toda sua vida como servidor dos Tavares, foi o tão conhecido Euclides, alguns contam que ele era remanescente dos escravos da região de Morro do Coco, onde os nossos antepassados negociavam e registravam seus filhos no cartório mais próximo que existia, e contam que Euclides perdeu seus pais ainda menino junto de sua irmã que ficou em Morro do Coco, vindo ele ainda menino trabalhar na casa de Sebastião, que seus patrões faleceram ele continuou morando na casa de Amaro, e quase todos os filhos do casal, foram muitas vezes carregados no colo por ele.
Com a mudança de Cândida (Neni) para a casa de Elza em Vila Nova, Euclides acompanhou, atuando como fiel servidor da descendência dos Tavares, até seus últimos dias, ele talvez nem conhecesse seus parentes, foi adotado e literalmente adotou a família Tavares como se fosse a sua, e por todos era muito querido, ele morreu já bastante idoso, alguns contam que ele tinha mais de 100 anos, e ficou marcada a sua figura, por causa da envergadura que ele adquiriu com o tempo em sua coluna vertebral, andando numa posição desconfortável, envergado para frente.
Com a morte dos patriarcas, alguns herdeiros foram adquirindo a parte dos irmãos e até 2010, uma boa parte das terras que pertencia a Sebastião e Ana, continua nas mãos de seus descendentes, a parte de Izídio e Mariana hoje pertence aos herdeiros de José Paes outra parte ainda pertence à filha Faride e seus filhos herdeiros de Epitácio, a parte herdade de Amaro Tavares, uma parte pertence ao filho Ernane e outras aos herdeiros do Filho Epitácio e Edgar, onde moram seus descendentes Epitácio Júnior, e na de Edgar, mora seu filho Adenildo com sua mãe D. Malvelita, herdeiros de Júlia (Isaque e Juca) cuidam de sua parte e outras que compraram de seus irmãos, onde foram criados. O herdeiro Ernane, mesmo morando atualmente em Vila Nova cuida de sua parte com seu filho Fernando Tavares.
A CASA NA PEDRA
Há mais de 70 anos atrás, aconteceu algo que mudaria nossas vidas para sempre!
Um homem teria a ideia de fazer uma casa em cima de uma pedreira onde não se podia ter fundação ou qualquer coluna de madeira, quando na região todas as construções eram feitas tendo suas bases, hoje colunas, feitas de madeira, fincadas no chão.
Apenas com a pedra de alicerce ele começou a construir essa casa sem certeza de que daria certo ou se não cairia numa próxima tempestade.
Uma ideia louca na época e por isso foi inúmeras vezes chamado de louco pelos moradores do lugarejo em volta.
Antes, toda família morava na localidade conhecida como Palma, depois se mudaram para outra localidade conhecida como concha, todos estes lugarejos entre Guarataia e Morro do Côco, onde nasceram todos os seus filhos, local onde a sua filha Júlia casada com Irineu Benvindo, que antes moravam na localidade de Palma, passou a viver com seus filhos até seus últimos.
Mas com base na palavra de Deus encontrada em Mateus que diz que o homem prudente edificou sua casa sobre a rocha, mas o tolo edificou sua casa na areia, e deram ventos e tempestades contra aquela casa e ela não caiu por que estava edificada sobre a
rocha, porém a casa na areia foi ao chão na primeira tempestade.
Sempre fiel na palavra de Deus, este homem mesmo com incertezas fez sua casa sobre a rocha e foi bem em sua ideia, "O louco, tornou-se o maior arquiteto de Guarataia" e mesmo sem nunca ter ido à escola e sem saber ler ou escrever fez um dos maiores projetos Bíblicos na história "A CASA NA ROCHA", mas para nós, A CASA DA PEDRA, quando em 1937 quando Izídio Paes lendo a Bíblia resolveu construir sua casa, com base na passagem Bíblica que relata sobre os ensinamentos de Jesus, baseada no texto Bíblico de MT 7: 24 a 27.
“Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica, é como um homem prudente (Sábio) que construiu a sua casa sobre a rocha. 25-Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26-Mas quem ouve estas minhas palavras e não as praticam é como o homem insensato (tolo) que construiu a sua casa sobre a areia, caiu a chuva, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua casa”.
Ele vislumbrando a parte de seu sítio onde havia uma enorme pedra de frente para a linha do trem que passava em Guarataia, essa parte do sítio foi herança de Mariana Tavares esposa de Izídio.
Ela herdou a parte do sítio após a morte de seu pai Sebastião Tavares de frente para a linha do trem, ou seja, para aquela época a melhor parte de terras de seu pai, o resto do sítio foi dividido para os outros irmãos, onde mais tarde ele anexou à parte que comprou de outros herdeiros.
Antes eles moravam em uma casa de estuque (sapê) ou seja, uma casa de pau a pique coberta de pindoba, com chão de barro batido, onde nasceram todos os filhos do casal.
Para começar a obra, Izídio contratou um pedreiro conhecido pelo apelido de
“Deitado” para trabalhar na construção da casa em cima da pedra.
Na época ele também contratou dois portugueses que moravam na região entre Vila Nova e Murundu para quebrar as pedras usadas no alicerce erguido como base para a construção, cuja base foi projetada para ser aproveitada como porão ou alpendre como era conhecido na época.
As pedras do alicerce foram tiradas na parte de trás do sítio, local onde mais tarde morou Felipe Paes.
O mais interessante de tudo isso foi o assoalho da casa. Toda madeira foi tirada em uma mata fechada que ele possuía na localidade de água cumprida que foi de onde ele tirou o material para a segunda parte da casa, o piso! Ele passou dias cortando as árvores, que depois de amarradas eram arrastadas pelos ternos de bois, que arrastavam as mesmas, levando-as até a pedra para então serrá-las e tirar dali as tábuas para o assoalho, portas, janelas e a estrutura do telhado.
Para serrar a madeira, ele fez um estaleiro de madeira do lado direito da pedra (na parte mais inclinada) onde se colocava a tora em cima dessa estrutura, no sentido contrário, para facilitar que a tora rolasse até o ponto que dessa altura para os serradores trabalharem, um em cima e outro em baixo, fazendo o vai e vem da enorme serra de puxar.
Assim o serrador e seu ajudante fatiavam as toras em forma de tábuas, e na maioria das vezes era o próprio Izídio que ficava na parte de cima e seu ajudante ficava embaixo da estrutura, um puxava a serra e outro a empurrava e o dia todo ficava fazendo isso até cortar toda madeira suficiente para a construção da casa na pedra.
No projeto original que Izídio idealizou, não existia a varanda lateral, existia apenas a escada e tinha no final uma plataforma que dava acesso a porta da sala, com uma mureta sem o resto da varanda, anos depois ele concluiu a obra, estendendo a plataforma da escada onde ficava a varanda lateral.
É difícil dizer quando começou e terminou a obra da casa da pedra pois Izídio fez a casa por etapas, só se do ano que estava escrito na fachada era 1937, provavelmente o ano em que eles se mudaram para lá.
A filha Ana Maria quando foi morar na pedra com seus pais e irmãos plantou um cacto no lado esquerdo da casa que viveu até 2009. E nele foram escritos por muitas pessoas que ali passaram nomes e datas.
Antigamente, os tijolos eram feitos no local, o dono da obra tinha que montar uma pequena olaria, contratava um oleiro para fabricar os tijolos bem próximo da construção, com Izídio não foi diferente, ele retirou o barro para fazer os tijolos da casa na vargem de frente para a pedra (hoje beirando a pista, parte da terra que ficou de herança para Farid após a morte do pai).
E neste local formou-se uma lagoa que mais tarde passou a ser coberta naturalmente
por vegetação de tábua, e uma lenda passou a ser contada pela maioria que nesta lagoa existia um jacaré gigante, capaz de engolir um homem, fato este que fazia com as crianças tivesse muito medo, na realidade existia jacarés e outros bichos sim, pois os mesmos comem as galinhas que porventura fossem próximo desta área.
O emboço da casa da pedra era também feito com barro e cal, na época não existia cimento nem argamassa como nos dias de hoje, era uma espécie de casa de barro (literalmente).
Após a casa emboçada Izídio a pintou da cor creme e foi essa a primeira cor da casa da pedra e suas janelas eram a parte de cima de vidros coloridos porém foram tiradas pois o vento quebrava muitos deles, passando a serem de tábua corrida.
Na conclusão da casa, Izídio contratou um Oleiro chamado Melquíades para o ajudá-lo na produção dos tijolos e foi nessa oportunidade que Esther, a 4ª filha de Izídio se apaixonou pelo oleiro, (mais detalhes estão descritos no capítulo que trata desta tragédia).
Melquíades era negro e as famílias daquela época não aceitavam um relacionamento como esse, tudo isto à pouco mais 40 anos da abolição, que ainda era muito grande o preconceito com os negros, e por conta de um mal entendido ela se suicidou aos 18 anos, no quarto da casa que passou e ter uma janela que dava para a dispensa que foi construída no final da varanda, anos mais tarde esse quarto ficou chamado de "o quarto assombrado da casa da pedra” (fato contado por Genecy Alves Paes)
Na parte do telhado o desafio era muito grande para Izídio, ele também serrou as ripas e caibros de suas toras de madeira.
As telhas foram compradas na época em Itaboraí, pois naquela localidade antigamente havia muitas olarias e vieram de trem pela ferrovia Leopoldina, não sabemos ao certo qual estação elas foram desembarcadas mas com certeza nas mais próximas da região Vila Nova ou Murundu, e os enormes fardos de telhas, foram levados em carros de boi da estação de trem onde desembarcou até o local da obra.
Mas podemos dizer que a parte mais emocionante da história da construção da casa da pedra eram as torres desenhar as na fachada da casa.
Eram cinco torres na frente da casa, três delas que estavam ao centro, continham um desenho parecido com um leque aberto, porém seu intuito não era fazer um leque desenhado na fachada da casa, poucos conseguiram entender aquele desenho, mas eles representavam uma bíblia aberta ou desfolhada, ou seja a palavra de Deus aberta para todos os que podiam ver a palavra de Deus dizendo "Prudente é o Homem que Edificou sua casa sobre a rocha"
Ele começou a construir a casa com seus 51 anos de idade e ali passou seus últimos anos de vida morrendo em 1963 com 77 anos de idade.
Em sua morte foi levado de ambulância até sua casa para lá ser velado em sua maior construção. Foi um dos dias mais tristes na história de Guarataia, a morte de seu Patriarca.
Izídio poucos anos antes de morrer levou seu filho José para morar com ele por conta de uma ameaça de morte por causa de brigas com alguns moradores da região e para livrá-lo, ele convidou o filho e sua família para morarem na casa da pedra com ele e Mariana.
Depois da morte de Izídio, com a divisão das terras, José comprou a parte de outros herdeiros e continuou morando na casa da pedra até poucos anos antes de sua morte quando se mudou para campos.
Esta iniciativa muito nos orgulha, porque foi por este instinto empreendedor que até os dias atuais a propriedade onde a família criou seus filhos, ainda pertence a familiares, evitando que caísse nas
mãos de estranhos, e ninguém pudesse botar o pé na citada propriedade deste lugarejo que tanto marcou nossa geração.
Após a saída de José da casa da pedra por conta de sua idade e saúde debilitada, ele deixou morando lá seu filho Genair com sua família mas por pouco tempo também e após a saída de Genair para o Rio morou um irmão de Doralice chamado Doralino.
Algumas reformas foram feitas na casa no tempo de José, como por exemplo o banheiro do lado direito, reforma da cozinha e pintura da casa, mas sempre preservando a fachada original construída pelo seu pai.
Os anos se passam e a casa tão bonita e querida de Izídio, fica abandonada servindo de casa apenas para marimbondos e cobras no porão.
Foi nessa época que Gabriel Paes junto de alguns familiares, conheceu a casa da pedra em 2004.
A casa já estava bem destruída pelo tempo mas ainda era fácil sua recuperação, porém o tempo foi se passando, e então no começo do mês de março de 2009, a notícia logo correu," a casa da pedra caiu"
Então todos se perguntaram. Pode a palavra de Deus mentir? A casa edificada sobre a rocha caiu?
Mas não foi bem isso que aconteceu, a casa foi derrubada, para conseguirem tal feito, amarram uma enorme corrente circulando toda a construção, e com um trator foi puxada e em poucos minutos, tudo foi ao chão, restando apenas o alicerce com parte do assoalho e a escada que dava acesso para a varanda!
Todo suor, toda luta, e força de Izídio, foi destruído em alguns minutos ...todas as lembranças e memórias viraram em apenas alguns minutos entulho e tijolos empilhados ...
Este foi o fim de uma época de Ouro das nossas vidas, fim de uma era de luta e carinho ...
Mas ainda existe um tempo de Fazer uma nova história. Um novo Patriarca, Uma nova casa, Um Recomeço, Casa da Pedra 1937/2009
ÁRVORE GENEALÓGICA
O levantamento que está sendo feito sobre a origem de nossa grande família, tem sido bastante complicado, primeiro por causa da escassez de dados oficiais, pois no passado era muito comum as pessoas serem conhecidas apenas por apelido.
Estamos avançando na proporção em que somos alcançados por descendentes que até então não conhecíamos, alguns ao encontrar nossa história na internet, acabam fornecendo os dados de parentesco eu possuem com os dados que já temos registrados, assim, vamos completando e corrigindo alguns nomes que porventura ainda estão incompletos ou mesmo errados. Os dados com maior exatidão, estão anotados a partir do casamento de Sebastião e Naná, mas com muito esforço, estamos concluindo alguns dados dos antepassados deste casal, conforme segue sobre outros Tavares:
Antônio Santana e Elisa Tavares, seus filhos (?)
1-Herval de Souza Tavares – Filhos José Renato pai de Leandro, Bruno Renato Roque Tavares 2-Terezinha Maria Tavares – mãe de Wallace e Hellem Tavares
3-Elísio de Souza Tavares – pai de Elielze, Eliziete e Walter Elysio
4-Elba de Souza Tavares – mãe de Laura Elisa e Elizabeth Tavares
5-Elbert de Souza Tavares(Bezinho) – pai de Elbert Luiz, Maryane Pires Tavares
Outros nomes ainda desconhecida a relação de parentesco: José Monteiro , Manoel Alvarenga, Nicolina, mãe da Elza,
Domingos e Rosa Tavares, seus filhos Cândida (Neni), Maria, Admardo, Penha
Álvaro de Souza Tavares Srº Santinho, filho de Américo Rodrigues de Souza e Antônia Maria do Espírito Santo, foi casado pela 1ª vez com Maria Tavares, filha de Ana Gonçalves Tavares, tiveram os filhos: Alvarina, Dalva, Alan, Hamilton, Washington, no segundo matrimônio: Alvinho, Elizete,
Antonio Santana 2º casamento com Estelita – filhos Eunice Santana
Muitos outros parentes com o sobrenome Tavares, ainda não conseguimos fechar o grau de parentesco, como exemplo, se Amaro filho de Sebastião e Ana era primo de sua esposa Cândida filha de Domingos e Rosa, quem era parente de quem entre os pais de Amaro e Cândida. Mas aos poucos as peças vão se encaixando, portanto alguns dados poderão estar incorreto, quem tiver uma prova documental (Cópia de escritura de terra, de certidão de nascimento ou de casamento, favor nos enviar uma cópia para fins de confirmação de parentesco)
SEBASTIÃO TAVARES (Seus pais ?) - casou-se com ANA DE ALMEIDA CARVALHO (Naná) (Seus pais ?) por volta de 1850, deste casamento formou-se a primeira parte da família que estamos apresentando, eles tiveram os filhos: AMARO, MARIANA, MANOEL (Inhosinho), FRANCISCA (Chica), JOSÉ (Zeca), ALICE (Lili), MARIA (Inhazinha), IAIÁ e BEM que ainda não conhecemos os seus verdadeiros nomes;
FRANCESCO ANTONIO MULEU (Italiano) casou-se com a brasileira RITA DE ALMEIDA PAES por volta de 1855, deste casamento formou-se a segunda parte da família com o nascimento dos filhos IZDÍO, INÁCIO E MARIA (Cotinha)
A partir deste casal, é que iniciamos o levantamento de nossos dados históricos, seus filhos AMARO TAVARES – casou-se com a prima Cândida Tavares(Nêni) 1899-1975, filha de Domingos e Rosa, tiveram os filhos:
JOSÉ (Zeca) - casou-se com Mariana, seus filhos:
FRANCISCA TAVARES - CHICA - casou-se com Manoel Queiroz (Bad), seus filhos: Alci, Ariosto, Eneci – casou-se com Glicério (Cerinho), (Filhos Sueli, Sandra, Arnaldo, _____, Eni – filho José Ailton, Edulce, casou-se com Jorge Mineirinho –(Filhos Jorge, Fátima, Joilson, Edimar_____,____)e Eunice;
MANOEL TAVARES - INHOSINHO - casou-se com Maria Gusmão, (Filhos:
___ TAVARES - Iaiá - casou-se com Joca, seus filhos:
ALICE –Lili- conhecida como Lili - casou-se com Zeca Rocha, seus filhos: Juarez(casado com a prima Sidenira, filha de seu tio Inhosinho), Joacir, Alvaci;
MARIA - Inhazinha – casou-se com___________seus filhos Joel, Casado com Mariquinha (Filhos Josué, Josias, Jonas, Gédida, Gedenir e Geisa), Daniel, Doriente, Manoel (Maninho), Noel, Marta (Morena)
FELISMINDA (Bem), foi casada com Raul Almeida, seus filhos Marieta, (__________).
MARIANA – Nasceu em 18/07/1891 faleceu em 16/11/1972 com 81 anos.
Foi casada com IZÍDIO PAES MULEU – Nascido na região de Colônia/Concha, entre Morro do Côco e Murundu, Município de Campos dos Goytacazes-RJ em 25/12/1886 faleceu em 15/08/1963, com 77 anos.
Desta união, nasceram seus nove filhos (Júlia, Felipe, Elias, Ester, José, Ana Maria, Gemima, Paulo e Faride.
Seus pais Francesco Antonio Muleu e Rita de Almeida Paes, seus irmãos:
Inácio Paes Muleu, casado com Francisca Gomes, Dona Chiquinha, tiveram os filhos: Elói, Julito, Jurema (São Gonçalo-RJ), Junaci, Orionel e Laerte Gomes Paes, nascido em 15/12/1924 seus Filhos Valter e Valtair)
Maria Paes Muleu (Cotinha) foi casada com Sr. Antônio de Almeida Barbosa - Sr. Inhônhô, tiveram os filhos: Quiquita (Felisminda) casada com____, seus filhos, Neném casada com Chile Rocha (Seus filhos – Alcemir, Aldemir, José (Zezé), Antônio (Totonho), João (Almeidinha) (casado com Genita Rocha Barbosa – (Filhos – Penha, Léia, Marilza, Rosa, Sandra, Mercedes, João, Eraldo e Jorge), Juarez e Zuzú.
Em 2009, depois de alguns levantamentos, conseguimos encontrar ainda vivos da parte de Maria/Cotinha, apenas o sobrinho João, conhecido como Almeidinha, morando em Vila Nova de Campos, na época com 85 anos de idade e da parte de Inácio, Laerte Paes, com 86 anos de idade, morador no bairro Aeroporto, na cidade de Campos e Orionel morador em Apiacás - MT.
Em setembro de 2010, Orionel, (Orioni) mais um filho de Inácio foi encontrado, neste caso ele que reencontrou a família, conforme texto no final desta parte.
Ainda sobre Izidio Paes, ele perdeu seus pais ainda muito jovem, sendo o filho mais velho, ficou com a responsabilidade de cuidar de seus dois irmãos (Inácio e Cotinha), que mesmo depois dos irmãos terem se casado e enviuvados, nunca se afastaram dos cuidados do irmão mais velho.
Após muitos anos de trabalho como diarista nas propriedades da região, Izídio casou-se com a jovem Mariana de Souza Tavares, com quem teve os filhos: foi casada
1ª - Júlia –(1915/1995) foi casada com Irineu Benvindo, seus filhos: Juraci, Jocília, Josélia, Josete, Joceli (Lôra), Josilda (Caçula), Jurema(Lene), José(Juca), Júlio (Russo), João, Josias, Izaque.
2º - Felipe - (1917/2000)– foi casado com a prima Eliza Tavares, seus filhos: Emilce, Josélia, Célia, Gelça, Mariana, Sônia, Neide, Naise, Elizane, Nelson, Maria Eliza, Adail , Rosilene.
3º - Elias - (1920/1989)– foi casado com Cerides Almeida Borges, seus filhos: Creusa, Cláudio, Elcio, Eval, Evandro, Elcia, Vânia, Marilene, Regina e Carlos Henrique.
4ª – Ester (suicidou-se na casa da Pedra, aos 18 anos);
5º - José(1925/2002) foi casado com Doralice Alves, seus filhos: Angerusa, Geneci, Genair, Eraldo, Gerçoni, Gemima, José Augusto, Edilma 27/04/_____-1982, Elza, Audiléia, Murilo, Kleber.
6ª - Ana Maria(Ganinha) casou-se com Adiel Louzada, seus filhos: Adielzinho e Wiliam.
7ª – Gemima (Jamila) – (1933/ ) foi casada com Ataíde Almeida Borges, seus filhos: Mirian e Paulo César.
8º - Paulo(Juvenil) 1932/1999 - foi casado com Maria da Penha, seus filhos: Elizete, Paulo Fernando, Edalma, Ediméia, Roberto, Marcos, Ebenézer e Débora.
9ª - Farid foi casada com o primo Epitácio Tavares, seus filhos: Elielzi, Neiva, Elielma(Telma), César Augusto, Méri Jane, Carlos Henrique, Léia Cristina e Epitácio Júnior.
Faride depois que ficou viúva em, casou-se pela segunda vez com Sr. João Batista.
O REENCONTRO DOS FILHOS DE INÁCIO
Por volta de 1964/65 Orionel Paes foi morar no Paraná com a esposa e duas filhas, de lá foi para o Paraguai por onde viveu muitos anos, depois retornando ao Brasil, fixou residência no município de Apiacás, região norte do estado de Mato Grosso, onde moram também a maioria dos seus oitos filhos.
Com idade amadurecida, decidiu retornar ao lugar onde nasceu e procurar pelos parentes que ainda pudesse encontrar. Comunicando com seu neto Erivelton em 2011 do
seu desejo de reencontrar os parentes, o neto ao pesquisar na internet, encontrou os dados históricos e fotográficos que está sendo aos poucos sendo reestruturado e divulgado para maior integração da família.
Primeiro ele enviou uma mensagem pedindo ajuda para que seu avô pudesse encontrar parentes, mas ficou difícil de entender porque tínhamos conhecimento de que o nome dele seria Orioni, mas a mensagem falava de Orionel Paes, passados mais uns dias quando ele chegou do Mato Grosso ao Rio de Janeiro, de imediato ele foi até Santa Maria de Campos com sua filha mais velha, mãe de Erivelton, e por lá encontrou apenas alguns amigos e conhecidos, da época que por lá eles moraram e Léia sua filha ainda era uma menininha.
Retornaram ao Rio sem localizar os parentes, foi quando seu neto mostrou pra ele as fotos e a história de uma família Paes do interior de Campos, que tinha encontrado na Internet, e na pesquisa ele começou a identificar o nome de seu tio Izídio, encontrou o nome de seu pai, de sua tia Cotinha, em fim finalmente tinha encontrado parte de seus familiares, inclusive reconheceu através da foto alguns de seus primos, Juvenil, Elias, José e nova mensagem seu neto passou, desta vez contando que seu avô havia reconhecido os primos.
De posse destes novos dados, logo no outro dia Orionel retornou com sua filha diretamente para Guarataia, local onde ele nasceu e passou a sua infância, e pode localizar através da história na Internet, chegando lá, encontrou apenas a casa de Faride, onde mora Epitácio Júnior, estando em casa apenas a sua esposa Perla, ela forneceu o
endereço e o telefone de Faride.
Eles retornaram para Campos, ligaram e conseguiram chegar na casa da prima que não via a mais de 45 anos, pois no dia anterior ela comemorou seu aniversário e em sua casa estava sua irmã Ganinha, podendo ele reencontrar na mesma data as duas primas ainda vidas, da parte de seu tio Izídio.
De imediato Faride ligou pra Paulinho filho de Juvenil, comentando da chegada do primo, e da ansiedade dele de encontrar o irmão Laerte, pois em virtude das pesquisas sobre o encontro, somente Paulinho saberia levá-los até do irmão dele, e no outro dia logo cedo, Orionel foi conduzido por Paulinho e Adail filho de Felipe que acabara de chegar na casa de sua tia Faride, e prontamente conduziu em seu carro com destino a casa de Laerte.
Ao chegarem, a esposa de Laerte foi quem os atendeu, e ao chamá-lo quando ele viu o irmão, só fez uma reclamação; Porque você fez isso comigo, eu pensei que você tivesse morrido, pois nunca mais tive contato, escrevi várias cartas e você nunca respondeu, Orionel respondeu, eu estou vivo, aqui sua frente, me dê um abraço, e em prantos os dois irmãos se reencontraram, conversaram bastante, Laerte levou todos na casa da viúva de seu saudoso irmão Elói, onde pode encontrar sua ex-cunhada, os filhos, netos e bisnetos dela.
A MISTERIOSA MORTE DE AMARO
Amaro Tavares teve sua trajetória de vida interrompida de forma trágica no ano de 1938, ele saiu e casa com destino a Conselheiro Josino para uma briga galo, chegando à estação de Guarataia encontrou com seu amigo e também amante da briga de galo, o fazendeiro Antonio Vidal, que lhe comunicou que estava a caminho de Murundu, um trem de passageiros enviado exclusivamente para buscar os “Boinas verdes, integrantes do movimento Integralista”, ele voltou em casa, pegou a tradicional camisa verde, e sua boina, uniforme oficial dos militantes, coloco numa sacola e saiu com destino à cidade de Campos para participar do citado encontro.
A família sabe muito pouco sobre a verdade dos fatos, também pelos muitos anos que já se passaram (1938), e somente através de muitas pesquisas em bibliotecas, na Internet, conseguimos chegar a dados que noticiados na rede por pesquisadores do movimento, com alguns textos e comentários de jornais e informativos daquela época que transcrevemos a seguir:
“Manifesto Integralista, poucos sabem realmente porquê devemos lembrar e reverenciar
o mês de agosto, mais especificamente o dia 15 de agosto de 1937 na cidade de Campos, o núcleo municipal da AIB-Acção Integralista Brasileira preparava mais um comício na região, militantes de diversos núcleos distritais e de outros municípios começaram a se concentrar por volta das 10:00 horas nas imediações da sede municipal.
Às 16:00 horas, centenas de milicianos já desfilavam pelas ruas centrais da cidade com suas camisas-verdes e bandeiras azuis, aproximadamente às 17:00, os legionários do sigma chegaram à praça São Salvador, centro de Campos.
Os milhares de integralistas presentes se concentravam em torno do palanque armado em frente à sede municipal para ouvir um dos primeiros oradores, o camisa-verde Sr. Celso Peçanha. Passados menos de cinco minutos do discurso, iniciou-se o tumulto com o próprio orador tendo seu microfone alvejado por uma saraivada de tiros proferida pelos policiais que se encontravam na praça onde se concentrou o intenso tiroteio, resultando em diversos mortos e feridos, sendo chamado por muitos jornais da época de Carnificina de Campos. (Foto da casa de Amaro)
O periódico “A Offensiva” de 17/08/37, relata este fato com a matéria intitulada “Os comunistas praticam um bárbaro massacre na cidade de Campos”. O jornal iria, através do artigo, relatar o papel heróico dos dirigentes integralistas, que apesar de correrem perigo de vida se arriscaram para socorrer os feridos que se encontravam estirados no chão e transportar os sobreviventes para os hospitais.
Já o boletim “Bandeira do Sigma” saúda os mártires que tombaram em Campos, os camisas-verdes Sr. Amaro Miranda, José Antenor de Paula Barreto e Amaro Tavares, com três vibrantes Anauês!”
"Anauê", que em tupi significa "Você é meu irmão", era o grito de guerra da AIB-Acção Integralista Brasileira, cujo movimento consistia em difundir o pensamento de integrar toda a população sob as idéias de um Estado forte, de uma sociedade hierarquizada e de um país nacionalista livre das doutrinas socialistas, comunistas ou anarquistas, como forma de manter a ordem e a paz interna.
Outro fato curioso ocorrido foi que devida a dificuldade de comunicação daquela época, também pelo medo que os movimentos revolucionários traziam as pessoas do interior, que ficavam apavorados com os comentários que eram noticiados de boca em boca, e pela precariedade de comunicação na daquela época, pois eram poucas as famílias que possuíam um rádio de pilha em sua casas.
Sabemos através de relatos feito por alguns alguns de seus familiares, que o corpo de Amaro Tavares desapareceu, nunca foi encontrado para ser sepultado pela família, deve ter sido enterrado como indigente.
Assim ele partiu, deixando a viúva Cândida (Neni), na época grávida com seis meses de sua filha caçula Elenice, e com a responsabilidade de cuidar de seus outros oito filhos.
Assim Cândida Tavares depois de criar toda sua filharada no lugarejo chamado Guarataia, em sua velhice, foi morar na casa da filha Elza, em Vila Nova, onde viveu até seus últimos dias.
O TRABALHO DAQUELA ÉPOCA
A região de Guarataia sempre teve vocação agrícola desde os tempos remotos, nas propriedades plantava-se de tudo um pouco (Milho, arroz, feijão, hortigranjeiros, criavam-se galinhas e porcos para consumo das famílias e para serem vendidas ou negociadas com os caixeiros viajantes que saíam de Vila Nova visitando as pequenas propriedades para comprar Aves e Ovos.
Estes caixeiros viajantes levavam de tudo um pouco, uns vendiam cortes de tecido para as mães fazer roupas dos filhos, outros levava pães e outras guloseimas, mas a cultura cafeeira e canavieira era predominante, pois era destas culturas em maior volume que os proprietários de terras mantinham seus familiares e empregados trabalhando.
Esta modalidade comercial vem das épocas remotas, seguindo os costumes deixados pelos tropeiros, que eram tocadores de grandes tropas de mulas, que faziam o transporte da produção agrícola da roça até um porto marítimo, que mais próximo da gente eram em Barra do Itabapoana e Gargaú, hoje São Francisco de Itabapoana, e nestes locais a produção agrícola era negociada com os atravessadores que despachavam nos vapores com destino aos centros consumidores.
A produção bovina era destina a formação de bois carreiros para lavrar a terra com arado e o leite servia apenas para consumo das famílias e amamentar os bezerros,
Não existiam açougues, a carne consumida era de aves (Galinhas, Patos e Perus), de caça e pesca ou de Carne-Seca, que chamavam no passado de charqueada, trazida dos grandes centros pelos caixeiros viajantes para o interior.
Por volta de 1870 com a chegada da estrada de Ferro, com a Maria Fumaça, que era o nome dado ao trem movido a vapor, a produção era conduzida em carros de bois ou em lombo de burro até as estações de Murundu ou de Vila Nova, onde havia funcionários da companhia para fazer a pesagem e a cobrança do frete da produção agrícola ou animal até o seu destino.Com a chegada da estrada da ferrovia, a região tomou novos rumos com o avanço da produção canavieira, quando as Usinas da Região (Santa Maria, Outeiro, São João e Santo Antônio, começaram a construir balanças com desvios da ferrovia, onde as grades ficavam estacionadas para receber toda produção de cana dos pequenos proprietários e fazendeiros.
Todo transporte de cana da roça até estas balanças as margens da ferrovia que ficavam na Fazendo do Vidal, na Fazenda Santa Rita da Usina Santa Maria em Chave do Paraíso ou em Vila Nova, eram feitos em carros de bois, com roda da madeira, calçada com uma chapa fina, para evitar o desgaste da madeira.
A partir de 1950 chegou à região o primeiro caminhão que Izídio Paes comprou para seu filho Elias transportar canas e também conduzia as pessoas da região até Murundu, aos domingos para ir à Igreja.
As dificuldades eram muitas, as estradas eram marcadas e acidentadas com as rieiras (valas) deixadas pelas rodas de chapa fina, feitas pelos carros de bois, poucos eram os carros existentes na época, apenas os grandes fazendeiros possuíam automóveis ou caminhões, e quando chovia, ficavam difíceis transitar pelas estradas de chão batido, esburacadas pela ação do tempo, pelos trilhos formados pelo caminhar das juntas de bois que puxavam os carros e pelos cavalos.
A CANA DE AÇÚCAR E O HOSPITAL DOS PLANTADORES DE CANA NA REGIÃO
Enriquecendo nossa pesquisa, tivemos acesso a alguns dados sobre os fornecedores de Cana, que nesta oportunidade aproveitamos para agradecer a confiança que o Sr. Eraldo, um dos diretores de ASFLUCAN – Associação Fluminense dos Plantadores de Cana, que gentilmente nos emprestou três livros dos anos de 1952, 1953 e 1959, quando tivemos a oportunidade de pesquisar, fotografar e copiar alguns dados da movimentação dos fornecedores de cana daquela época.
Ficou apurado que Izídio Paes nem sempre fornecia grande quantidade de canas, seu cunhado Manoel (Inhosinho) e sua Cunhada Cândida, com a mesma área de terra
cultivada, fornecia quase o dobro do que ele, pudemos levantar que ele dividia a produção entre seus filhos, Felipe, Elias e José, os mais velhos que tinham família com muitos filhos.
Assim ele fazia porque naquela época não existia Planos de Saúde, nem o SUS, apenas tinha direito a atendimento médico hospitalar, quem fosse empregado de carteira assinada nas grandes empresas ou no serviço Público, nestes casos pelo INPS ou sendo fornecedor de cana, pois em cada tonelada de cana, era descontada dos fornecedores uma taxa que as Usinas repassavam ao Hospital dos Plantadores de Cana em Campos, que era uma referência médica na época de ouro da Indústria Canavieira, assim com o fornecimento em nome dos filhos, eles também eram favorecidos pelo direito adquirido de fornecedor de cana.
Esta prática era repetida pela maioria dos plantadores de cana da região, beneficiando seus filhos que tinham família e trabalhavam com os pais, um costume da região.
Na década de 50, o Norte Fluminense tinha mais de 30 Usinas de Açúcar, sendo destas 90% no município de Campos, e na região de Vila Nova e Guarataia, apenas as Usinas de Santa Maria, São João, Santo Antônio e Outeiro, tinham balanças e desvio para grades que o trem Maria Fumaça buscava com frequência nestas localidades.
Como exemplo podemos citar que no ano de 1959, em Outubro Elias Forneceu 27.650, Felipe 3.000, e Izidro 78.070, totalizando 108.720 toneladas, já no mês de novembro Izídio forneceu 252.850 e José 14.180, totalizando 267.030.
Pesquisando também nestes documentos cedidos pela ASFLUCAN, podemos registrar alguns dos principais proprietários da região de Guarataia e seus arredores daquela época, destacando-se em ordem alfabética:
Alfredo Duarte Pereira (Pai de Constantino), Alonso Lopes, Amaro Gomes de Souza, Antenor (Paisinho) da Silva Viana, Antonio de Souza Paes, Antônio Manhães Siqueira, Antônio Vidal, Aristides Francisco Manhães, Cândida de Souza Tavares, Manoel (Inhosinho), Cândido Almeida, Carlos Gomes Monteiro (Sr. Dú), Constantino Gomes de Oliveira, Francisco (Sobrinho) Ribeiro de Souza, Francisco Maciel de Castro (Chico Castro), Guilherme (Pacheco)Rocha da Cruz (Pai de Ricardo), Guilherme Monteiro (Pai de Sr. Dú), Irineu Benvindo, João Duarte Garcia, Jorge Lopes, José dos Santos Reis (Sr. Reis), Manoel Rocha Filho (Rochinha), Miguel Delfino Lopes (Pai de Alonso e Jorge), Olinto Duarte Cruz, todos da região de Paraíso, Guarataia e Vila Nova, além de muitos outros, conforme consta na relação da Asflucan anexada.
Antes da indústria canavieira, a região fornecia lenha e madeira de lei que seguia nos vagões de trens para os grandes centros e para outros países.
COMO SURGIU O BAMBUZAL NO RUMO DA PROPRIEDADE DE IZÍDIO PAES
Nas partes altas da propriedade de Izídio Paes, ele cultivava o plantio de Cana de Açúcar, feijão, milho, mandioca e outras culturas, já na parte baixa entre o pé do morro onde fica a Pedra onde ele construiu sua casa, tem um grande vargedo onde era feito o plantio de arroz todos os anos.
Como naquela época havia abundância de chuvas, e quando acontecia a famosa tromba d'água (Tromba de água, tromba-d'água, ou tromba marinha, é um grande vórtice colunar que ocorre ao longo de um corpo de água e está ligado a uma nuvem cumuliforme. Embora seja muitas vezes mais fraca do que a maioria dos seus homólogos da terra, trombas de água mais fortes, que são geradas por mesociclones, podem ocorrer.) quando acontecia lá na serra da colônia, descia um grande volume d'água na região de várzea, chegando em guarataia com grande volume, destruindo toda plantação de arroz.
Preocupado com este fenômeno natural na época das enchentes, Izidio Paes planejou fazer uma contenção no rumo de sua propriedade, para amenizar a força da água, que seria escoada aos poucos no canal do valão.
Chamou os pedreiros Joel Gomes, que namorava Ceilda filha de José Gomes, pra fazer os cálculos da construção de uma grande muralha para contenção das águas.
Sendo Joel ainda muito novo, levou o seu pai Salvadorzinho e seu irmão Rafael para o ajudarem a calcular o serviço, mão de obra e material necessário.
O mestre de obras chegando no local, conversando e Izidio Paes, chegou a seguinte conclusão e fez um relato dizendo: Sr. Izídio, o senhor não precisa fazer um muro para contenção da força d'água, até porque se num determinado dia o volume d'água for muito grande, corre o risco de romper com esta barragem, e pela contenção de um grande volume d'água, o sr. pode estar prejudicando seu cunhado e outros proprietários de terra que ficam acima de sua propriedade.
Izídio interrogou, e qual a sugestão que o senhor como experiente em obras pode me dar pra solucionar esse problema da grande correnteza d'água?
Salvadorzinho respondeu, o sr. pode fazer uma contenção natural que não tem água que venha derrubar e nunca vai se romper, o sr. planta uma carreira de bambu no rumo das propriedades e com pouco tempo de formada, se transforma numa barreira natural, que enchente nenhuma derruba, ameniza a força das águas e aos poucos faz uma filtragem natural.
Assim fez o proprietário Izidio Paes, e o Bambuzal existe desde que foi plantado por volta de 1940. (este relato, Joel fez a Paulinho, quando o mesmo foi visitá-lo na praia de Santa Clara - São Francisco de Itabapoana no mês de Março de 2020)
OUTRAS LITERATURAS
Pesquisando os dados e relatos de nossos antepassados, nos deparamos com alguns livros que foram escritos por membros da Família Tavares, onde confirmamos e conseguimos dados complementares dos costumes e atividades daquela época.
Entre estes escritores podemos na família, destacamos “Herval de Souza Tavares” nascido em Vila Nova, escreveu três Livro “Vinagre e Mel-1992”, “_________” e “_________”, também Dr. Arnon Henriques Tavares escreveu “ MILAGRES na vida de um jovem Médico-2003”, uma autobiografia contando sua carreira profissional e evangélica no interior de São Paulo, Maria Júlia Henriques Tavares escreveu o livro “Sítio da Vovó Paulina” contando um pouco da história de sua família, na região de São Joaquim, hoje dist. de Cardoso Moreira, e Percy.
Ribeiro Paraguassú escreveu o livro Nossas Raízes, contando um pouco da história da família Henrique de Vasconcelos, da região de Vila Nova, quando sua tia Júlia, conhecida como Julita casou-se com Admardo de Souza Tavares, irmão de Cândida e outros.
Além de contos históricos e biográficos que foram citados, Mirian Almeida Fernandes, filha de Gemina Tavares Paes e Ataíde Almeida Borges, publicou seu primeiro livro “Enquanto há tempo” de conteúdo evangélico, além de outros três que ela escreveu que estão em fase de revisão para ser impresso.
Confirmando assim que a história da família Tavares, vai muito além do que sabemos, o que já consta nos relatos e levantamentos até agora registrados, que foi sobre o casamento de Sebastião com Ana Carvalho (Naná), residentes e proprietários na região de Guarataia.
A ORIGEM ITALIANA
Ao longo dos anos, uma curiosidade aguçava com mais veemência a curiosidade sobre a origem de Izídio Paes, para saber um pouco mais de nossos antepassados, alguns descendentes do clã familiar dos Tavares Paes, já no passado, diante de poucos recursos da época, nunca desistiram em pesquisar e divulgar aos mais novos, a verdadeira história do passado de nossa GRANDE FAMÍLIA.
E ao longo desses poucos mais de 100 anos de existência, muito pouco sabe sobre nossos antepassados e de nossa verdadeira origem, muitas pesquisas tem sido feitas para se chegar ao máximo de informações com maior exatidão possível, para se construir uma exata Árvore Genealógica da família Tavares Paes.
Ao longo destes anos muito se tem discutido e pesquisado para descobrir a verdadeira origem do sobrenome Muleu, pertencente ao pai de Izídio, genitor deste Clã Familiar, com o pouco que temos registrado documentalmente sobre Francesco Antônio Muleu.
Muitas pesquisas têm sido feitas para saber um pouco mais sobre qual a região na Itália ele nasceu, e quando e como ele chegou ao Brasil, e poucos têm avançado nas pesquisas, sabemos apenas o que contam alguns descendentes mais antigos, com informações muito desencontradas, exatamente pela falta de dados documentais mais completos pela falta de dados oficiais, tais como certidões de nascimento, casamento ou de óbitos e outros, devido à dificuldade de se chegar a uma cópia de tais documentos.
Alguém dos mais antigos chegou a dizer que Izídio Paes nasceu na Itália, vindo para o Brasil com 5 ou 7 anos de idade, mas o que pudemos apurar, nas pesquisas feitas com Ana Maria e Faride (suas filhas que ainda estavamn vivas em 2009 e participaram do primeiro encontro em 2010.quem veio da Itália, e ainda solteiro, casou com a brasileira Rita de Almeida Paes, da região de Morro do Coco, isto reforça-nos a afirmativa de ele veio ainda solteiro para o Brasil.
Existe suposições de que pela proximidade da região que ele criou sua família, com o Espírito Santo, e pelo grande número de Navios com imigrantes vindos da Itália que aportou na cidade de Vitória-ES, ele tenha desembarcado por lá, ou também no Rio de Janeiro e outros estados como São Paulo ou na região Sul, todos mais distantes e onde a concentração foi maior.
Muitas cidades brasileiras se tornaram referência dos Italianos que vieram para o Brasil, enquanto que uma boa parte foi se alojar e aí formarem família nestas regiões rurais interioranas, que em nosso caso, Morro do Côco, fica localizada entre as Capitais, Vitória-ES e Rio de Janeiro-RJ.
Tudo isto fica mais difícil ainda, pelo grande número de Italianos que chegaram ao Brasil, foram mais de sete milhões no período compreendido entre 1860 e 1920, e pela data de nascimento de seu filho mais velho Izídio em 1886, concluímos que ele tenha chegado ao Brasil na década de 1880, e em quatro anos aqui no Brasil, ele tenha se casado e nascido seu primeiro filho.
Entre as dificuldades encontradas na pesquisa feita no arquivo público sediado na cidade de Vitória-ES, está na correta grafia do sobrenome, em alguns registros de seus descendentes encontramos a grafia Muleu em outros Mulen, Moleu, tudo isto tem dificultado ainda mais nossa pesquisa, e a própria grafia encontrada de maneira diferente em alguns documentos, bem como o correto nome de seu filho, Izídio ou Izidro, aumentando ainda mais a dificuldade nas pesquisas.
Para aumentar ainda a luta para se saber a verdade de tudo isto, no arquivo público capixaba, sobre a colonização Italiana no Brasil, as grafias, mas próximas do sobrenome MULEU e com origem 100% Italiana, foram encontrados apenas os sobrenomes MOLO e MOLON, vindos da região de Cosenza e Calábria na Itália, portanto, ficando a nossa pesquisa esbarrada nestas primeiras dúvidas de saber como realmente estava escrito.
Levantamentos mais demorados estão sendo feitos nos cartórios da região, com buscas de certidões de nascimento e de casamento entre os anos 1840 até 1886, data em que Izídio Paes nasceu para se apurar a verdadeira grafia do sobrenome do Italiano Francesco, se realmente é Muleu, Mulen, Molo ou Molon.
Aprofundando as pesquisas pela internet, conseguimos chegar aos únicos sobrenomes com a grafia “Muleu” através do site www.myheritage.com
Nome: Valentin Muleu – que chegou a Nova Iorque, USA - dados registrados na lista de passageiro de desembarque em Nova Iorque nos anos de 1820-1857 - Imigração & Emigração
Nome: Joseph Muleu, nascido em 1825, viveu em Québec no Canadá – Dados registrados no Censo & Listas de Eleitor de 1861 no Canadá.
Alguns de nossos familiares chegam a dizer que poderia ser Muller, mas o resultado desta grafia é de origem Alemã e não na Italiana, resumindo, o que ficou realmente apurado até agora, é que ele chegou ao Brasil, jovem já maduro, com mais de 30 anos, casou-se com uma brasileira, tive três filhos e teve pouco tempo de vida, pois o casal deixou os três filhos sob a responsabilidade do filho Izídio.
Conforme contam os mais antigos, Izídio Paes dizia que seus pais morreram quando ele era muito novo, tendo que trabalhar e cuidar de seus dois irmãos, ele tinha que fazer a comida a noite, para no outro dia levar o alimento dos três, colocava seus irmãos debaixo da sombra de uma árvore, para ele poder trabalhar e ao mesmo tempo olhar seus irmãos por perto.
Tudo isto fica confirmado, quando relatamos na parte da religiosidade que Izídio Paes não teve oportunidade de estudar, ele aprendeu a ler, estudando a Bíblia Sagrada depois que ele se converteu ao evangelho, frequentando a Escola Bíblica Dominical de sua Igreja.
A emigração foi estimulada, num período em que a Itália era formada por pequenos Estados independentes, alguns sob o domínio estrangeiro, por volta de em 1870, com o movimento pela unificação italiana da Antiguidade e da Renascença (Ressurgimento), quando o país passava por um período de derrotas na política, caos econômico (desemprego, inflação), ausência de lideranças legislativas, radicalismos.
Também facilitada com a concessão de auxílio em dinheiro para o financiamento de passagens de imigrantes para o Brasil, aprovada em 1871, após a Lei do Ventre Livre, por uma iniciativa de fazendeiros interessados na mão de obra para suas fazendas de café, em cujo contrato de trabalho todos, inclusive mulheres e crianças, deviam trabalhar, tornando as condições de vida enfrentadas pelos imigrantes que chegavam aos núcleos de colonização, ou colônias de povoamento, nada fáceis, pois os mesmos chegavam ao Brasil endividados e as dificuldades eram muitas.
O serviço braçal na época era conduzido com mãos de ferro, devido ao sistema da escravatura que estava terminando, mas os patrões ainda tratavam todos do mesmo modo
E diante destas muitas dificuldades, diante e de insucesso, alguns ficavam atolados em dívidas, e assim trocavam de região, trocavam até de nome para fugir da perseguição de seus fazendeiros e dos capatazes.
RELIGIOSIDADE E FÉ - ALFABETIZAÇÃO PELA BÍBLIA
Tendo que trabalhar desde cedo, depois da morte de seus pais, como irmão mais velho, teve que cuidar de seus irmãos Inácio e Cotinha, Izídio Paes só conseguiu aprender a ler depois de sua conversão ao evangelho, foi através da leitura das Escrituras Sagradas, prestando atenção nas Escolas Bíblicas Dominicais e nas mensagens que ele assistia dos Pastores e pregadores da palavra de Deus que ele começou a entender a leitura.
Izídio nunca estudou, ele nunca entrou numa sala da aula, nunca teve nenhuma orientação teológica, mas Deus o abençoou e acabou se tornando como um dos maiores teólogos, com muitos conhecimentos da Bíblia em toda a região, afirma sua filha Ganinha,
Seus filhos estudaram com Dona Carmita, que lecionava na fazenda do Vidal, próximo da parada de Trens, em ruínas, ainda existentes em Guarataia. Ana Maria conseguiu quebrar uma grande barreira para uma jovem do interior em sua época, que foi convencer o conservador Izídio Paes, para que ela saísse de casa para estudar em Campos, no internato do Colégio Batista Fluminense, onde ela conheceu o capixaba Adiel Louzada, que também era aluno interno do mesmo colégio, com quem ela se casou.
Formada como Iberista, no Instituto Batista de Educação Religiosa, se orgulha em afirmar que a maior parte que ela aprendeu em teologia, foi com um analfabeto das letras, mas o seu pai acabou se tornando um grande teólogo, e um grande psicólogo formado pela própria vivência de seu dia a dia.
Quando sua esposa brigava com um dos filhos e filhas, pois ela tinha um Gênio forte, e seus filhos também eram levados, ela falava até coisas que não devia na hora do nervosismo, então o velho chamava aquele filho, olha vamos lá para o porão ensacar milho, feijão ou arroz, enquanto aquele filho segurava o saco para ser costurado e ser mandado para o comércio, ele falava: olha a sua mãe falou desta maneira com você hoje, mas você não fica zangado com ela não, ela anda muito nervosa por causa da ferida que ele tem na perna, durante 14 anos, ferida esta que só melhorou depois de muitos anos quando ela fez uma operação nas varizes que tinha em suas pernas.
Olha meu filho ela está nervosa, mas é uma mulher crente, foi a mulher que me ajudou a criar vocês todos no evangelho, pois ele entendia a situação e sempre contornava os conflitos com um bom diálogo entre os filhos e tudo acabava bem, assim ele nunca deixava um filho ou uma filha ter uma diferença qualquer com a mãe, ele fazia de tudo para que as coisas se resolvessem com inteira harmonia dentro de casa, como bom crente e homem de Deus que ele era.
A CONVERSÃO
Izídio Paes, desde que se converteu ao evangelho, tornou-se um fiel seguidor da palavra de Deus e muito se preocupava de evangelizar toda sua família, a praticar e seguir a religiosidade por ele proferida, este fato é motivo de orgulho entre os descendentes deste clã familiar, porque toda sua geração até os dias de hoje, carregam o conhecimento da palavra de Deus por ele semeada há mais de 100 anos.
O primeiro crente na família foi Raul, casado com Bem, filha mais velha de Sebastião e Ana (Naná), infelizmente Raul morreu afastado do evangelho, por causa dos vícios e pela falta crescimento espiritual.
Ele saia de casa em casa para convidar as pessoas para irem ao culto realizado pelo missionário Salomão Gingsburg – (BIOGRAFIA - de Salomão Luiz Ginsburg (Polônia, 6 de agosto, 1867 - Brasil, 31 de março, 1927) foi um foi um ministro evangélico e um Missionário Batista no Brasil.
Judeu convertido ao cristianismo, saiu da sua terra natal para a Inglaterra, onde foi evangelizado.
Seu pai, um rabino ao saber da decisão do filho o deserdou.
Foi residir num lar para judeus convertidos, onde aprendeu o ofício da tipografia. Sentindo o chamado missionário preparou-se, inicialmente foi para Portugal, como missionário da Igreja Congregacional.
Teve que se retirar dali ao escrever um folheto polêmico, acusando a Igreja Católica Romana.
Chegou ao Brasil, onde conheceu o missionário Zacarias Clay Taylor, e convencendo-se que os Batistas realizam o Batismo Bíblico, batizou-se nessa denominação.
Foi nomeado pela Foreing Misson Board, ou Junta de Richmond, como é conhecida em 1891.
Casou-se em 1893 com Emma Morton Ginsburg, também missionária norte-americana, com quem teve seis filhos.
Viveu em Niterói, Campos, São Fidélis, Pernambuco e finalmente São Paulo. Em 1891, criou o Cantor Cristão, hinário das Igrejas Batistas no Brasil. Fundou o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e foi secretário da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira.
Em 1894 fundou o jornal As Boas Novas, foi preso em 9 de janeiro de 1894 na cidade de São Fidélis ao pregar o evangelho, mas depois de 10 dias foi solto. Nesta cidade atualmente existem mais de trinta igrejas batistas.
Em 8 de abril de 1902, em Maceió, traduziu o hino Uma barca naufragando, quem lhe valerá? que faz parte do Cantor Cristão.
Em 1905, Fundou a Igreja Batista do Cordeiro e depois a Igreja Batista Imperial.
Em 1912, chegando a Londres, vindo de Lisboa, reservou passagem para Nova Iorque. Algumas viagens foram suprimidas, restando a Ginsburg escolher entre viajar no Majestic, no dia 2 de abril ou Titanic no dia 10 de abril.
O desejo de embarcar no Titanic era grande, mas resolveu antecipar sua ida para Nova Iorque. Viajando num outro navio bem modesto, Ginsburg chegou a Nova Iorque em 15 de abril, um dia após aquele domingo trágico do naufrágio de Titanic.
Faleceu em 1927, deixando escrita a sua biografia num livro chamado “Um Judeu Errante no Brasil”, publicado pela JUERP em 1932, traduzido pelo pastor Manuel Avelino de Souza).
O missionário Salomão vinha a cavalo de São Fidélis até Guarataia e região para pregar o evangelho, na casa de Alfredo Duarte Pereira que era um dos primeiros crentes da região (pai de Naise Duarte, que mais tarde casou-se com o jovem Constantino Gomes que veio ainda jovem da baixada Campista, região da Praia do Açú).
E quando Raul chegava na casa de seu cunhado Izídio, se ele entrasse pela porta da sala, ele saia pela porta da cozinha, se ele chegasse pela cozinha, Izidio saia pela sala, só pra não ouvir a palavra de Deus, porque ele era rezador da localidade, conhecido na época como puxador de reza da Igreja Católica.
Que mesmo Izídio sendo analfabeto, ele tinha facilidade de gravar tudo que ouvia, não ouvir a palavra e o convite que o cunhado trazia, ele saia para não ouvir, pois pra ele crente era como se fosse uma semente malígna que atrapalhava as suas rezas.
Mas um belo dia acabou o querosene, Izidio havia se esquecido de comprar querosene, e como seus três filhos ainda eram pequenos, todos batizados na igreja católica, com padrinho e tudo mais, Mariana pediu pra ele ir na venda mais próxima para buscar querosene, e no caminho que ele tinha que passar estava sendo realizado um culto dos crentes.
Ele gostava muito de música, e ao passar onde o culto estava sendo realizado, ouviu o hino quando os crentes estavam cantando o Hino 295 do Cantor Cristão “Tudo entregarei”, e o espírito Santo começou a agir naquele coração endurecido, quando ele parou se encantou e parou para ouvir achando a música muito interessante, e naquele exato momento do refrão “Tudo entregarei, tudo entregarei, Sim por Ti Jesus Bendito, Tudo deixarei”.
Um galo daquela casa onde o culto estava sendo realizado, cantou no exato momento daquele refrão, e no seu consciente ele associou o cantarolar do galo com a letra da música, então ele parou para pensar e disse consigo mesmo: eu quero aprender esta música, se o galo aprendeu a cantar, eu também quero aprender esta música.
E sabemos que o Galo não estava cantando aquele hino, mas era o Espírito Santo do Senhor que estava agindo naquele coração endurecido.
E depois deste episódio, toda vez que ele ouvia um galo cantar, Izídio se lembrava do refrão da música que ele conseguiu gravar em sua mente, e passou a procurar saber aonde seria o próximo culto dos crentes, pois ele ia ao local, ficava escondido no escuro para que ninguém o visse para poder ouvir a mensagem do pregador e das músicas ali cultuadas.
Passou inclusive a dar atenção, parando para ouvir o pouco conhecimento que seu cunhado tinha para oferecer e aos poucos passou a participar dos cultos na região, convertendo-se ao evangelho.
Assim Izídio se converteu, sendo o primeiro crente da família depois de Raul, e juntamente com toda sua família que ele evangelizou, depois que abandonou a função de capelão que ele exercia na Igreja católica, e a partir de sua conversão todos os seus outros seus filhos também foram fiés seguidores da palavra de Deus.
E nas noites enluaradas, ele reunia os filhos a sua volta, todos assentados na pedra onde ele havia
construído sua casa e contava aos filhos: Olha meus filhos, eu era puxador de reza, eu rezava rainha santaruana, ora pro nóbilis, e todas as rezas eu decorava em latim, que era a linguagem usada pela Igreja Católica, mais eu não sabia nem o que significava aquelas palavras, depois eu aprendi e sabem o que significam estas palavras em Latim, “rainha santaruana” – Rainha Santíssima, ora pro nóbilis, “Orai por nós”
Ele foi batizado na Igreja Batista nas águas do valão em Murundu, por ordem da Primeira Igreja Batista de Campos, Igreja mãe da frente missionária criada em Murundu, por volta de 1916 pelo missionário Salomão Ginsburg.
No dia 7 de setembro de 1918, a congregação localizada entre Chave de Paraíso e Murundu, na propriedade do Sr. Inhonhô Cruz, foi transformada em Igreja Batista em Murundu, com um total de 55 membros, conforme consta no BLOG da Igreja estando presentes no concílio de Organização os pastores informados no BLOG da Igreja.
Mesmo sendo totalmente analfabeto, Izídio Paes aprendeu a ler, decorando as palavras e os textos da Bíblia Sagrada, ele ainda morando na concha, saia para pregar lá na região de colônia e água comprida, na casa de seus primos e tios Benedito Paes, Antonio Paes, Amaro Paes, e quase todo os dias ele era convidado para pregar na casa dos parentes, dos amigos e conhecidos de toda região, e acabou se tornando um verdadeiro missionário, evangelizando não só a sua família, mas toda a região.
Quando saía para pregar, fazia questão que todos os seus filhos o acompanhasse nos cultos. Depois que ele construiu a casa na Pedra, quando os filhos todos ainda eram solteiros, exceto Júlia, a mais velha que havia se casado com Irineu Benvindo, que nunca foi aquele crente que gostava muito de ir à Igreja, mas era um crente exemplar, quando os filhos deles chegavam a casa vindos da Igreja com a mãe, e eram muito levados, quando um deles falava uma palavra feia ou mesmo se brigassem, de imediato ele falava, foi essa coisa feia que vocês foram aprender lá na Igreja? eu não creio que foi isso que vocês aprenderam na casa de Deus não.
Depois que se casou, Felipe foi aos poucos seguindo os passos do pai, evangelizando a sua família e amigos.
A congregação de Guarataia, que na época era chamada de congregação da Concha, começou na casa de Felipe que foi um dos pioneiros na construção de toda base até hoje existente em Guarataia, e sua casa se transformou no primeiro ponto de pregação fixo até que fosse feita a construção onde existe a atual Igreja.
O terreno para construção da Igreja, foi doado por Izídio, a base da construção foi feita com pedras que Felipe buscava em seu carro de bois.
Ele ia com suas filhas mais velhas, que o ajudavam a catar as pedras menores na região da concha na propriedade de Teco Simão e em outros lugares que tivesse pedra para ser usada na construção do alicerce da antiga congregação, que depois de encherem o carro, vinham até o local descarregar, e deram muitas viagens até concluir a base onde até hoje existe a Igreja.
Além do terreno, Izídio doou o cimento e a mão de obra de um pedreiro, mas Felipe além de carregar as pedras, era quem liderava, não só na realização da obra, ele organizava campanhas eajudava nos mutirões da família durante toda a construção da Igreja, no ano de 1934
Izídio foi um grande evangelizador de toda e região, seus dois irmãos, Inácio e Cotinha, não eram seguidores do evangelho, apenas Inácio chegou e ser batizado, mesmo sendo profundos conhecedores da palavra, pois ele não se cansava de pregar também para seus irmãos e familiares, nunca desistindo de pregar o evangelho na casa de seus irmãos, e aquela semente plantada naqueles lares, hoje vem brotando com a conversão de Almeidinha filho de cotinha e seus familiares, também através de Orionel filho de Inácio que mesmo morando mais distante, quando esteve no Paraná, no Paraguai e atualmente mora com seus oito filhos em Apiacás, no Mato Grosso, também é um servo do Senhor.
Em todos os locais que fosse pregar, Izídio falava aos seus filhos, hoje eu vou pregar sobre tal texto na Bíblia, eu quero que vocês preparem os hinos sobre o tema escolhido, ele fazia questão de participação do coro da família, cantando os hinos preparados sobre o tema na pregação que ele fazia, o coro da família como era conhecido, era formado pelos seus filhos: Elias cantando Baixo, Felipe cantando tenor, Gemima (Jamila), cantando soprano e Ana Maria (Ganinha) cantando contralto, esta formação foi a primeira formação entre os filhos mais velhos, e aos poucos os outros mais novos foram assumindo os espaços quando os mais velhos se casavam e mudavam da região.
Esta tradição de cantores na congregação de Guarataia, foi mantida na família, Creusa filha de Elias era uma das líderes do coral de Guarataia, juntamente com seus irmãos e primos durante sua passagem por lá, também marcou época a parte musical, o coral de Guarataia sob a regência do Pastor Cássio Pessanha, seguido por Manoel Ferreira, que era casado com Cirene, filha do sr. José Gomes.
Conforme foi relatado por Doralice durante o encontro, Manoel Ferreira formou três corais na Igreja, um dos adultos, outro dos jovens e o coro infantil, e relembrou com saudosismo o maestro exigente que ele era, os componentes tinham que decorar a letra das músicas e o timbre de voz, tudo muito bem ensaiado para que no dia da apresentação, fosse feito o melhor.
E todos os participantes tinham que seguir a risca as orientações do maestro, quando chegavam em casa depois da escola ou do trabalho, seus filhos ficavam cantando, ensaiando entre eles a parte de sua incumbência, lembrou ela.
Assim a família foi crescendo, e quando o evangelizador Izidio Paes já estava velho e não podia mais sair para pregar o evangelho, os seus filhos e descendentes foram assumindo a tarefa.
Ninguém podia imaginar que a melodia daquele hino, cujas letras aos poucos foram sendo gravada no consciente daquele incrédulo até certo ponto, porque não tinha conhecimento da palavra de Deus, e num determinado dia ainda de madrugada, quando o galo cantou, fez com que ele lembrasse do hino que ele havia memorizado, ele achou grande semelhança com a melodia do hino que ele gostava, num outro dia quando ele foi à venda comprar fumo de rolo para consumo próprio, novamente ele ouviu o galo cantar por onde ele passava, ele tornou a se lembrar da música dos crentes “Tudo entregarei, tudo entregarei, Sim por Ti Jesus Bendito, Tudo deixarei” e assim passou a ficar impressionado com a semelhança do cantarolar do galo, que sempre fazia ele se lembrar do hino dos crentes, conforme ele descrevia em seu testemunho, no momento da conversão.
E aquele ex-capelão do padre que detestava os crentes, que ficava escondido quando um crente chegava a sua casa, se transformou num dos maiores seguidores e pregadores da palavra de Deus, em sua vida veio a prosperidade e bênçãos cada vez maiores, tantas que ele teve o privilégio de ver toda sua família no evangelho, além dos filhos, as noras também foram evangelizadas, inclusive a última agregada da família, Maria da Penha, quando se casou com o caçula Paulo (Juvenil), era católica praticante com toda sua família, que moravam na região de Santo Amaro de Campos, sendo até os dias de hoje, a única descendente direta da sua família a se converter ao evangelho.
Ela muito católica, depois que se casou, tinha uma boa convivência com os crentes, pois toda família de seu sogro eram seguidores da Igreja Batista, e junto com seu marido ela frequentava os cultos realizados na Congregação Batista de Guarataia e na Igreja em Murundu, e durante uma série de conferências realizada pelo pregador Sr. José Áreas (oficial da estrada de ferro e morador na praia de Guaxindiba), que na hora do apelo durante o cântico do hino 259 do CC “Ao findar o labor desta vida... meu amigo hoje tu tens a escolha, vida ou morte qual vais aceitar, amanhã pode ser muito tarde...”, e foi com este cântico que ela aceitou Jesus como seu salvador, se tornando uma fiel seguidora da Igreja Batista até os dias de hoje com todos os seus familiares.
A religiosidade daquela época na região era fortalecida, a Família Paes seguia as doutrinas da Igreja Batista, a Família Tavares era seguidora da doutrina Presbiteriana, cuja congregação na localidade, fora construída por Cândida (Nêni), que se converteu através das mensagens de um Pastor Presbiteriano que visitou sua casa, formando ali um ponto de pregação, ambas as famílias construíram uma congregação de sua religião na localidade, já a família Almeida do outro lado da estrada de ferro, era devota de São Sebastião, e construíram uma Capela da Igreja católica, seguindo cada clã tinha osseus credos.
Após sua decisão e dedicação ao evangelho na pregação da palavra de Deus, a maioria de toda sua descendência de Izídio Paes, se tornou seguidora do evangelho, de onde saíram muitos cantores, músicos, pastores, Missionários e que ao longo do crescimento de toda geração vem se apresentando em corais, conjuntos e liderança musicais, nas igrejas onde congregam, além de evangelistas pregadores e alguns pastores que fazem parte desta numerosa família.
Outra aplicabilidade do segmento evangélico do casal Izídio e Mariana, está na escolha de nomes Bíblicos para a maioria de seus filhos, Felipe, Elias, Ester, José, Ana Maria(Ganinha), Gemima, Paulo(Juvenil), estando de fora desta escolha apenas as filhas Júlia, e Faride, sendo esta devoção seguida pela maioria de seus filhos, e netos que ainda colocam nos descendentes, nomes escolhidos na Bíblia Sagrada.
Outra marca alcançada com o ensino religioso aplicado por Izídio Paes, está fundamentado no casamento de seus filhos, todos buscaram sua cara-metade entre seguidores do evangelho, na doutrina Batista ou Presbiteriana que existia na localidade, alguns cônjuges de família não evangélica, como é o caso da esposa de Paulo(Juvenil) que se casou com Maria da Penha, que teve sua criação doutrinada aos pés de Santo Amaro, santo protetor da região em que fora criada, mas com a graça de Deus, o testemunho de seu esposo, do sogro e de seus familiares, todos convivendo aos pés do Senhor Jesus, não foi tão difícil ela se converter ao evangelho, sem do uma fiel seguidora da doutrina Batista, até os dias de hoje, conforme já foi citado, podendo se orgulhar de ver toda sua família seguidora do evangelho, filhos, netos e bisnetos.
Atualmente a maioria dos descendentes do casal Izídio e Mariana são seguidores da Igreja Batista, e de muitas outras doutrinas evangélicas cristãs, todos frutos da semente bíblica que o patriarca da família cultivou e viveu até os seus últimos dias disseminando o conhecimento da palavra de Deus na formação de nossa grande família, têm gerado nos dias de hoje a formação de muitos pregadores, pastores, missionários e evangelistas entre os seus descendentes diretos, além dos agregados que se casaram na família, entre eles podemos destacar o primeiro a entrar na família, o Pastor Adiel Louzada, casado com Ganinha, também o Pastor e missionário Paulo Roberto que se casou com a missionaria Elizete filha de Juvenil, o Pastor Paulo Roberto casado com Naise, filha de Jocília (Mocinha), o Pastor Zorobabel, casado com Audiléia, filha de José Paes, o Pastor Manoel Messias que se casou com Ester filha de Juraci, filha de Jocília (Mocinha) de Júlia também o neto Carlos Henrique que já pastoreia uma Igreja da Assembleia de Deus em Piúma-ES outros que ainda estão se preparando.
Temos também alguns netos que estão se preparando como é o caso do bisneto Mateus, filho de Gemima, neto de José Paes, também e o bisneto Miguel Vinícius, filho de Mirian, neto de Gemima que pastoreia uma Igreja em Duque de Caxias-RJ, entre eles muitos outros descendentes estão se preparando fazendo seminário para se dedicarem à causa do Senhor, semente este que foi plantada a mais de 100 anos.
Algumas informações a serem concluídas, indicam atualmente sobre a preparação de vários outros descendentes diretos se preparando para o Ministério da pregação da palavra de Deus.
Faride lembra de sua tristeza em uma determinada época ao ver que a Igreja que seu pai e seus irmãos construíram quase acabou fechando as portas, mas ela insistiu com seus filhos, e quando chegava as quarta-feiras ela dizia: vamos crianças pra Igreja, eles diziam, a mamãe quando chegar lá só vai ter a gente e Manoelzinho Benvindo, ela respondia, mas a luz ainda tá acesa e esta luz nunca vai se apagar.
Muitas vezes para conseguir ir até a Igreja, era necessário ir com uma lamparina acesa durante no
![]() |
| Homenagens feita no prrimeiro encontro |
caminho de pouco mais de cem metros, para evitar que as crianças caíssem em algum buraco nas noites mais escuras, e quando chegavam, logo acendiam o lampião a gás porque não existia energia elétrica. E com este esforço dela, de seus filhos, de Manoelzinho e poucos outros membros, a luz do evangelho continua acesa até os dias de hoje.
Mas de uma coisa ela tinha certeza, que mesmo se a Igreja fechasse as portas por que os moradores de Guarataia estavam se mudando para outros lugares, a semente plantada por seu tio Raul, seu pai e muitos dos que já se foram, jamais morrerá, tem perpetuado em nossas gerações, se orgulha de hoje ver seus filhos, pregando, cantando, também seus sobrinhos e toda descendência empenhada em anunciar e testemunhar a palavra de Deus.
Hoje vemos o evangelho crescendo no seio de nossa família, a partir da semente plantada por Raul que morreu afastado do evangelho por causa do vício com cigarro, semente esta seguida por Izídio, por Felipe por Neni e muitos outros dos nossos que já se foram, semente esta dando muitos frutos com muitos outros talentos que o Senhor tem levantado no seio de nossa família.
Izídio Paes foi um homem comum como muitos outros de sua época, sujeito a falhas e imperfeições como todos nós somos, mas foi um homem temente a Deus que nunca fugiu da responsabilidade que o Senhor lhe dera de semeador da palavra, o saudoso Pastor Cássio Pessanha dizia na Igreja em Murundu, “hoje vou visitar o patriarca de Guarataia” era como ele chamava o homem que viveu testemunhando o evangelho pleno, cuja semente que ele plantou até os dias de hoje vem dando frutos magníficos no seio familiar, florescendo a cada dia que se passa com bons e agradáveis frutos para o Senhor.
A IGREJA EM MURUNDU
A Igreja Batista na localidade de Murundu, foi organizada no dia 07/09/1918, pela Primeira Igreja Batista de Campos, época em que ainda se escrevia “Egreja”
Foi nesta Igreja que a maioria das pessoas que moravam em Guarataia, professavam sua fé e foram batizadas e na mesma congregavam dominicalmente, e foi no dia___/___1945 que esta Igreja autorizou o grupo de membros residentes em Guarataia e Região, a se organizarem em Congregação por longos 65 anos, depois em 1984, foi transformada em Igreja.
época o único meio de transporte regular era o trem de ferro, e as famílias tinham que ir de trem na parte da manhã, participarem dos cultos dominicais e a noite tinham que voltar a pé, ou então irem montados em cavalos, ou em carros de bois, que era o meio de transporte mais utilizado nas imediações de Guarataia, Concha e Colônia.
Na década de 60 as família moradoras em Guarataia eram conduzidas até a Igreja em Murundu, pelo caminhão de Izídio Paes, cujo motorista era seu filho Elias. Um certo dia quando o caminhão cheio de gente foi atravessar a linha de trens, o motor do caminhão parou, exatamente em cima da linha de trens, tendo atravessado apenas a frente do caminhão, e o caminhão daquele modelo acionado por manivela, quando o motorista tinha que pedir auxílio pra alguém girar a manivela que ficava no para choque dianteiro, até que o motor voltasse a funcionar.
No momento em que o caminhão parou de funcionar,.o desespero foi geral entre as pessoas que estavam nos bancos em cima da carroceria, e quem mais queria saltar primeiro para o chão, com medo de algum trem estar circulando naquele horário.
Este foi apenas um dos relatos em que o caminhão que transportava as pessoas para a Igreja, deixou seus passageiros em pânico.
CONGREGAÇÃO BATISTA EM GUARATAIA
Depois de encherem o carro de bois, carrearam até o local e descarregaram as pedras, areias, madeira e outros materiais usados para erguer a congregação, por volta de 1951, relatou sua filha Gelça, que com apenas 5 anos de idade, também participou da tarefa de catar as pedras para construção da Igreja.
Além do terreno, Izídio doou o cimento e a mão de obra de um pedreiro que trabalhou na construção,seu filho Felipe além de carregar as pedras, era quem liderava e ajudava nos mutirões da família na construção da Igreja, por volta de 1951.
Na casa de Neni, eram realizados reuniões, com a visita de um pregador da Igreja Presbiteriana quando ela se converteu e foi batizada, quando mais tarde foi construída a congregação Presbiteriana que funcionava em frente da casa do Zé Gomes, extinta a alguns anos, porém deixou um bom grupo de seguidores da doutrina entre as famílias na região.
A então Congregação da Igreja Batista de Murundu em Guarataia, foi organizada em Igreja Batista Batista Memorial em Guarataia no dia 23/06/1984, quando o então Seminarista Vivaldo Cândido Moreira, que lutou e se empenhou para que isto acontecesse, Vivaldo assumiu mais tarde depois de ter sido consagrado no dia 01/03/86, o pastor oficial da citada Igreja, por ser o Pastor titular da Igreja Mãe(Murundu), foi o Pastor Eugênio foi quem presidiu a cerimônia de organização, e foi ele quem assumiu o pastorado como titular da Igreja desde o início (1984), período este em que o então seminarista Vivaldo era o Vice-moderador, e no dia 01/03/86 o mesmo fora ordenado ao Santo Ministério, assumindo o pastorado a partir da citada data.
Não podemos deixar de registrar que o seminarista Vivaldo, é que foi um dos responsáveis por transformar a congregação em Igreja, onde muitos o confundem como o primeiro Pastor da Igreja, até pelo fato de que o mesmo residia na localidade, estando presente no dia a dia da Igreja naquele período na comunidade, mesmo antes da organização, tendo ele assumido o pastorado desde que fora ordenado 01/03/86 até o dia 03/08/86, data em que o apresentou carta de renúncia, tendo o Pr. Eugênio reassumido a Igreja até o dia __/__/1974 .
O Nome Memorial foi colocado em memória a Izídio Paes, um dos fundadores da congregação, e foi ele que muito lutou e se empenhou para a existência da mesma, doando o terreno onde a Igreja existe até os dias de hoje e foi um dos principais colaboradores da primeira fase da construção, que só foi ampliada alguns anos depois de ter sido organizada como Igreja.
O então seminarista Vivaldo Cândido Moreira, queria colocar o nome de Igreja Batista em Guarataia, mas a irmã Creuza Paes, neta de Izídio, se empenhou em colocar a palavra “Memorial”, motivo de muita luta na indicação dela contra a do Seminarista, ela brigou e se empenhou de ir à casa da maioria dos membros, de explicar detalhadamente a importância que teve o empenho de seu avô como um dos patriarcas do evangelho na região, como dizia o Pastor Cássio, ele anunciava na Igreja em Murundu, “esta semana eu vou na casa do Patriarca de Guarataia”.
Todo empenho de Creuza serviu para não deixar apagar da memória e os ideais de seu avô, que foi um dos principais divulgadores da Doutrina Batista e da Palavra de Deus na região.
A importância das famílias Tavares e Paes sempre foi predominante na propagação do evangelho na região de Guarataia, Concha e Colônia.
Desde que foi construída a congregação por volta de 1945, o lugarejo chamado Guarataia passou a te
![]() |
| Pessoal do Encontro, visitando a Igreja |
r uma referência central, um ponto de encontro fixo na região até os dias de hoje, onde são realizados os casamentos e os funerais, da maioria das pessoas da localidade, em alguns casos, até de não crentes.
Enquanto que no passado era diferente, as famílias tinham o costume de realizarem os casamentos e os funerais nas próprias residências em suas propriedades onde residiam os proprietários.
Para manter a tradição de manter a família por perto, a maioria dos filhos ao se casarem, seus pais tinham o prazer de construir uma casa para o filho na mesma propriedade, somente no final dos anos 60 é que o êxodo rural foi mais intensificado na região, quando muitos dos moradores desta localidade começaram a buscar outras regiões, como os grandes centros para morar.
Uma boa parte foi para a região do Grande Rio, mas precisamente Duque de Caxias e Niterói, outros foram morar no estado do Paraná, por onde ainda vivem uma boa parte de descendentes de familiares da região que permanecem nestas regiões.
Recentemente uma profunda pesquisa foi realizada nos livros de atas da Igreja em Guarataia, e merecem destaques algumas curiosidades:
em 1951 - Felipe Paes iniciou a construção da Congregação;
23/06/84 – Data de organização da Igreja;
05/08/84 – O sem. Vivaldo foi indicado para ordenação ao Ministério;
07/10/84 – A irmã Creuza Paes indica a instalação de Luz Elétrica;
01/06/86 – Ordenação do Sem. Vivaldo;
03/02/85 – Foi indicada a consagração do seminarista. Vivaldo para 05/07/85;05/05/85 – Foi dada profissão de Fé da irmã Vanda Tavares;
- Primeiro Aniversário da Igreja, conferencista o Pr. Adiel Louzada;
16/06/84 – adiada a ordenação de Vivaldo;
21/06/85 – Ataíde e Gemima (Jamila) vieram fazer parte da Igreja;
Congregação Batista em Guarataia;
01/09/85 – A Igreja indicou Vanda ao Seminário em Italva;
06/10/85 – Criado o 1º Ponto de Pregação em Paraíso, na casa da irmã Cirene, sendo aos terceiros sábados de cada mês;
04/01/86 – Foi transferida a data de Consagração do Sem. Vivaldo;
05/01/86 – Mirian filha de Jamila foi transferida para a Igreja;
01/02/86 – Creuza Paes foi desligada por falecimento;
01/03/86 – Dia da Consagração do Pr. Vivaldo Cândido Moreira;
02/03/86 – Foi votado se requerer a instalação de Luz Elétrica;
05/04/86 – Dia de posse do Pastor Vivaldo
06/07/86 – Indicado Pr. Adiel como Pr interino pelo pedido de demissão do Pr Vivaldo
03/08/86 – Foi votado convite Ir. Zorobabel para evangelista, e desfeito o convite do Pr. Adiel por causa da distância (Muriaé) e convidado o Pr. Eugênio como auxiliar, e o mesmo orientou que o Pr. Vivaldo tire umas férias;
02/11/86 – Foi indicado que a Igreja ceda ao Pr Vivaldo, carta de conduta moral e foi aceito o seu pedido de exoneração do cargo, assumindo o Pr. Eugênio como titular;
07/12/86 – Foi indicado que os evangelistas Zorobabel e Vanda fiquem responsáveis pelos cultos na localidade de Chave do Paraíso;
05/07/87 – Pr. Vivaldo, foi convidado para orador no Aniversário da Igreja;
30/08/87 – Ir. Estevão faz a doação de uma Guitarra, e iniciada campanha para compra de uma caixa de som, sob a resp. Ir. Carlos Henrique;
24/04/88 – Sr. Ernane Tavares autoriza puxar energia de seu transformador;
26/06/88 – A igreja indicou Ir. Zorobabel ao Seminário em Italva;
25/09/88 – Aprovado pedido de reconciliação de Irineu Benvindo;
23/10/88 – Autorizado alugar imóvel em Paraíso, antiga Pilação de Arroz;
23/04/89 – Criado oficialmente Congregação de pregação em Chave do Paraíso, funcionando todos os domingos;
28/11/89 – Recebida a Carta do Irmão Ionildo Marins e esposa de Palestina;
22/07/89 – Autorizada compra de um terreno em Chave do Paraíso;
02/06/91 – Autorizada carta de transferência dos irmãos Zorobabel e Audiléia para Conselheiro Josino;
26/04/92 – Criada comissão para ordenação de Zorobabel;
23/04/92 - Autorizada carta de transferência dos irmãos Zorobabel e Audiléia para Segunda Igreja Batista em Guaxindiba;
08/02/93 – Aprovado carta do Pr Vivaldo e família como membros;
23/05/93 – Data de profissão de fé do Ir. Lucas Paes com 9 anos;
27/03/94 – Aut. remuneração da evangelista Vanda no campo;
17/04/94 – Foi aceito o grupo de irmãos vindos da PIB São Joaquim, sob a liderança do Pr Jovelino Luiz Coelho e autorizado a se reunirem em congregação naquela localidade;
03/07/94 – Autorizada caravana da Igreja para a formatura da irmã Vanda em Italva e autorizada a organização da Igreja Batista Central em São Joaquim, que se reuniam em congregação;
27/04/94 – Autorizada a transferência do grupo de irmãos em São Joaquim, para se organizarem em Igreja;
04/12/94 – Aprovado intercâmbio com irmãos em Barra do Itabapoana;
11/12/94 – Aprovado como membros um grupo de 85 membros liderados pelo Pr. Nargino Marvila dos Santos, e autorizados a se organizarem como Igreja Batista Central em Barra do Itabapoana;
20/06/94 – aprovado o Concílio de ordenação da Irmã Margarida Pereira, sendo que a oração consagratória foi pelo Irmão Felipe Tavares Paes;
Hoje vemos o evangelho crescendo no seio de nossa família, a partir da semente plantada por Raul, seguida por Izídio, por Felipe por Neni e muitos outros de nossos que já se foram, semente esta que vem ao longo dos tempos dando muitos frutos com muitos outros talentos que o Senhor tem levantado no seio de nossa família, tanto na palavra como na música.
Izídio Paes foi um homem comum como muitos outros de sua época, sujeito a falhas e imperfeições como todos nós somos, mas foi um homem temente a Deus que nunca fugiu da responsabilidade que o Senhor lhe dera de semeador da palavra, vivendo e testemunhando o evangelho pleno, cuja semente que ele plantou até os dias de hoje vem dando frutos magníficos no seio familiar, florescendo a cada dia que se passa com bons e agradáveis frutos para o Senhor.
RECORDAR É VIVER COM CARRO E BOIS EM GUARATAIA
Como esperado depois de
uma semana chuvosa, nosso encontro neste domingo 14/11/2021 foi abençoado por
Deus com um lindo dia ensolarado. Recepcionados com um delicioso almoço
preparado pela Igreja, contamos com a presença de alguns familiares de tio
Filipe, sua filha Gelça que aos 5 anos de idade com suas irmãs, ajudou seu
saudoso pai em 1951, catando pedras em um carro de bois para iniciar a
construção da Igreja. Hoje, ela com seu esposo, o filho Valbinho e sua nora
Zezé, representaram a família em um ato simbólico e de agradecimento ao Senhor,
junto com outros parentes e amigos, repetindo o feito de catar pedras, para dar
início as obras de construção de novas dependências da Igreja. Agradecemos a
Deus pelo empenho de Adenildo que mantém um terno de bois e um pequeno carro,
que mesmo não sendo muito usado nos dias de hoje, ele faz questão de passar
como legado, a cultura do passado, como exemplo de trabalho para seus netos
Breno e Lucas, que ainda pequenos, estão aprendendo a lidar com o gado. A
caminhada foi curta porque o pneu estava furado, mas valeu a pena.
Neste ato simbólico na
frente da Igreja, fizemos um culto de agradecimento ao Senhor nosso Deus,
dirigido pelo irmão André e uma breve mensagem do Pastor Paulo Roberto Macedo,
dirigida as 22 que se fizeram presentes.

O PRIMEIRO ENCONTRO DE FAMÍLIA
Durante a realização do primeiro encontro, que era um sonho de muitos dos nossos ainda como também alguns que já se foram (Elias, Felipe, Creuza e outros) Mas as sábias palavras de Vanda durante a abertura do primeiro encontro, fez menção a estes comentando ainda que desde de criança ouvia alguém falar do desejo de se realizar o encontro da família, também ouviu de Gelça, Ester, Edalma e muitos comentarem sobre este sonho de um dia reunir toda família, quando todos juntos relembrar do passado, planejar o futuro para resgatar nossas origens, tudo isso para Glória do Senhor, porque foi ele quem permite todas estas coisas acontecerem em nossas vidas, quando ele nos usa como instrumentos em suas mãos, pois é Ele quem nos conduz no tempo certo, e nos traz felicidade porque isto é algo de Deus, estava no coração do Senhor, nos direcionando, tornando o sonho deste encontro numa realidade.
È muito comum e a gente acaba reclamando de só estarmos nos encontrando nos momentos fúnebres, mas desta vez estamos reunidos para nos confraternizarmos, também Louvar e engrandecer o nome de Jesus, e podermos ver o milagre de Deus realizando grandiosas obras em nossas vidas, e assim podemos crer ainda mais que a promessa que Ele fez aos nossos antepassados, quando eles não tiveram a oportunidade de presenciar, o Senhor está realizando durante os dias deste encontro em nossas vidas, e isso é motivo de muita alegria para todos nós, ao saber e reconhecer que as promessas feitas no passado está se cumprindo em nossos dias, assim nós estamos fazendo parte desta história, vendo todas estas maravilhas que o Senhor tem feito, mas Ele tem muito mais para fazer um nossas vidas.
Assim que cada um de nós possamos sentir no coração o desejo de viver mais e mais perto do Senhor, e saber também que através de nossa geração, o Senhor esteja realizando grande obra de salvação no coração daqueles que estão precisando aceitar o Senhor Jesus como seu salvador.
Muitos dos preletores fizerem menção a este fato notório: Zorobabel disse que tem orgulho de ser um pregador do evangelho, e que uma das boas coisas que aconteceu em sua vida, foi de ter chegado e conhecido um lugar chamado Guarataia.
Comentou ainda que ficou muito preocupado quando alguém lhe dissera que ali existia uma tribo, era pra tomar muito cuidado, disse ainda que se sente muito feliz porque não encontrou uma tribo, encontrou um povo de Deus, onde ele pode aprender muito com povo do lugar, onde teve o privilégio de iniciar sua carreira como pregador do evangelho, tribo esta que lhe deu uma esposa e uma família maravilhosa. Lugar este que aprender a amar, junto com toda gente com toda igreja.
Pastor Adiel relatou que poucas são as famílias que se propõe a realizar um culto a Deus, trazendo todos os seus para cantar, louvar e orar a Deus, demonstrando aos amigos e vizinhos que são povo e filhos de Deus, dizendo ainda que esta é uma grande família, se todos estivessem aqui, esta casa não comportaria todos para louvar e engrandecer o nome de Jesus.
Doralice relatou sobre os corais de 50 anos atrás, Pr Cássio Pessanha foi um dos grandes regentes na sua época, depois veio o irmão Manoel Ferreira, que foi casado com Cirene filha de José Gomes, foi responsável pelo coral de adultos e das crianças de 12 e 13 anos também, lembrou de sua alegria ao ouvir seus filhos em casa, cantando e ensaiando os hinos por aprendidos na Igreja, as meninas faziam o soprano e o contralto, enquanto que os meninos faziam o tenor e o baixo.
Comentou ainda que depois foi a vez de Creuza filha de Elias que foi uma regente especial, ela regia o coro formado por jovens e adultos, ela e seus irmãos faziam parte com outros parentes e primos, formando um coro muito bonito, tocava acordeon e violão, hoje ela está na glória, deixou sua marca registrada com muita competência e dedicação na Igreja Batista em Guarataia.
Débora de Mocinha, falou de muitas recordações de sua infância em Guarataia. Seu esposo César lembrou dos bons momentos de convivência que teve no período quando namorava Débora e vinham para Guarataia nos períodos de férias, lembra ainda que Guarataia foi a primeira região de roça que ele conheceu,.
Lembra com saudade do futebol que ele fazia parte junto com Isaque e muitos outros amigos conquistados em Guarataia naquela época que não lembra seus nomes.
Débora fala da imensa alegria de estar entre os amados irmãos, amigos e parentes e da saudade do lugar, recorda que a última vez que teve em Guarataia, foi num momento de dor, no velório de seu Pai Véio, seu saudoso e querido avô Irineu Benvindo.
Lamenta a tristeza e a dor muscular de seu coração ao lembrar de sua querida mãe que havia falecido há pouco menos de 15 dias antes do encontro, falou inclusive, da dificuldade que tava tendo até de falar pela dor da perda de sua mãe, mas a alegria de estar fazendo parte no encontro, ao rever tantos os amados que há muito tempo, há uns quarenta anos não se encontravam, da alegria de reencontrar seus tios e amigos presentes, e nestas ocasiões em alguns momentos, a gente até se esquece do sofrimento e tristeza pela dor da perda de alguém, tanto ela quanto seu pai e seus irmãos sentiram muito a falta de Jocília, mas a certeza de que ela está no céu é o conforto, e se estivesse presente estaria muito feliz ao rever todos os seus amados.
Lembrou com muito saudosismo e descontração da campainha do tio Felipe, quando muitos recordaram da campainha que existia na congregação de Guarataia, quando tio Felipe não hesitava de tocá-la quando alguém fizesse barulho nos cultos, lembrou ainda da talha de barro que ficava na parte de trás da Igreja, e do barulhinho que a caneca de alumínio fazia quando a água estava chegando ao final.
Não só Débora, mas Vanda, Edalma, Marilene, Dalva, Gelça, Pr.Henrique todos lembraram com saudade de histórias e de pessoas do passado.
Pr.Lindberg ficou encantado ao poder conhecer toda sua parentela, ele veio do estado de Mato Grosso onde vive atualmente como empresário e Pastor, se deslumbrando com toda parentela cristã, comprometida em manter viva a semente um dia plantada na localidade de Guarataia e até hoje dando frutos.
Ainda fazendo menção ao encontro da família, Enelza na véspera do pré encontro em Vila Nova, durante o aniversário de sua mãe, fez o seguinte comentário: olha Paulinho eu quero me desculpar com voce e o Gabriel por uma injustiça que eu cometi, sabe a primeira vez que vocês dois tiveram em minha casa, a pouco mais de um ano, pesquisando dados antigos e procurando fotos de minha avó e de outros que já se foram, quando vocês saíram, eu comentei com alguém aqui de casa, que vocês dois andando a pé, de sandálias havainas, sem dinheiro, fazendo caminhadas de bicicletas até Guarataia e Paraíso,nunca vocês chegariam a concluir seus objetivos na realização do encontro da família, eram apenas mais dois sonhadores, mas hoje Paulinho e Gabriel que eu nem conhecia, eu preciso me desculpar com vocês, quero me render e parabenizá-los pela persistência e determinação que vocês dois tiveram, e de não terem desistido jamais diante dos comentários, das caras feias e das portas fechadas que vocês tiveram que abrir, peço a Deus que abençoe e continue iluminando vocês, e dizer ainda da lição que vocês dois trouxeram pra todos nós, estamos na véspera do encontro, tia Eliza já telefonou de Campos avisando que já está chegando, e o sonho de vocês contagia todos nós em nos empenhar na realização deste encontro, cada um fazendo um pouquinho, muito obrigado mesmo e me desculpe por não ter acreditado em vocês.
ACIDENTE COM CAMINHÃO DE ZÉ PAES
Uma quase tragédia aconteceu na família, quando José que estava aprendendo a dirigir o seu caminhão FARGO 1958, retornava de um culto de aniversário de Igreja Batista em Vila Nova, e em seu caminhão estavam mais de 20 pessoas.
No trecho em frente a estação de trens em Guarataia, o trem das 21 horas, chamado de Cacique trafegava no sentido Cachoeiro do Itapemirim para o Rio de Janeiro, e José dirigia seu caminhão no sentido Vila Nova para Guarataia, e neste trecho em determinado momento o Trem que vem no sentido contrário, próximo da estação de Guarataia, fica no mesmo alinhamento com os carros na estrada de rodagem, estando os faróis alinhados um ao outro e como o trem tem seu trajeto alinhado pelos trilhos, nos veículos o motorista tem sua visão ofuscada com a intensidade da luz incidente do trem.
José ainda um pouco inexperiente, se assustou com a alta luminosidade dos faróis do trem, saiu da estrada para a direita, subiu no barranco, desgovernado a direção do veículo.
Seu irmão Elias que estava lhe ensinando a dirigir, estava sendo acomodado do lado de fora, pendurado na porta do motorista para orientar o condutor José para concluir o aprendizado para saber dirigir, e na posição em que ele estava, de imediato ajudou seu irmão José a virar o volante do carro no sentido contrário, causando assim o tombamento do caminhão com todas aquelas pessoas em cima da carroceria.
Por ser um caminhão preparado para transportar cana de açúcar, a carroceria tinha apenas os fueiros parafusados no assoalho da carroceria, o que serviu para amenizar a tragédia, pois o caminhão apenas ficou de lado e não com os pneus pra cima, mesmo assim muitas pessoas pularam, outras foram arremessadas para fora enquanto que as que ficaram no caminhão também ficaram machucadas, alguns com partes do corpo quebrado.
Entre os acidentados, estava a matriarca da família, D. Mariana que se encontrava na cabine do caminhão junto com seu filho José e a esposa dele, sendo que o maior acidentado foi seu irmão Elias que teve várias costelas e uma de suas clavículas quebradas.Porém o maior susto foi dado por Evânia filha de Elias, ela conta que quando o caminhão tombou na estrada, ela que também estava na carroceria do caminhão, foi arremessada direto para a linha do trem, bem na hora em que o cacique (Trem de passageiro noturno) estava se aproximando, literalmente passando, passando por cima dela que relata: ”Quando vi o cacique já era tarde para sair da linha então me mantive deitada no leito da linha entre os trilhos, enquanto o trem passava por cima de mim e eu, entre os trilhos da ferrovia” (fato relatado pela própria).
O TRANSPORTE DA ÉPOCA
Uma curiosidade daquela época era que, para o trem parar no ponto existente em Guarataia, na entrada da fazenda do Vidal, o passageiro tinha que acenar com uma bandeirinha vermelha para sinalizar, que ficava ao alcance dos passageiros no prédio da estação, para os que precisam embarcar, se não ele passa direto.
Já para chegarem aos cultos realizados nas casas em Guarataia e região, as mulheres e as crianças eram conduzidas em carros de bois, que eram forrados por lençóis colocados em cima dos fueiros, para dar maior privacidade e um ligeiro isolamento do sol no fim de tarde, e do orvalho a noite e para ser mais exatos, também dos rapazes que acompanhavam a pé, seguindo o carreiro (tocador dos bois) ou montados em seus cavalos, que acompanhavam as famílias durante todo trajeto.
Assim, todos, eram guiados pelo cantarolar produzido pelo eixo de madeira do carro de bois, ao deslizar no suporte feito de madeira, chamado cocão sobre o chumaço, que eram untados com azeite de baga, para dar maior sonoridade e melhor deslize da parte rodante em atrito.
Depois do tão famoso trem movido a vapor, gerado pela lenha que era constantemente colocada na fornalha existente na cabine do maquinista, a famosa MARIA FUMAÇA, uma linha de ônibus passou a circular de Mata da Cruz até Campos.
Era nestes trens que uma figura lendária de Vila Nova ganhou notoriedade, como ficou conhecido até seus últimos dias como “Enéas do Bombocado”
Enéas foi casado com Elza Tavares, sobrinha de Mariana, residia em Vila Nova onde até hoje a família possui um Bar, conhecido com BAR NAÇÕES UNIDAS, enquanto a família administrava o bar, Enéas vendia nos trens, os bombocados que eram fabricados de madrugada, e muito encantava os passageiros que se acostumaram a consumir os produtos por ele oferecido em forma de verso.
Também uma curiosidade que deixou marcada, foi o transporte coletivo que era o único que existia apenas com apenas um veículo, ele saía da manhã com destino a Campos e retornava a tarde até a localidade de Mata da Cruz.
O carro pertencia ao Sr. Genésio, era um ônibus da marca Chevrolet, do tipo marinete, ou seja, um ônibus com a frente de caminhão, com capot do motor para frente do veículo e não com motor embutido ou traseiro conforme existe nos carros da atualidade.
O carro era pequeno, tinha pouco mais de 20 lugares para passageiros sentados, e quando o carro lotava os assentos, os corredores com pessoas em pé, os homens viajavam no bagageiro que existia em cima do carro, os mesmos subiam por uma escada existente na parte traseira do veículo, e lá de cima faziam a viagem de Campos até seus destinos, juntamente com malas e bagagens.
Mais tarde esta linha de foi vendida para o Sr. Maneco que possuía um carro que fazia o trecho de São Joaquim para Campos, e assim a empresa São Joaquim passou a fazer o trajeto antes feito por Genésio, e no ano de 1967 veio à construção da estrada de rodagem que Liga a BR 101 de Conselheiro Josino até Santo Eduardo, construída entre a linha do trem e a Casa da Pedra, dividindo a propriedade, deixando uma pequena faixa de terra espremida entre a linha do trem e a estrada de rodagem.
OS NAMOROS DE ANTIGAMENTE
Era nestes deslocamentos feitos durante a semana, que a juventude daquela época aproveitava para paquerar as suas pretendentes, mesmo sobre a forte vigilância que os pais exerciam, especificamente sobre suas filhas.
E quando o rapaz conseguia atrair a atenção e o interesse de alguma das moças, através de olhares, o próximo passo era iniciar uma conversa, que acontecia do seguinte modo “Posso te levar em casa?” e se o convite fosse aceito pela moça, o rapaz a acompanhava até a chegada de sua casa, mas o casal tinha conversar enquanto iam caminhando na frente dos pais dela que os seguiam, e quando combinavam o namoro, o rapaz tinha que ir na casa da moça, pedir ao pai dela permissão para namorar aquela jovem.
Alguns mais ousados extrapolavam na aproximação de uma pretendente, e esbanjavam na maneira de chamar a atenção de uma jovem, tais como “psiu”, “ei gatinha” ou mesmo “ei gostosa”, mas com o passar dos tempos, as coisas se evoluíram com a chegada da tecnologia estes modos de aproximação mudaram e se atualizam, nos dias atuais o mais elegante da parte de um rapaz é conduzir a paquera do seguinte modo “ei gatinha, te achei linda, me dá o seu telefone”
Mas os métodos de aproximação de um casal normalmente acontece de maneiras inusitadas, das mais diferentes, cada um do seu jeito, aproveitando a ocasião e a oportunidade particular de cada momento e de cada um.
A PROPRIEDADE
Depois de muito trabalhar como diarista nas propriedades da região, Izídio adquiriu algumas propriedades na região de Concha e Guarataia, o pedaço de terra que ele elegeu como o principal, foi exatamente o que sua esposa herdou da família quando seus pais morreram, onde mais tarde ele construiu a famosa casa na Pedra, conforme relatado no início, local onde a família Tavares Paes viveu a maior parte de suas vidas na casa edificada em cima de uma Rocha, de frente para a Estrada de Ferro Leopoldina, por onde passava o único meio de transporte da época, também foi nesta propriedade que ele doou um pedaço de terra e ajudou a construir a Congregação Batista em 1951, onde hoje já ampliada, foi organizada no dia 23/06/84 a Igreja Batista Memorial em Guarataia.
Ele adquiriu várias outras pequenas propriedades na região, sempre nas vizinhanças de Guarataia e Concha.
CASAMENTO ENTRE PRIMOS
Como acontece em muitas regiões do Brasil, principalmente entre 70 e 120 anos atrás, ouvir o marido chamar a esposa de prima, não era nada incomum em nossa família, afinal foram muitos casamentos realizados entre primos nas famílias Tavares e Paes, muitas das vezes saber quem é primo-tio ou avô-primo confunde até os próprios membros da família até os dias de hoje.
Guarataia era uma região formada por uma pequena população de agricultores, portanto as opções de se encontrar a cara metade eram bem escassas naquela época, com poucas alternativas de diversão, e os jovens tinham que buscar na casa dos tios a sua cara metade.
Uma época onde os casamentos na região eram realizados na casa da noiva com a presença do escrivão que ia a cavalo para realizar os casamentos.
As festas eram organizadas em casa, quando eram servido um jantar ou bolo com café, o cerimonial aconteceu na casa da noiva que usava o tradicional vestido branco, com o noivo de terno de linho de cor clara e gravata, conforme os costumes da época.
A noiva era conduzida em carro de bois, quando a festa era realizada em outro local, se a festa fosse em casa, depois do casamento os noivos saiam do local da festa para sua casa que era sempre construída na mesma propriedade, no tradicional carro de bois, preparado especialmente para a ocasião por um terno de boi todos da cor branca (Terno de boi é um conjunto de duplas de bois presos a uma canga, que enfileirados, interligam suas forças através de uma corrente), o carro era encouraçado (forrado com um couro de boi) em cima dos fueiros (Estacas fincadas na base do carro, para ser enchido de Cana), também nas laterais e na frente para dar proteção aos nubentes e seus presentes.
Sobre os casamentos, algumas histórias interessantes foram comentadas entre os pesquisados:
Alfredo comentou que ele e Juvenil não puderam ir ao casamento um do outro, por que se casaram na mesma data, o casamento dele com Jocília foi realizado em Guarataia, já e de Juvenil e Maria da Penha foi realizado na casa dos pais dela, que em Baixa Grande, região do Farol de São Tomé.
Mesmo assim algumas coisas eles fizeram em conjunto, lembra do episódio dos móveis, eles compraram a mobília de suas casas na mesma loja em Campos e marcaram, com Elias que trabalhava como motorista na Fazenda do Sr.Almeida, para fazer o transporte dos móveis de Campos até Guarataia, pois na época não existia a facilidade que existe hoje, com as lojas mandando entregar em casa, o comprador tinha que se virar com o transporte.
Assim eles combinaram com Elias, para que numa oportunidade que o caminhão fosse a Campos levar garrafas de aguardente fabricado na Fazenda do Almeida, e na volta levaria as mobílias do irmão Juvenil e da prima Jocília (Mocinha) que quando casou-se com Alfredo, moraram na propriedade do pai de Alfredo (Constantino Gomes).
E no dia combinado, foram encontrar com Elias em Campos, quando acabou de descarregar o caminhão, Elias recebeu do Sr. Almeida seu patrão, uma ordem para ir em São Diogo, próximo de São Francisco de Paula, para socorrer um plantador e buscar uma cana que havia pegado fogo acidentalmente.
E como ordem é ordem, Elias chamou o irmão e o noivo da prima para ir com ele até lá para fazer companhia e adiantar em alguma coisa, para poderem retornar no mesmo dia para buscar a citada mobília, pois já era antevéspera dos casamentos.
E ao chegarem na roça onde a cana estava queimada, lá estavam apenas o dono da terra com sua mulher e mais duas crianças de apenas 10 e 12 anos para encher um caminhão da cana.
Os dois noivos olharam um para o outro, vendo a luta que Elias teria para encher o caminhão as poucas pessoas daquela família, tiraram suas camisas, pois estavam bem arrumados, por terem ido a cidade, e caíram dentro ajudando Elias e aquele senhor com sua pequena família a encher o caminhão.
Resumindo, quando chegaram ao engenho em Guarataia, na fazenda do Sr. Almeida para descarregar o caminhão, já era noite, e não deu tempo de pegar a mobília naquele dia, tendo os mesmos que se casarem primeiro para depois buscar a mobília de suas casas.
Continuando a comentar os casamentos entre primos, o primeiro caso que temos conhecimento foi o de Amaro Tavares, filho de Sebastião e Ana (Naná) que praticamente começou toda história, casando-se com a prima Cândida Tavares chamada por todos de Nêni, filha de seus tios Domingos e Rosa, e desta união tiveram nove filhos (Eraldo, Edgar, Ernane, Epitácio, Eliza, Euzi, Elza, Edite, Elenice), e pela proximidade, vizinhança e atividades religiosas na localidade, a moda pegou, tornando-se comum entre as famílias Tavares e Paes o casamento de primos.
O casos de maior consanguinidade são o de Felipe, filho de Mariana deu continuidade a este fato, casando-se com sua prima Eliza (filha dos primos Amaro e Cândida) seus tios, mais tarde foi feito o contrário, quando Faride irmã mais nova de Felipe casou-se com o primo Epitácio (Irmão de Eliza) também de Juarez filho de Lili, que se casou com Sidenira, filha de seu tio Inhosinho, irmão de Lili.
Também os primos José (Juca), Filho de Júlia e Irineu, que se casou com a prima Creusa (Filha de Elias) irmão de Júlia, com mais um casamento de primos, filhos de dois irmãos (Júlia e Elias).
Já o neto Júlio(Russo) filho de Júlia, casou-se com a prima de 2º grau Elenice, (irmã de Epitácio e Eliza Tavares), causando espanto a uma de suas filhas quando tomou conhecimento destes relatos “SEJA FORTE: Minha avó materna Cândida era prima da minha bisa Mariana, meu avô materno Amaro era irmão da bisa Mariana, ou seja minha mãe era sobrinha da bisa Mariana e meu pai era neto dela kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk êta enrolação sô, comentou Dalva.
Quando em muitos casos fica até difícil saber qual o grau de parentesco que existe entre os filhos gerados com estes casamentos.
Temos muitos casos mais distantes, como exemplo do casamento dos primos de segundo grau, Cláudio filho de Elias que foi casado com a prima Edilma, filha de Edgar que com pouco tempo de casados, ela faleceu, vindo ele mais tarde a se casar com Cireni filha de Zé Gomes, depois que ela ficou viúva do saudoso corista Manoel Ferreira, também moradores de Guarataia.
Temos também os casos daqueles que quase se casaram, Paulo(Juvenil) chegou e noivar-se com a prima Elza (Irmã de Eliza, casada com o primo Felipe e Epitácio com a prima Faride), também o neto Carlos Henrique(Filho de Faride com o primo Epitácio) chegou a noivar-se com a prima Vanda (Filha de Ernane, seu tio).
Um pouco parecido é o caso de Willian(Filho de Ana Maria), que quase se noivou com Ester, neta de Júlia, filha de Jocília, sua prima de segundo grau.
Entre os quase, temos ainda o caso de Sônia filha de Felipe que chegou a namorar seu primo Geneci, filho de José Paes que mais tarde casou-se com Cândida, sua prima de segundo grau.
Também Valter filho de Inhosinho, primeiro namorou a prima Creuza filha de Elias, ela mais tarde casou-se com Juca seu primo e ele casou com a prima Célia filha de seu tio Felipe.
Já entre os primos um pouco mais distante mais ao mesmo tempo muito próximo, temos o casamento de Neiva filha de Faride que foi casada com seu primo Epitácio, e Elvio seu primo de segundo grau, que é filho de Juarez e Sidenira, que foi casado com a prima Cidenira filha de Manoel Tavares.
Os casamentos entre primos não param por aí, Léia filha de Faride, casou-se com Ivanis, seu primo de segundo grau, ele é filho de Ivan, sobrinho de seu pai Epitácio entre outros casos que ainda não constatamos e ainda continua acontecendo casos desse tipo.
Também era comum, acontecer o casamento entre cunhados, como vemos a filha Gemima(Jamila) casou-se com Ataíde e o irmão dela Elias casou-se com Cerides (irmã de Ataíde), Ataíde e Cerides eram filhos e Maria e Crisanto Almeida Borges, primo de Izídio Paes, não sendo diferente também como aconteceu com os irmãos Edgar e Ernane, eles se casaram com as irmãs Malvelita e Carmelita, filhas de Sr. Juca e Dona Maria Manhães.
Caso idêntico como o casamento dos irmãos João e Izaque filhos de Júlia, com as irmãs Dilça e Valdenir, filhas de Neném Muniz, também os primos Eraldo filho de José e Elielzi filha de Faride, que casaram-se com os irmãos Ageu e Audinéia, filhos do Sr. Aristides Manhães, conhecido como Maninho Bananeira.
Também Epitácio Júnior filho de Faride, casou-se com Perla que é irmã da noiva do sobrinho dele, Tiago filho de Elielzi.
Também Cláudia (neta de Júlia) casou-se com Heleno, filho de Zizo Gonçalves, que é irmão de Zildo, casado com Emilce, filha de Felipe.
Estes acontecimentos na época, era comum acontecer em Guarataia, porque naquele lugarejo o encontro dos jovens acontecia na única Igreja Batista (Congregação na época) que existia na localidade, e somente mais tarde foi construída por alguns membros da família de Cândida Tavares, José Gomes e outras famílias uma congregação Presbiteriana.
Eles também se encontravam nos cultos que eram realizados na casa dos membros da Igreja e dos interessados pelo evangelho moradores da região.
Eram nestes encontros que as paqueras aconteciam, surgindo os namoros e muitos casamentos entre parentes (primos) e vizinhos de propriedade, que também se reuniam na mesma Igreja.
Ana Maria (Ganinha) e seu irmão Paulo (Juvenil) foram os únicos a quebrar a tradição dos casamentos entre primos ou vizinhos, foram buscar seus cônjuges mais distantes, Paulo casou-se com Maria da Penha que conheceu na fazenda do Sr. Almeida onde ela tinha parentes (Manoel e Aluízio Flor), nascida na região litorânea de Campos, em Ciprião (próximo do Farol de São Tomé), e Ana Maria com Adiel Louzada, um capixaba da região de Marataízes, que o conheceu quando foi estudar, como interna do colégio Batista Fluminense em Campos.
Outro fator que também favorecia as paqueras naquela época, era o meio de transporte, para deslocamento das pessoas até os cultos nas casas, na congregação ou na Igreja mãe em Murundu, os pais de família usavam carros de bois, encouraçados (forrados com couro de boi nas laterais e na parte de cima) para levar suas esposas e filhas, para protegê-las de alguma chuva, também dos rapazes que iam caminhando a pé ou montados em seus cavalos seguindo o comboio de carros de bois.
O início de um namoro começava quando o rapaz se interessava por uma das moças, geralmente prima e depois de alguns olhares, piscadinhas ou um recadinho, ele se dirigia até ela na primeira oportunidade para falar a palavra mágica “posso te levar em casa”, se ela aceitasse, o namoro estava começando, e durante todo tempo de namoro, o casal ia caminhando da Igreja até a casa da moça, enquanto era seguida pelo pai, pela mãe e pelos irmãos dela até chegar em casa, quando eles se despediam, para ele ir embora.
Algum tempo depois, o rapaz era convidado a entrar na casa da namorada, quando tinha que pedir a mão a mão da namorada ao pai da moça, ou seja o pai tinha que permitir a continuidade do namoro.
Quando os pais não aceitavam o namoro, por diferença de idade, discriminação racial ou muitas vezes por causa do rapaz ser de família pobre, o namoro não era permitido, e muitos casos a proibição motivo de perseguição, algumas delas acabam fugindo de casa com o namorado, para depois se casarem.
Abaixo vamos relatar alguns causos e algumas palavras que eram aplicadas naquela época, entre as moças e os rapazes que quebravam os rituais e orientações de suas famílias.
Um fato interessante foi relatado por Ivete, filha de Zeca, ela contou que quando sua tia Mariana geralmente saia de Guarataia no trem do meio dia, e pernoitava um ou mais dias em sua casa em Campos, para ir ao médico, fazer compras, ou caso seu marido fosse tratar de negócios, ela se hospedava na casa do irmão Zeca.
E durante a noite, sua tia Mariana contava tudo que tivesse acontecido na roça ela comentava, porém ela com apenas nove ou dez anos, a tia ficava sentada na cama que as duas dormiam, ela pequena fingia que estava dormindo, para ouvir atentamente o que a tia iria contar pra sua mãe, e um dia ela ficou curiosa com o relato da tia; Olha minha cunhada, sabe a filha de fulano? Ela se perdeu... e assim outros casos e causos eram contados pela sua tia a cunhada sua mãe.
Ela guardou aquela tudo que tinha ouvido, depois que a tia foi embora, ela sendo uma criança muito curiosa, comentou com sua mãe: Mãe, esse povo lá de Guarataia é muito covarde, eta povo ruim minha mãe..., sua mãe logo lhe perguntou, ruim porque minha filha?
Ruim sim mamãe, a moça se perdeu e ninguém saiu para procurar, coitadinha dela, deve estar até agora no meio daqueles matos sem saber para onde ir, sem ter o que comer...
Ah, então você tá ouvindo conversa de gente grande sua muleca, Ivete respondeu, olha mãe, tia Mariana ficou contando as histórias lá da roça, eu acabei acordando e ouvi essa história sem querer e fiquei preocupada, sua mãe lhe respondeu, mas isso é conversa de gente grande, não é pra criança não, vou te dar uma coça para que na próxima você tape os seus ouvidos.
Voltando ao assunto de expressões que eram usadas naquela época, quando a moça fugiu de casa com o namorado, o comentário que o rapaz tinha “Roubado a moça” quando a família descobria que a filha estava grávida do namorado, “ela se perdeu com o namorado” neste caso era chamado o delegado para “obrigar os dois a se casarem”
Na igreja, quando um caso estes acontecia entre os jovens, eram “afastados pela quebra do sétimo mandamento”.
Namoro proibido ou quando a moça era roubada, alguns casos davam certo com o casamento, porque o rapaz era bem intencionado, mas podiam até acabar em tragédia, como no caso citado da filha de Izídio e Mariana, que se suicidou porque tinha um namoro proibido pelo preconceito da cor.
E conforme disse Dalva de Russo, “deve ser muito difícil este namoro, primeiro por ser ele é um rapaz bonito e simpático, deve ser muito disputado, e para ela conseguir conciliar os assuntos de nossa história, com o namoro deles, pois ele só fala, só pensa e respira assuntos de nossa história, portanto ela não pode ser ciumenta além de muito pacífica pela pouquíssima atenção, pela falta de tempo que ele tem para ela, coitado destes dois”
DISCIPLINA A REBELDIA DOS FILHOS
Alguns contam que Izídio Paes era um exemplar líder familiar muito duro com os seus, quanto a disciplina, e que ele custava muito dar uma surra em algum filho, mas quando ele batia, ele batia pra valer, também pudera, eram quatro casais de filhos, depois que perdeu a filha Ester, e principalmente os filhos homens precisavam sempre de um puxão de orelhas do velho Izídio, a mãe quando descobria uma travessura, não hesitava de logo contar para o velho aplicar o castigo, primeiro ele prometia, se fosse repetido o erro, o castigo era certo.
Entre as muitas travessuras e sustos que os filhos davam aos pais, relatamos alguns fatos como o dia em que Juvenil caiu do cavalo, quebrando um dos seus pés porque tinha ficado preso no estribo e sendo arrastado, pois o velho detestava que os filhos participassem de corrida de cavalos, e Juvenil sempre que podia, gostava de disputar uma parelha com alguém que estivesse por perto, e num determinado dia durante uma corrida, Juvenil caiu do cavalo e quebrou o pé, sendo arrastado pelo animal, e o final já podemos imaginar, além do pé quebrado, levou uma grande bronca do patriarca.
Entre as travessuras dos filhos, outro episódio lembrado foi o dia em que a filha Faride, com apenas três aninhos de idade, pulou a janela de seu quarto, a altura de mais de três metros, machucando-se bastante ao cair sobre a pedra onde a casa foi edificada, ela mesmo nos contou que estava brincando dentro do quarto com outras crianças, e quando suas irmãs saíram, deixando-a sozinha dentro do quarto brincando com sua boneca de pano que a sua mãe havia produzido para as filhas, de repente o vento fechou a porta com a tramela, deixando ela presa sozinha no quarto, ao invés de chamar alguém ou mesmo chorar para chamar a atenção dos outros na casa, sendo uma criança muito levada, ele subiu na cama, e da cama subiu na janela e decidiu pular a uma altura de mais de três metros.
TRAGÉDIA NA FAMÍLIA – SUICÍDIO DE ESTER
Como na vida nem tudo é perfeito ou do jeito que a gente quer, um fato trágico e lamentável aconteceu na família de Izídio Paes, que a maioria dos irmãos sempre evitava comentar, tal foi o choque causado com a tragédia inexplicável do suicídio da filha Ester, conhecida como Santinha.
Ela era uma bela morena de cabelos pretos e olhos verdes, e dos poucos relatos documentais que conseguimos acessar até o momento, são os registros nas atas da Igreja Batista em Murundu, onde consta que ela professou sua fé no dia 05 de maio de 1938 aos 16 anos juntamente com seu irmão Elias com 18 anos na época, também ela foi nomeada interinamente como Tesoureira da Igreja de Murundu no dia 19 de março de 1939, data em que o titular Alfredo Duarte Pereira, avô de Alfredo Duarte, entregou o cargo.
Tudo isto apurado nas pesquisas e levantamentos históricos das atas da Igreja em Murundu, e a partir destas datas, nada mais foi encontrado citando o seu nome, provavelmente após este período foi quando aconteceu a tragédia na família com o trágico suicídio que só a Deus cabe as respostas e os motivos que levaram aquela bonita, religiosa e alegre jovem, a tirar a sua própria vida no esplendor de seus 18 anos, de forma trágica no ano de 1940.
Nas pesquisas pudemos apurar que Izídio Paes sempre foi um servo do Senhor ativista nas diversas funções desde a fundação da Igreja no ano de 1918, onde ele fazia parte da lista dos membros fundadores, e entre os anos de 1940 até 1944, houve uma grande ausência de seu nome nos cargos e atividades da Igreja, tamanha foi a tristeza que o acometeu com o trágico suicídio de sua filha.
Tudo aconteceu por causa de uma paixão que ela estava cultivando por um oleiro contratado por Izídio Paes, para produzir tijolos para ampliar parte da casa que ele estava construindo, e cuja paquera foi muito questionado por sua mãe Dona Mariana, e por seu irmão Felipe.
Quando num belo dia a sua mãe viu que ao sair para a escola, ela jogou um bilhetinho numa moita de mato e fez um sinal para que o suposto namorado de nome Melquíades viesse buscar o bilhetinho, alguém chega a dizer que a rejeição para aquele namoro, seria por causa dele ser da cor escura, e de que Izidio Paes não aprovava o namoro por causa disto.
Também pudera, no final dos anos 30, pouco mais de 50 anos da abolição da escravatura, toda aquela geração de brancos, nasceram e foram criados da época do separatismo, e mesmo 50 anos depois da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, ainda era muito cultivada a cultura preconceituosa de racismo contra os negros, alimentada ao longo 300 anos no Brasil império.
Quando ela voltou da escola sua mãe, brigou muito com ela, pois tinha visto a cena do bilhete que ela havia deixado e o rapaz logo veio buscar, e ameaçou contar para seu pai, dizendo que faria com que o mesmo a castigasse, dando-lhe uma surra de gurumbumba, e segundo relatos de alguns filhos, o velho Izídio custava aplicar um castigo nos filhos, mas quando isto acontecia, ele batia muito e sem dó nem piedade.
Era véspera de um mutirão para terminar a colheita de uma lavoura. Quando a sua irmã Júlia esteve na casa dos pais acompanhada de suas filhas Juraci e Jocília, e Ester (Santinha) contou para sua irmã Júlia o que estava acontecendo e do medo que ela tava sentindo caso sua mãe contasse sobre o bilhete, assim ela pediu para que a irmã pedisse a seu pai para deixá-la ir para sua casa que ficava na Palma, próximo da Colônia, pois estava com medo de que o pai a castigasse, caso descobrisse.
Então Júlia pediu para que a irmã fosse passar uns dias em sua casa, e ele depois de colocar uma das mãos no ombro de Ester, respondeu - “minha filha, se amanhã não fosse o dia combinado para o mutirão com os colonos, eu deixaria você levar sua irmã para passear na sua casa, mas eu não posso deixar minha cozinheira predileta ficar fora de casa, exatamente no dia que ela vai ter que trabalhar muito para cozinhar para este montão de gente que eu convidei para fazer este mutirão, depois desta tarefa ela poderá uns dias em sua casa ”.
O mutirão era na ocasião em que o dono da terra juntava todos os filhos e os camaradas (empregados), também convidada os vizinhos e amigos, então o dono do mutirão fornecia comida para todas as pessoas, era como se fosse uma troca de favores, na época da colheita final de uma lavoura do vizinho, fazia um mutirão na propriedade dele também.
Como não foi permitido que Ester fosse para a casa de Júlia, ela foi-se embora com as duas filhas, Ester ficou na casa do pai para desempenhar a tarefa fazer o almoço.
O dia amanheceu a turma do mutirão foi trabalhar no alto do morro, a esquerda da Casa da Pedra, Ester preparou o almoço para toda aquela turma, depois de tudo pronto, tomou banho, se arrumou com a roupa mais bonita que possuía, entrou para o seu quarto (localizado anexo da varanda da frente), antes de seu pai chegar com a turma do mutirão para almoçar, ela ao avistar todos descendo o morro, deitou em sua cama ingerindo uma boa quantidade do veneno chamado formicida Tatu, um terrível veneno que era utilizado para exterminar formigas no controle de pragas na lavoura, e quando seu pai chegou, foi logo procurá-la em toda casa, e quando chegou ao seu quarto, depois de chamá-la e ouvir apenas alguns gemidos que vinha do quarto, arrombou a porta e lá estava sua filha ainda agonizando-se, em seus últimos momentos de vida.
Júlia estava em casa com seus filhos, de repente ouviu a voz de Ester a chamando, saiu no terreiro (do lado de fora) para procurar a irmã junto com suas filhas e não encontrou ninguém, ficou com aquela sensação estranha e a indagação de todos que não entenderam nada sobre o pressentimento da mãe, os filhos acharam que a mãe estava delirando ao dizer que ouviu a irmã chamando e ninguém a encontrou do lado de fora da casa.
Algumas horas depois deste episódio de Júlia ouvir a voz da irmã, avistou um cavaleiro correndo muito, assustado em direção de sua casa, que morava na localidade de Palma, era Amaro Ferrinho, um dos empregados de Izídio Paes, e muito assustado dizia, Júlia, Júlia, chame Sr. Irineu e vai correndo pra casa do seu pai que aconteceu uma tragédia na casa dele, e foram todos correndo chamar Irineu que estava na roça.
A partir daí foi aquele desespero total, um verdadeiro corre-corre com o desfecho dessa tragédia que marcou pra sempre a família de Izídio Paes residente na casa da Pedra, e de maneira trágica Ester se foi, deixando saudades a todos que ficaram, principalmente quando até hoje se ouve o hino do cantor cristão que ela tanto gostava e vivia cantarolando. “Como é triste andar em trevas...”
Depois destes acontecimentos o casal Izídio e Mariana levou um bom tempo acusando um ao outro pela tragédia acontecida em sua família, ele dizia que foi culpa dela com a pressão que ela fez amedrontando a filha que contaria ao pai do suposto namoro, ela dizia que a culpa era dele por causa do medo que os filhos tinham do pai, e quando era necessário punir, acabava sendo violento demais.
Estes Fatos foram relatados por uma das últimas pessoas que viveu de perto com Ester Paes, e que esteve com ela um dia antes de sua morte – Paulinho ao pesquisar fatos históricos da família, nunca conseguia fechar em detalhes os relatos desta tragédia, sempre ouvia de forma desencontrada, cada um contando de um jeito, dizendo que ela havia se perdido com o namorado, que ela estava grávida e muitos outros comentários, até que num determinado dia quando ele foi levar um presente para Jocília, um quadro com a fotomontagem de todos os descendentes de sua mãe Júlia, ela ficou muito contente dizendo, Paulinho este presente pra mim tem um valor incalculável, você não sabe como você me comoveu com essa tão singela lembrança.
E durante a conversa ela elogiou o trabalho que sua filha Ester havia lhe mostrado na Internet, sobre os dados históricos e fotográficos da família que está sendo feito juntamente com Gabriel, conversou um pouco sobre o sonho de participar de um encontro da família.
E durante a conversa Paulinho contou pra Jocília que a maior desafio que estava tendo na tarefa de pesquisar e levantar dados reais do passado, era a dificuldade de encontrar com vida uma pessoa que tivesse vivido presencialmente com Ester Paes, para saber detalhadamente sobre a tragédia.
Neste momento Jocília o convidou a tomar um cafezinho que ela ia fazer, e o chamou para ir na cozinha, e pois não queria contar na presença de Alfredo seu esposo, pois ele não queria que ela se emocionasse por causa da enfermidade que estava comprometendo seu coração.
E logo depois do cafezinho, ela eu chamei você aqui, porque a pessoa que você tá procurando sou eu, minha mãe e minha irmã Juraci já se foram e se eu não te contar, você não vai mais conseguir concluir as pesquisas que você está fazendo, e a tragédia que tirou a vida de nossa tia Ester, vai continuar do jeito que cada um conta, tirando conclusões não verdadeiras.
E durante algumas horas ela fez todos os relatos acima descritos, parando em alguns momentos para descansar um pouco enquanto preparava um ensopadinho com jiló para mim e seu esposo Alfredo, também para enxugar as lágrimas, tal era a emoção, de relembrar toda tragédia que ela viveu quando ainda era uma criança de 9/10 anos.
Na qualidade de responsável pela maioria dos dados pesquisados nestes relatos de nossos antepassados, sou muito grato a Deus pela vida de Jocília, pela coragem e empenho que ela teve ao fazer todos os relatos com detalhes, e se ela não tivesse demonstrado o maior empenho e carinho de contar esta parte trágica da história de nossa família, a verdade pura destes fatos nunca seria apurada para que a memória de nossa tia Ester ficasse ao léu de comentários muitas vezes maldosos.
Alguns meses depois, Jocília foi levada para São Paulo para ser operada do coração, uma cirurgia de risco que ela mesmo sabia mas resolveu se submeter, algum tempo depois ela faleceu por complicações pós-cirúrgicas, quase 15 dias antes do nosso primeiro encontro.
Na realização do encontro, familiares de Jocília foram convidados a receber a homenagem de participação e colaboração com os dados históricos de nossa família, homenagem esta que ela receberia se o Senhor não a tivesse chamado.
Lá compareceu ainda comovidos com a perda, Alfredo o viúvo, alguns de seus filhos, e Débora foi responsável por falar, agradecer e testemunhar sobre a passagem de Jocília em nossa História.
Débora inclusive revelou que a Bíblia de sua mãe que agora está sob sua responsabilidade, havia muitos pedidos de oração, todos em papel recortado na forma ovalada, como se fosse ovos que foram ao longo dos tempos literalmente chocados, em forma de oração por seus familiares.
E do mesmo modo que ela anotava os pedidos de oração por casamentos, empregos e recuperação da saúde de muitos dos seus, ela depois voltava a completar a anotação dizendo, “Muito obrigado Senhor, por atender o pedido de sua serva Jocília”
Débora em seu depoimento, fez o plenário, rir e chorar ao mesmo tempo, quando ela lembrou com saudosismo de alguns de nossos antepassados e atitudes que marcaram, como a talha d'água que havia logo na entrada, próximo da porta da igreja, e do barulho que a caneca de alumínio fazia, quando a água estava acabando e a mesma batia no fundo, lembrou ainda da campainha que existia no púlpito da então congregação e o saudoso Tio Felipe não hesitada em tocá-la quando alguém faltava com o silêncio.
DE LAZER A UM GRANDE SUSTO
Izídio Paes preocupava-se não só com o trabalho e a evangelização da família, ele se preocupava também com o laser da família, ele sempre que podia alugava uma casa na Praia de Guaxindiba, botava toda parentada em cima do caminhão conduzido por Elias e se deslocava para passar dez ou vinte dias de lazer com a família, e um dos episódios que muito marcou uma destas saídas de toda família junta, foi quando numa manhã Felipe chamou todas as crianças a tomarem banho de mar, ainda bem cedinho, e lá se foi para o mar Felipe, sua esposa Elisa e um montão de crianças (Filhos e sobrinhos) e de repente Paulinho filho de Juvenil e Maria da Penha, com três aninhos apenas, saiu andando atraído por alguma coisa ou pessoa e se perdeu do grupo que Felipe conduzia, e sem perceberem Felipe saiu do mar com aquela criançada e ao chegar em casa, cadê Paulinho, ninguém sabia onde ele estava, o desespero foi total, todos os adultos saíram a procurar aquele menino que estava perdida na praia de Guaxindiba, entre os muitos banhistas que se encontravam naquela Praia, cada um
para um lado e nada de encontrar aquele menino de três aninhos, e já quase sem esperança de encontrarem o menino, o pior já estava sendo esperado, mas ninguém queria acreditar de encontrar o corpo boiando nas águas amareladas da praia de Guaxindiba, e quando já passavam das três horas da tarde, alguém conseguiu encontrar a criança desaparecida.
E segundo relatos, que mesmo sendo muito pequeno na época, ao relatar este fato Paulinho se recorda apenas que, ao se afastar do tio Felipe e a criançada, ele se afastou da água, com medo do barulho das ondas, saindo de onde estavam próximo do canal do Rio Guaxindiba, e começou a caminhar tentando encontrar os parentes ou mesmo a casa que fora alugada do Sr. José Áreas, um evangelista que sempre ia em Guarataia pregar na
Congregação, que ficava perto de uma cacimba (Poço D'água), resumindo, ele caminhou da beira do canal até próximo da Praia da Manguinhos, onde ele encontrou a cerca de uma propriedade que prendia os animais existentes naquele pasto, esta cerca chegava até dentro d'água, não tendo mais como caminhar em frente, com esta cerca no caminho, Paulinho decidiu fazer o caminho de volta, e por volta das três horas da tarde ele reencontrou a família.
Assim terminou mais este episódio de um grande susto acontecido na família, o velho Izídio era muito duro nas horas decisivas, até porque para liderar uma grande família de oito filhos, oito noras e genros, e muitos netos, o líder tinha que ter uma palavra dura, deu aquela bronca em Felipe, mandou todos arrumarem a matula, e todos voltaram pra casa logo no outro dia, acabaram-se as férias de todos.
ATIVIDADES PROFISSIONAIS
Naquela época, a família toda vivia da agricultura familiar: Cana de Açúcar fornecida para as Usinas, Mandioca para fabricação de farinha e da plantação de Arroz – exploradas comercialmente, além do milho, feijão e outras culturas de subsistência da família.
A cana era transportada em carros de bois, até as balanças na fazenda do Vidal, para a Usina Santa Maria ou para o alambique da família Almeida, que fabricava aguardente.
Mais tarde passou a ser transportada por um caminhão adquirido por Izídio Paes, que era conduzido por Elias, e com o passar do tempo, por volta de 1962 ele adquiriu um automóvel Ford Mércuri, que era conduzido por Paulo (Juvenil), para conduzi-lo até a cidade de Campos ou a Usina Santa Maria, no distrito de Santo Eduardo.
Nesta época o velho Izídio havia montado uma bolandeira (Fábrica de Farinha) para industrializar a grande produção de mandioca que ele havia plantado, trabalhavam na colheita (arrancando), os irmãos Felipe, Elias, José e o sobrinho João (Almeidinha-filho de sua irmã cotinha), só que a produtividade estava muito baixa por causa dos muitos causos que eram contados por Felipe e Elias durante o trabalho.
Então Almeidinha sugeriu ao seu tio Izídio que ele chamasse um companheiro que estava parado, para darem conta do recado, o velho autorizou, e foi contratado para trabalhar o seu primo Chile Rocha, ficando somente os dois arrancando o mandiocal e Paulo(Juvenil) ficava incumbido de fazer o transporte, conduzindo a tropa de burros de carga até o local da fabricação, onde os outros trabalhavam.
No dia do trágico acontecimento da morte de Ester, vários homens estavam trabalhando na bolandeira no trato da mandioca (raspando e passando no ralador), e havia uma boa quantidade de massa no prelo (sendo espremida no tipiti), pronta para ser colocada no forno logo no outro dia, enquanto toda a família estava envolvida no velório em casa e no sepultamento que ocorreu na localidade de Murundu, para não perder a fornada, Almeidinha pediu permissão ao seu tio, para ele e Chile, torrar aquela fornada de farinha que estava preparada, para atender às encomendas dos comerciantes da região e não perder a massa que estava pronta.
Almeidinha (João) comenta que em determinada época desta colheita, ele tinha entre quinze ou dezesseis anos, ele teve que pedir ao tio Izídio para afastar os filhos Felipe e Elias do trabalho, porque eles dois gostavam muito de contar causos, adivinhações, roda de versos e piadas, neste período o serviço deles parava além de atrapalhar a produção dos outros camaradas que estavam trabalhando, seu tio acatou o pedido do sobrinho, deixou Almeidinha e Chile Rocha arrancando a mandioca e Juvenil, enchendo os balaios que estavam amarrados nas cangalhas dos burros, Felipe fazendo conduzindo a tropa de animais fazendo o transporte da roça até a bolandeira (Fábrica de Farinha)e e Elias na produção de farinha.
Este tipo de comportamento entre os jovens daquela época, de contarem causos ou recitarem versos, também pudera, não existia televisão, nem rádio, pois isto era comum nas horas de lazer e muitas das vezes até no local de trabalho, e nos encontros da rapaziada, as meninas brincavam de passar o anel, de rodas e contar versos, já entre os rapazes era realizada a roda de versos, e nestas brincadeiras, entre os que se destacavam, alguns são lembrados até os dias de hoje, citaremos os versos que alguém fez para Felipe quando ele estava apaixonado pela prima Eliza e ficou doente em determinada época, que era mais ou menos assim: “Felipe não come, Felipe não bebe, de dia dá frio, de noite dá febre, ele ta desfalecido na cor de sua camisa, só não consegue parar de pensar em sua amada Eliza”, também um versos que ganhou destaque e serve de piada até os dias de hoje, é um que foi apresentado por Quequeu, e todos se divertiam quando ele contava seu verso, até porque ele era bastante gago, gagueira esta que lhe rendeu o apelido de Quequeu, pois contam que quando ele queria dizer alguma coisa, ele assim gaguejava: “que, que, Quequeu, to que, que, que, querendo dizer “O que eu quero dizer” e um de seus versos alguém relatou que ele disse assim: “A lua vem saindo, redonda como um quiabo, me dá licença que eu vou botar feijão no fogo”, também pudera né Quequeu, com esta rima, você muito gago, podemos imaginar as gargalhadas da galera quando você conseguia terminar este seu verso, tinha que marcar mesmo nossa história.
FAMÍLIA ACOLHEDORA
Entre tantas outras atitudes que se transformaram numa marca em nossa grande família, está o espírito acolhedor e alguns casos merecem destaque.
Ao iniciar este comentário, uma casa onde a maioria das pessoas vai se lembrar foi a casa da tia Faride, como ela é conhecida e reconhecida até os dias de hoje, quando tio Epitácio era vivo e eles moravam em Guarataia, a casa de tia Farid era um dos principais pontos de parada por uma boa parte de nossa parentada.
Sempre esbanjando sorriso, ela acolhia a todos que chegavam com aquele cafezinho de entrada e não tardava em convidar para almoçar ou jantar e se a noite chegasse, o convite era estendido para dormir.
Sua casa em Guarataia, no período de férias ficava cheia, as crianças do Rio, filhos e netos de seus irmãos e primos, vinham todos passar as férias em Guarataia, e sua casa era o ponto de referência, quando ela e seu saudoso esposo Epitácio, acolhiam a todos com muito carinho, e mesmo tendo uma vida sem muitas posses, o que tinham era compartilhado com todos que lá chegavam.
E numa entrevista declarou que “Deus nunca deixou faltar nada pra nós” a caixa d'água era cheia com uma bomba manual, e se a bomba não desse conta ou caso acontecesse algum problema da bomba quebrar, a caixa era cheia manualmente de balde em balde com seus filhos e visitas carregando água, ficando alguém em cima da escada para encher a caixa, para garantir o abastecimento d'água, teve dias que a caixa era cheia de três a quatro vezes para atender a todos que precisavam tomar banho.
Todos os Pastores que vinham de fora para pregar em Guarataia, tinham como referência a sua casa para hospedar, alguns vinham de mais longe chegavam a ficar de dois a três dias hospedados em sua casa. Conclui, “era muita luta, mas tudo era feito com muita alegria por toda a minha família, porque estavam fazendo para a obra do Senhor, por isso tudo agradeço muito a Deus pelo que Deus fez no passado e tem feito em nossa família, somos pobres mas uma família feliz estas bênçãos”
Uma curiosidade desde que este trabalho fora colocado na Internet, uma boa parcela dos comentários postados, foi referente à saudade da casa da tia Faride, como todos a chamavam, inclusive os filhos dos amigos, pois a maioria das pessoas, inclusive amigos da família que tem outros parentes em Guarataia, nunca se esqueceram da passagem ou da estadia de férias na casa dela, conforme comentou um dia desses, o jovem Alexandre, filho de Nenzito e Mariana, que ele quando era pequeno, contava os dias para chegar as suas férias, enquanto que outros primos e parentes preferiram ficar no grande rio, outras se destinam viajar para as praias, ele dispensava outros lugares, ele deixava tudo rumo à casa da tia Farid.
Muitos outros descendentes herdaram esta prática acolhedora, tia Ganinha que durante muitos anos em Minas Gerais (Miradouro e Muriaé) nunca deixou de apoiar as sobrinhas que sonhavam de ter uma oportunidade para estudar um pouco mais, pelas dificuldades que tinham para se formarem como professoras e outros cursos, tinham que se deslocar para Morro do Coco, Conselheiro Josino, Campos ou outras cidades, com custos elevados para a maioria dos pais, entre as que no momento conseguimos lembrar pela passagem na casa de tia Ganinha, estão Léia, Telma, Neiva, Jane e Cezar filhos de Farid, Sônia de Felipe, Elizete de Juvenil e alguns outros.
Também alguns tiveram a oportunidade de acomodarem por algum tempo na casa de tio Juvenil quando este passou a morar em Campos, foi Edilma e Aldiléia de Zé Paes, Henrique de Farid, inclusive Creusa filha de Elias, que passou seus últimos dias, quando estava em tratamento na cidade de Campos, na casa de tio Venil.
A casa de Elza em Vila Nova, não era só o ponto de parada dos ônibus da extinta Auto Viação São Joaquim, era a casa de referência da família, todos aqueles que tinham que passar pela Vila, lá chegavam e sempre tiveram boa acolhida até os dias de hoje. Sua mãe Dona Nêni, viveu uma boa parte de sua vida da casa dela, até a sua morte.
Além do carinho que Elza dispensava a todos os parentes e amigos, tinham a convivência do famoso e conhecido Enéas do bombocado, seu esposo.
Sempre brincalhão e divertido, gostava de prosa e verso, e um que marcou nossa geração foi “Na vida tudo passa, vai o sol, vem a lua, vem a alegria ou a tristeza, mas a vida continua” e diante de muitos versos, quem chegava em sua casa era obrigado a experimentar o famoso bombocado produzido pela família e comercializado por Enéas no trem ou no ônibus que passava pela localidade.
Outra que ficou amparada por uma sobrinha por um bom tempo, quando quebrou o Fêmu, foi Dona Mariana, ela ficou hospedada na casa de Zezé, filha do seu irmão Zeca, durante um bom período em que ela teve que ficar com aparelho na perna acidentada, e não era aconselhável ficar dentro de um hospital.
Essa prática acolhedora veio de nossos antepassados, o velho Izídio sempre acolhia pessoas, inclusive estranhas que pareciam a procura de trabalho e em sua casa ficavam morando, prática esta que ele adquiriu com a morte prematura de seus pais, quando ele teve que praticamente criar seus dois irmãos, Inácio e Cotinha, que saíram de sua casa para se casarem e mais tarde retornaram para junto dele terminarem seus dias.
Quem viveu na casa de Amaro e Neni foi o legendário Euclides, que mesmo depois de Neni ter ido morar na casa de Elza em Vila Nova, ele a acompanhou vivendo por lá até seus últimos dias.
Débora lembrou de comentar durante o encontro, com saudade do tempo de que os parentes que moravam na roça e seus pais os acolhiam em sua casa com muita satisfação, não importando se eram da família ou mesmo sem nenhum grau parentesco, apenas conhecido ou empregado de seu avô, todos eram acolhidos com carinho, lembra com saudade do tempo que quando as pessoas chegavam em sua casa, os filhos tinham que ceder suas camas para as visitas, eram um respeito tão grande pelos pais que bastava um olhar de um dos dois que os filhos já sabiam qual era o recado.
Sua mãe servia o melhor que tinha em casa para as pessoas que vinham da roça em busca de socorro, quando alguém passava mal precisava vir ao médico ou mesmo ser hospitalizado, na época da malária, quando tínhamos que tomar aqueles comprimidos grandes e de gosto horrível, chegavam aquelas crianças cheias de verme, suas barrigas chegavam a brilhar, pois era em sua casa que seus pais acolhiam todos com o maior prazer
Lembra do comportamento de exemplar de seu pai, pois quando ela levava o almoço dele que era entregue no carro que fazia o trajeto da cidade para Martins Lage onde Alfredo trabalhava, no caminho abria a marmita e comia a carne, e seu pai nunca chegou em casa e reclamou com a esposa porque não tinha carne em sua marmita, ele devia pensar que chegou alguém tivesse chegado, e ela havia servido para as visitas ou até mesmo socorrido algum vizinho, ele como bom marido nunca reclamou.
Finalizou Débora, hoje eu peço desculpas a você meu pai, pois até nem sei como você conseguiu ficar tanto tempo sem proteína, porque eu comia a sua carne, e você ficava apenas com o arroz, o feijão e uma saladinha apenas.
RELIGIOSIDADE E FÉ – A CURA DE VINÍCIUS
Outra vitória da família pelas bênçãos do Senhor, está fundamentada no verdadeiro milagre que aconteceu com a recuperação do Bisneto Miguel Vinícius, filho de Miriam, neto de Gemima (Jamila).
Este bisneto do saudoso Izídio Paes, aos 10 anos de idade, conforme relatos de sua mãe, no dia 10/04/93, um menino saudável como muitos outros, e segundo os médicos, através de algumas partes de seus braços e pés ficaram machucados devido algumas quedas quando ele brincava em sua patinete, por onde ele foi contaminado pela bactéria STREPTOCOCUS, existente em poças d'água, deixadas por caninos.
Primeiro ele não quis jantar, foi dormir cedo e um pouco febril, na primeira consulta ficou diagnosticada como uma virose corriqueira, com medicação tradicional e Vinícius não melhorou, a segunda consulta, fora diagnosticada a suspeita de pneumonia, e seu quadro clínico piorava cada vez mais, e sua mãe não deixava-se abater e constantemente buscava socorro do médico dos médicos, literalmente com a boca-no-pó, por acreditar que este tipo de oração a colocava em contato mais direto com Deus.
Já completando uma semana sem melhora, o quadro dele se agrava a cada dia que passava, quando sua tia viu que ele já estava ficando com suas unhas roxas, junto com familiares o levou para outro hospital de grande porte na cidade do Rio de Janeiro, e não conseguindo vaga num hospital público, o levaram para o Hospital dos Italianos no bairro do Grajaú, porém particular, uma grande junta médica foi formada e constatou-se uma infecção Pulmonar gravíssima, diagnosticado, cinco dias depois no hospital particular, devido o alto custo dos cinco dias nesta unidade particular, ele foi transferido para o Hospital dos Servidores do Estado, depois voltando ao Hosp. dos Italianos.
Mas quando Deus toma a frente da situação, Vinícius sofreu a primeira intervenção cirúrgica, feita por um médico servo do Senhor.
Mesmo com um pulmão drenado, seu estado a cada dia piorava, foi quando os médicos decidiram examinar o líquido expelido por aquele dreno para contagem de colônias, e neste período eram aplicados medicamentos cada vez mais fortes, chegando ele a ser transferido para o setor de Doenças Parasitárias, de onde 90% dos que vão para este setor, saem direto para o necrotério.
Nos muitos exames realizados, ficou constatada a bactéria STREPTOCOCCUS, que se alimenta dos glóbulos brancos do sangue, portanto tirando da corrente sanguínea todas as defesas do organismo contra outros agentes estranhos, e o seu quadro a cada dia que passava ele piorava, porém os médicos não conseguiam localizar onde estava localizada a colônia bacteriana.
E depois de muitos exames, transferências e avaliações médicas, o médico chamou alguns familiares pedindo que todos se preparam para o pior, porque a medicina já havia feito tudo que estava ao alcance dos humanos, e que Vinícius não passaria talvez daquela noite.
A família já tinha levantado todos os seus recursos para pagar a conta hospitalar,
inclusive neste dia estava chegando de Campos, algum dinheiro levantado por parentes, diante da notícia de que nada poderia ser feito, e talvez este recurso fosse utilizado no funeral, pois a família não tinha mais nenhum recurso.
Era uma quarta feira, e nos cultos de muitas Igrejas os irmãos estavam orando pela vida de Vinícius, e no outro dia pela manhã, quando cheguei a seu leito, sem saber da notícia que os médicos haviam passado para familiares de que ele não sobreviveria àquela noite, eu me dirigi a ele assim “Filinho, tem tantas igrejas orando por voce de todas as denominações, você não tem ouvido Deus falar nada com você, ou algum sonho ou visão não.”.
“Então ele respondeu: mãe, eu não sei se foi sonho, eu vi direitinho:” céu se abrindo como se fosse uma cortina, as nuvens se separando uma das outras, viu um ser todo de branco que parecia um anjo, veio descendo do Céu, se aproximando de mim, ficou aqui no meu quarto de frente pra mim, falou algo que eu não entendi e foi subindo novamente até chegar ao Céu, depois que ele entrou o Céu se juntaram as nuvens novamente como uma cortina se fechando”.
Ele que desde a sua internação só se alimentava através de sondas com soro e medicamentos na veia, pois tudo que chegava a seu estômago ele vomitava, ele depois de me relatar a visão que ele tinha tido, me dissera que estava com vontade de comer pizza com coca-cola, e mesmo consciente de ele não poderia comer o que havia pedido, devido a sua debilidade física estando quase 30 dias sem comer nada, diante daquela que ele me contou, eu tive certeza de Deus o havia curado, contrariando todas as recomendações e procedimentos médicos hospitalares, eu comprei o que ele havia me pedido, quando cheguei, ele pediu para sentar na cama, coisa que há muito tempo ele não fazia.
Quando chegaram meus parentes de algumas cidades do interior do estado, que estavam preparados para encontrar um corpo para ser sepultado, ao entrarem no quarto se depararam com Vinícius sentado na cama comendo Pizza com Coca-Cola, ficando todos surpresos com a melhora instantânea de Vinícius que os recebera sorridente como se nada tivesse acontecendo com ele.
Os médicos quando chegaram e viram-no comendo aquilo, ficaram furiosos, e pra mim nada mais importava, pois eu tinha certeza de Deus tinha ouvido as nossas orações e que meu filho estava curado por um milagre.
Até este dia ele havia passado por cinco cirurgias, e nenhum destes exames conseguiu descobrir que as bactérias estavam alojadas em sua perna esquerda, num tumor benigno, após este dia foi detectado o tumor, feita a cirurgia no local, ficou mais 15 dias em observação e a cada dia que passava Vinícius se recuperava mais e mais, não dava mais febre nem vomitava o que comia, e todos aqueles diagnósticos médicos de que havia derrame na veia horta, no fígado, de que seus rins estavam contaminados pela infecção bacteriana e já haviam marcado uma cirurgia para o segundo pulmão, inclusive de que talvez fosse necessário colocar uma válvula no coração dele, quando fizeram outros exames, tudo dava negativo e dispensado todos estes procedimentos.
Assim, aquele menino que adoeceu no dia 10 de abril de 1993, saía caminhando sozinho do hospital no dia 27 de Maio, indo pra casa com apenas um dreno no local das cirurgias.
Já passaram 16 anos desde que Vinícius foi acometido pela temível bactéria, desde que ficou curado, ele voltou a ser uma criança saudável, ativa e hoje na plenitude de seus dias sempre na presença do Senhor só tem tido alegrias na sua vida, terminou seus estudos, casou-se, tem um filho e a mais recente vitória, de uma semente plantada por seu bisavô Izídio Paes a mais de 100 anos quando o mesmo dedicava todos os seus dias e toda sua geração ao Senhor, ele terminou seus estudos teológicos, é um Pastor evangélico atuante na cidade de Duque de Caxias-RJ .
A religiosidade implantada na família pelo saudoso Izídio Paes, até os dias de hoje não tem deixado de operar em sua geração, ele foi um dos fundadores da Igreja Batista de Murundu, foi doador do terreno onde está localizada a Igreja Batista de Guarataia, e uma outra Igreja Batista foi organizada recentemente, no mês de Julho, na localidade de Paraíso, que fica entre Guarataia e Murundu.
Construída como congregação da Igreja Batista em Murundu, onde toda família Paes congregava, o nome Memorial quando foi organizada como Igreja, foi um pedido da neta Cleuza e outros descendentes, em memória a Izídio Paes que foi doador do terreno e ajudou a executar a primeira construção, hoje modificada e ampliada.
PREOCUPAÇÃO E ZELO COM A FAMÍLIA
O Genro Irineu possuía um pequeno pedaço de terra onde trabalhava com seus filhos, então o velho Izídio depois que construiu a casa da Pedra, mandou chamá-lo e disse: “Seu Irineu, (como ele tratava o genro), a terra que você possui é muito pequena para você trabalhar e sustentar sua família, eu vou doar, ainda em vida, a parte de que caberá como herança depois da minha morte a minha filha Júlia, com quem você se casou para você juntar com a terra que tem e poder aumentar a sua lavoura”.
As dificuldades na época eram muitas, e alguns contavam que quando Júlia casou-se com Irineu Bem vindo, ela levou apenas um malão, que na realidade era uma grande caixa com tampa, onde eram colocadas roupas de cama e pessoais, Irineu havia construído uma casinha feita com telhado de palha de pindoba, as paredes eram feitas de bambu trançado e amarrado com cipó, revestidas de barro, a mobília era uma mesa feita com algumas tábuas, pregadas em cavalete fincado no chão batido, que servia como piso, a cama era feita do mesmo jeito, fincada no chão, com alguns barrotes para suportar as tábuas, onde era colocada uma esteira, na cozinha um fogão de lenha feito em cima de um cavalete também fincado no chão.
A casa em que Júlia foi morar, não era muito diferente da que Izídio morava com seus nove filhos, que ficava onde hoje existe a casa de Juca e a casa que Irineu e Júlia construíram para viver com seus filhos, a casa deles era feita de estuque também, a casa melhor foi a que Izídio Paes construiu sobre a Pedra.
Mesmo com todas estas precariedades, as pessoas encontravam felicidades e alegria em viver, portanto Júlia e Irineu viveram felizes até seus últimos dias com seus 12 filhos, na propriedade que seu pai doou pra ela.
Júlia foi acometida de mal de Alzheimer, onde viveram alguns longos anos em estado vegetativo, Irineu e suas filhas cuidaram dela com todo carinho e dedicação mesmo acamada, até os seus últimos dias de vida.
Este mesmo pedaço de chão que pertenceu a Irineu Benvindo, é mantido pelos seus filhos José (Juca) e Izaque que adquiriram as partes dos outros herdeiros e moram no local onde nasceram.
VELHICE E A MORTE DE IZÍDIO
Izídio Paes mudou para sua nova casa quando ele tinha cinquenta e poucos anos, e nesta casa ele pode viver o esplendor de sua melhor idade.
Nesta casa muitas coisas aconteceram, o suicídio de sua filha Ester, a queda de Faride com apenas 3 aninhos de idade, depois de estar brincando de maneira descontraída dentro do quarto, com uma de suas bonecas de pano, feito por sua mãe, de repente o vento fechou a porta, ficando a mesma trancada por dentro, sem saber o que fazer, como antes morava numa casa baixa, não exitou em subir na janela e pular de uma altura com aproximadamente 3 metros de altura, caindo sob o terreiro de pedra, ficando bastante machucada.
O velho Izídio gostava de se deitar depois do almoço, numa esteira que ele costumava colocar do lado de fora da casa, debaixo das janelas e durante estas tardes ele gostava de contar causos, sua origem Italiana, a convivência com seus pais para seus filhos menores e seus netos.
Enquanto isto Mariana fazia renda de bilrros para enfeitar os vestidos de suas filhas e netas, ou cozinhar o mangalô/guando que seu esposo Izídio catava durante a semana, este era um prato especial que ela gostava de fazer para o marido, já o restante rotineiro da comida ela deixava por conta de Ganinha (Ana Maria) e Jamila (Gemima) prepararem, pois a mãe não podia ficar muito tempo de pé, por causa da artrose que ela tinha nos joelhos e tornozelos.
Mariana sempre que podia, gostava de fazer uma caminhada, descendo a Pedra até a casa de Juvenil, que ficava no caminho da congregação, depois de se descansar um pouco, caminhava um pouco mais até a casa de sua filha Faride, nestas caminhadas ela levava para cada um destes filhos, uma lata quadrada que acondicionam óleo de soja, cheia de galinha ensopada, bem temperada com pimenta do reino.
Em 1963 Izídio começou a adoecer, foi para a beneficência Portuguesa em Campos onde ficou internado por três Meses, neste tempo fez vários exames tirou vários raios-X sendo acompanhado pelo doutor Olegário Gomes, porém faleceu no hospital dos Plantadores de Cana. Foi trazido para a casa da pedra na ambulância do próprio hospital em 15/08/1963, foi velado na Casa da Pedra e enterrado no Cemitério de Vila Nova. Faleceu com Câncer no fígado aos 77 anos.
A maioria dos parentes entre filhos e netos estavam em seu enterro onde entoaram o hino do cantor Cristão ______________ .
NOVA CASA DE MARIANA
Por causa da dificuldade que ela tinha para andar e descer as escadas, por causa de uma artrose ela tinha nos joelhos, o velho Izídio mandou construir de tábua, uma rampa com um corrimão para ela se segurar, de aproximadamente quatro metros, e poder sair do corredor que interligava a sala e os quartos da casa até a cozinha.
Depois da morte de Izídio Paes, Dona Mariana exigiu que os filhos construíssem uma casa baixa, sem nenhuma escada, porque a casa da pedra tinha as escadarias para ela descer.
A exigência dela foi cumprida, seus filhos construíram sua nova casa próximo do valão que passa nos fundos da antiga Congregação Batista, e ficasse mais perto e ela poder ir até a congregação, hoje denominada Igreja Batista Memorial em Guarataia.
Ela ficou um bom tempo hospitalizada, depois outro longo período imobilizada por um aparelho que possuía um peso fixado num parafuso introduzido em sua perna, quando saiu do hospital, ela ficou um período na casa de Zezé, filha de seu irmão Zeca, que morava na cidade de Campos, ela faleceu por complicações desta queda, causa da morte Derrame.
Resumindo, na casa em que Dona Mariana passou a viver, sem nenhum degrau, ela sofreu uma queda, quando numa madrugada, um porco empurrou a porta e adentrou na cozinha, ela levantou-se no escuro para ver o que estava fazendo barulho em sua cozinha, e por este animal foi derrubada, tendo quebrado a bacia.
ONDE NASCERAM E VIVERAM
Na região viveram as famílias formadas por Felipe no caminho que vai para a concha, Júlia na localidade de Palma na Colônia, Elias e Paulo, moravam próximo da casa da Pedra e da Congregação Batista onde também Faride morou e hoje mora seu filho Epitácio Júnior, já o filho José morou uma boa parte de sua vida, mais distante de Guarataia, próximo de Murundu.
Paulo, quando formou família, morou na casa que existia cercada pelas mangueiras, próximo da casa de Elias, na parte mais alta, no antigo caminho que ligava a Casa da Pedra até a Congregação, passando pela vargem (parte baixa da propriedade).
Antes de sua morte o velho Izídio construiu uma casa nova para seu filho Paulo, que a vendeu para seu primo Juarez Tavares, logo depois da morte de seu pai, que atualmente pertence à Ernane Tavares, localizada nos fundos da Igreja Batista.
Assim, Paulo (Juvenil) mudou-se para Vila Nova, para uma casa que adquiriu de Rafael Gomes, em 1978, Paulo (juvenil) mudou-se com toda sua família para Campos, onde viveu até os seus últimos dias de vida trabalhando na Recauchutadora Real.
O sítio onde está localizada a Casa da Pedra, atualmente pertence aos herdeiros e a viúva do filho José, que aproveitou sua parte da herança anexada a outras que ele com seu espírito empreendedor adquiriu de seus irmãos.
O EPISÓDIO DA COCA COLA
Este costume acolhedor de tradição familiar, continua pela tradição hereditária, desde que Henrique mudou-se para Piúma, ele mantém sempre aberta as portas de sua casa para muitos amigos e parentes que o procuram, e para não ficar distante dessa tradição familiar, sua esposa até parece ser filha da sogra, ela também se acostumou a ver sua casa cheia nos feriados e finais de semana, por muitos amigos e parentes do casal.
Um relato interessante das dificuldades que todos nós um dia passamos, pela origem de nossa origem humilde, ele conta que mesmo trabalhando na roça, ele muito se orgulha do exemplo que seus pais lhe deixaram, Epitácio e Farid sendo pessoas simples e de poucos recursos, se orgulhavam de acolher a todos que chegavam a sua casa, e na maioria das vezes, quando a visita ia embora, sua mãe buscava uma galinha gorda, um pedaço de carne de porco, em muitos casos um pouquinho de feijão para que eles levassem, e um motivo de orgulho, com Henrique, que apesar das dificuldades, da vida simples na roça, com uma renda familiar apertada, nunca faltou o pão, e seus pais conseguiam sempre manter alguns sacos dos principais alimentos, como arroz e feijão.
Comenta ainda que um determinado período ele recebeu em sua casa, uma conhecida da cidade de Campos, apresentada por alguns amigos que passava por alguns problemas espirituais, e aquela moça depois de alguns dias hospedada em sua casa, observando seu comportamento alimentar, fez o seguinte comentário, “ você não acha que beber muita Coca-Cola, pode fazer mal a sua saúde”, e com seu jeito humorizado que ele gosta ao fazer um comentário, respondeu “minha filha, eu tive uma infância de muitas dificuldades, a gente tinha que estudar na Vila, uns seis quilômetros de nossa casa, ficávamos felizes quando conseguia dinheiro para pagar a passagem no ônibus, se não tinha que ir de Bicicleta, e na hora da merenda, a gente ficava olhando os colegas lancharem, saboreando uma garrafinha de Coca-Cola na cantina da escola, e a gente que era mais pobre, chegava lamber os beiços, que é como a gente diz lá na roça, porque não tínhamos dinheiro para tomar Coca-Cola, e Deus tem me abençoado ao ponto de nos dias atuais, eu inclusive poder oferecer aos amigos que me visitaram, então não reparem não, deixa eu beber a quota de Coca-Cola que eu não tive condição, quando era criança” E todos deram boas gargalhadas.
VIAGEM INESQUECÍVEL
O dia sete de setembro de 2009 vai marcar uma nova fase na reconstrução da história da família Tavares Paes, sabem que no passado Elias e Felipe falavam nos seus últimos dias de um sonho que eles tinham de reconstruir a história da família, falavam inclusive de conseguirem chegar à origem do Italiano Francesco Muleu, pai de Izídio Paes, eles se foram e no ano de 2008, um neto de Elias chamado Gabriel, filho de Marilene, que ao ouvir de seu avô Elias as muitas histórias que ele contava, cresceu com este espírito conservador e pensava de um dia voltar ao tempo, pesquisar, anotar e reescrever esta história prova disto foi quando ele visitou a casa da Pedra no ano de 2000 e lá ele conseguiu fazer a maioria das fotos que fazem parte desta história, fotos estas que serviram sete anos mais tarde para ele começar a fazer este trabalho, e infelizmente hoje não seria
Foi durante o aniversário de Eliza, viúva de Felipe, que Gabriel aproveitou a oportunidade de muitos parentes mais distantes presentes naquele acontecimento em Duque de Caxias, para começar suas pesquisas, o seu empenho foi tamanho que chegou ao conhecimento de Paulinho filho de Juvenil, que também pensava do mesmo modo que Gabriel, da importância de não deixar cair no esquecimento, principalmente depois que os mais velhos ainda vivos (Ganinha, Faride, Ernane, Eliza, Maria da Penha) e muitos outros que tiveram a oportunidade de serem testemunhas daquela época, e tendo Paulinho vivido sua infância até os seis anos, junto com seu avô Izídio, decidiu entrar neste movimento de reescrever a história junto com Gabriel.
Aproveitando a tecnologia da Internet, o número de pessoas alcançadas tem crescido a cada dia que se passa, e havendo necessidade de se fazer uma viagem no passado, levando Gabriel a passar por alguns lugares onde a família viveu, Paulinho foi até a casa de Gabriel, convidá-lo a fazer esta caminhada juntos, no dia quatro, ele chegou a Cabo Frio onde Gabriel mora, primeiro foi difícil convencer Marilene a deixar o filhote de dezessete anos a seguir o trajeto, dia cinco eles saíram de Cabo Frio, passaram em Macaé na casa de Elcio, filho de Juca e Creuza, chegaram a Campos a noite e se dirigiram até a casa de Faride, para uma grata surpresa, Faride estava esperando uma visita, por ocasião de seu aniversário, uma caravana vinda de Guarataia, e lá chegaram a um Micro ônibus, mais de trinta pessoas, a maioria parentes e amigos dela, transformando o encontro que seria apenas com ela e seu esposo Sr. João, num encontrão.
Dia seis, depois de dormirem na casa de Maria da Penha, viúva de Juvenil, eles seguiram pela manhã de ônibus até Guarataia, porque o ônibus voltava de Vila Nova, eles chegaram à casa de Marli, filha de Juca e Creuza para tomarem um café e conseguirem uma bicicleta, que os levassem ao destino.
Para uma grata surpresa, na casa de Marli, estava sua prima Raquel, que é mãe de Pedro Henrique, o primeiro TETRANETO do casal Izídio e Mariana, mas um ponto importante para registro desta nova fase da história, na casa da prima tinha apenas uma bicicleta, e Paulinho aproveitando a chegado do amigo da velha guarda, vizinho de Marli conhecido como Quem quem, para conseguir a segunda bicicleta.
E rumaram para Guarataia, primeiro foram parar na casa de Izaque onde haviam sidos convidados para almoçar, pois Izaque e a esposa estavam na caravana na casa de Faride, proseiam bastante, Paulinho que viveu uma boa parte com seus tios Júlio e Irineu, pode contar e relatar para Gabriel alguns detalhes e lugares onde as coisas aconteceram, logo depois Juca chegou a casa, e uma série de novas histórias eles puderam reviver.
Juca logo ao ver o primo Paulinho, recordou emocionado de seu tio Venil, do carinho, da atenção e dos muitos favores que seu tio fazia sempre que ele precisava do tio, inclusive ao relembrar que Creuza sua esposa passou seus últimos dias de vida na casa do tio, e foi tamanha emoção.
Uma série de fotografias foi feita nos locais onde a história da família praticamente começou, pois conforme já relatado, onde hoje pertence a Juca e Izaque, foi aonde a maioria dos filhos de Izidio Paes nasceram, e quando eles se mudaram para a casa da Pedra que ele construiu, Faride a caçulinha da família, tinha apenas três anos de vida.
Depois do almoço, a dupla caminhou de bicicletas a casa de Júnior, casa esta onde Faride e Epitácio criaram seus filhos até quando ela ficou viúva e se mudou para Campos, mais uma série de fotos foi feita em diversos locais onde existiam várias casas de Juvenil, Elias e a última asa de Mariana, onde ela viveu, e com ela morou o sobrinho Alcir, filho de Chica, e depois José Ailton, neto de Chica, fazendo companhia e ajudando Dona Mariana até os seus últimos dias de vida.
A tarde foi um pouco chuvosa, eles foram até a casa de Adenildo, encontrar com Malvelita, viúva de Edgar Tavares, sobrinho de Mariana para pegar algumas fotos, e ao chegarem encontraram-se com três filhas de Adenildo que parabenizou Gabriel pelo trabalho e pelas fotos de seu bisavô Amaro Tavares que elas não tinham, só ouviam falar e não o conheciam por fotografia.
Dona Malvelita pode falar um pouco sobre a morte de seu filho Admardo, num acidente em que morreu sua esposa, sua filha e seu cunhado também, enfim uma tragédia na família, e muito tranquila pode falar de sua tristeza e de sua emoção durante o velório, quando seus filhos estavam muito preocupados com a sua reação diante dos quatro corpos que estavam na Igreja Batista de Vila Nova, quando ela pode dizer para seus filhos que estavam desesperados com a tragédia, “meus filhos, foi Deus que me deu e somente Deus é quem pode tirar estas vidas, sabemos que a tragédia abalou todos nós, e temos que nos conformar com o destino da vida que Deus reservou pra gente.
A noite a dupla participou do culto na Igreja Batista, cujo terreno foi doado pelo casal Izídio e Mariana, o aonde ele evangelizou não só a sua família, mas boa parte da comunidade de Guarataia, inclusive a maioria da Família Tavares.
Depois de pernoitar na casa de Epitácio Júnior e sua esposa Perla, filha de Wilson Paes, a dupla rumou de bicicletas a percorrer o caminho que constantemente era feito por seus antepassados, seguiram rumo à localidade chamada Colônia, passaram pela Água Comprida, local que no passado, Paulinho teve a oportunidade de atravessar dentro da água que banhavam cerca de 80 metros da estrada, puderam beber água na nascente ainda existente na formação deste córrego d'água, pois hoje onde havia uma trilha para pedestres, for alargada e feita uma estrada, desprezando a passagem que ficava banhada pela água, que deu nome ao lugar “Água Comprida).
Saindo dali, seguiram em frente até a estrada da Palma, rumando na direção de Chave do Paraíso, lá chegando encontraram a prima Elza, filha de José e Doralice, que estava acordando, ela insistiu que eles chegassem a sua casa, pois ainda dormindo estava sua mãe Doralice, mas por causa do pouco tempo, apenas conversamos com Lucas, filho de Elza que queria conhecer Gabriel para entrar nesta corrente de pessoas que hoje somam um bom número de pessoas engajadas, principalmente os que são descendentes da quarta e da quinta geração, que tem curiosidade e vontade de conhecer um pouco mais do passado.
Depois de conversar com Lucas e Elza, a dupla rumou até a casa de Elielzi, filha de Faride, lá encontramos além de seus filhos, mais duas parentes bem distantes, são as netas de Almir, tataranetas de Cotinha, irmã de Izídio Paes.
Depois de um reforçado café com banana cozida, a dupla retornou a casa de Epitácio Júnior para pegar a bagagem e retornar até Vila Nova, fotografando muitos lugares por onde a família caminhava como a estrada velha, a parada de Trens em Guarataia e muito mais, inclusive o local onde aconteceu o acidente com o caminhão de José Paes, cheio de gente eu estava vindo de um culto de aniversário da Igreja Batista de Vila Nova.
Já em Vila Nova, a dupla foi até a casa de Joel e Mariquinha que estão acamados, depois até a casa de Almeidinha para uma longa entrevista, na casa de Eliane Tavares, encontrando com Bebeca, que na sua juventude trabalhou para Izídio e morava na casa de Juvenil, tendo ele carregado Paulinho no colo.
Também encontrando com José Ailton que foi criado pela tia Mariana, as visitas continuaram na casa de Alcemir, neto de Cotinha, na casa de Elza, sobrinha de Mariana Tavares e finalizando na casa de Ernane e Carmelita, todas estas visitas em busca de uma foto do presente e algumas fotos do passado que um deste pudessem ter guardado no fundo do baú.
Retornando para Campos no último ônibus do dia sete de setembro, para grata surpresa, na casa de Maria da Penha, lá estavam as irmãs Ganinha e Faride, as duas últimas filhas do casal Izídio e Mariana, ainda vivas, acompanhadas com seus esposos, e finalmente este dia foi encerrado com esta foto histórica.
No dia oito, a dupla seguiu até a casa de Laerte Paes, o único filho de Inácio, e sobrinho de Izídio ainda com vida, morador na cidade de Campos, no bairro Aeroporto, e infelizmente ele não estava em casa, tendo Gabriel retornado para Cabo Frio e Paulinho para o Espírito Santo onde mora com sua família.
Já quase finalizando esta viagem ao tempo acima relatada, dentro do ônibus que nos conduzia de Vila Nova até Campos, entrou na localidade de Travessão, um rapaz vendedor de marcadores de página, com versos bíblicos, e um dos assuntos que estavam sendo discutidos por Paulinho e Gabriel durante estes dias, sobre a organização e realização do primeiro encontro da Família Tavares Paes, seria encontrar um tema, que fizesse menção a todo este movimento, e por uma providência de Deus, quando o rapaz passou pela gente, estava escrito nas costas de sua camisa, “FAÇO PARTE DESTA HISTÓRIA”, foi quando Paulinho mostrou a Gabriel e disse, leia o que está escrito naquela camisa, e realmente era a frase certa para resumir todo este movimento, e a partir daquele momento, este tema passou a ser incorporado.
Para se informar ou pouco mais sobre a NOSSA GRANDE FAMÍLIA, pesquise outras informações e comentários nos endereços eletrônicos indicados abaixo:
O PRIMEIRO ENCONTRO EM GUARATAIA
FAÇO PARTE DESTA HISTÓRIA, esse foi o tema do primeiro encontro da família Tavares Paes, realizado em Guarataia nos dias 03, 04 e 05 de junho de 2010.
Muitos de nossos antepassados sonhavam em um dia reunir todos os nossos familiares, hoje Gabriel, Paulinho e muitos outros se juntaram para tornar este sonho numa realidade. Obrigado Senhor!
O sonho de um dia reunir toda a família, onde todos juntos pudessem conversar sobre o passado, voltar um pouco as nossas origens, enfim chegou esse dia, e tudo é para a Glória do Senhor porque foi Deus quem permitiu e permite todas as coisas em nossa vida.
Ele nos usa como instrumento em suas mãos, sabemos que é o Senhor que nos conduz e este tempo chegou, e nós estamos muitos felizes porque isto é algo de Deus, isso estava no coração do Senhor, e com o Senhor nos direcionando hoje nós estamos aqui.
Quantas pessoas sonharam com esta realidade, às vezes a gente fala que a gente só tem se encontrado em momentos tristes, no velório de alguém, mas hoje estamos vivendo a alegria de estarmos aqui reunidos juntos, nos confraternizando, louvando e engrandecendo ao Senhor.
E tudo isto é para vermos o milagre de Deus realizando obras grandiosas que ele tem pras nossas vidas, e podemos crer que tem promessas que ele fez aos nossos antepassados que eles não viram, mas que o Senhor está realizando hoje em nossas vidas.
Isso pra nós é motivo de muita alegria, e saber que as promessas que o Senhor fez no passado que os que já se foram não viram, mas que o Senhor realiza hoje em nossas vidas.
Isso pra nós é motivo de muita alegria, de saber que promessas feitas no passado, estão se cumprindo em nossos dias, e nós estamos fazendo parte desta história, sendo usados por todas as maravilhas que o Senhor tem feito.
E muito mais Ele tem pra fazer em nossas vidas, e assim que cada um de nós possamos sentir no coração o desejo de viver mais e mais perto do Senhor, e saber também que através de nossa geração, que o Senhor esteja realizando grande obra de salvação no coração daqueles que estão precisando aceitar o Senhor Jesus como seu salvador. (Abertura feita por Vanda Tavares)
O Pastor Zorobabel disse: tenho orgulho de ser um pregador do evangelho, e que uma das boas coisas que aconteceu em sua vida, foi de ter chegado e conhecido um lugar chamado Guarataia.
Disse ainda que ficou preocupado quando alguém lhe dissera para tomar cuidado que ele estava chegando a uma tribo, e era pra tomar muito cuidado, disse que se sente muito feliz porque não encontrou uma tribo, encontrou um povo de Deus, onde ele pode aprender muito com povo do lugar.
Onde teve o privilégio de iniciar sua carreira como pregador do evangelho, tribo esta que lhe deu uma esposa e uma família maravilhosa, lugar este que aprendeu a amar, junto com toda gente com toda igreja.
Pastor Adiel relatou que: poucas são as famílias que se propõe a realizar um culto a Deus, trazendo todos os seus para cantar, louvar e orar a Deus, demonstrando aos amigos e vizinhos que são povo e filhos de Deus, esta é uma grande família, se todos estivessem aqui, esta casa não comportaria todos para louvar e engrandecer o nome de Jesus.
Doralice relatou sobre os corais de 50 anos atrás, Pr Cássio Pessanha foi um dos grandes regentes na sua época, depois veio o irmão Manoel Ferreira, que foi casado com Cirene filha de José Gomes, foi responsável pelo coral de adultos e das crianças de 12 e 13 anos também.
Ela lembra de sua alegria ao ouvir seus filhos cantando e ensaiando em casa, os hinos por ele ensinados na Igreja, as meninas faziam o soprano e o contralto, enquanto que os meninos faziam o tenor e o baixo, depois foi a vez de Creuza que era uma regente especial, ela regia o coro formado por jovens e adultos, ela e os irmãos dela faziam parte com os outros primos, formando um coro muito bonito, hoje ela está na glória, mais também deixou sua marca registrada com muita competência e dedicação aqui em Guarataia.
Débora filha de Mocinha, falou de muitas recordações de sua infância em Guarataia. Seu esposo César lembra dos bons momentos de convivência que teve no período que namorava Débora e vinham para Guarataia nos períodos de férias, lembra ainda que Guarataia foi a primeira região de roça que ele conheceu, lembra com saudade do futebol que ele participava junto com Isaque e de muitos outros que ele não se recorda dos nomes.
Débora ainda fala da imensa alegria de estar entre os amados irmãos, amigos e parentes e da saudade do lugar, recorda que a última vez que teve em Guarataia, foi no velório de pai Veio, seu saudoso e querido avô Irineu Benvindo.
Lamenta a tristeza e a dor no coração ao lembrar de sua querida mãe que havia falecido há pouco mais de 15 dias, fala inclusive que da dificuldade que tem até de falar pela dor da perda, mas a alegria de estar fazendo parte no encontro, ao rever tantos amados que há muito tempo a uns quarenta anos não se viam, de reencontrar seus tios e outros parentes.
Ela diz que em alguns momentos, até se esquece do sofrimento e tristeza pela dor de sua mãe, tanto ela quanto seu pai e seus irmãos sentiram muito a falta de Jocília, mas a certeza de que ela está no céu é o conforto, e se estivesse presente estaria muito feliz ao rever todos os seus amados.
Lembrou com muito saudosismo e descontração entre todos, da campainha do tio Felipe, ou seja era uma campainha que existia na congregação de Guarataia, que tio Felipe não hesitava de tocá-la quando faltava-lhe o silêncio nos cultos, lembra ainda da talha de barro que ficava na parte de trás da Igreja, e do barulhinho que a caneca de alumínio fazia quando a água estava chegando ao final.
Faride Lembra que: quando a família se mudou para a casa da pedra, ela tinha apenas dois anos, e como criança tinha muito medo de ventania, por ser uma casa construída no alto da rocha, as crianças tinham medo de que o vento derrubasse a casa, e seu pai dizia que a casa construída sobre a rocha, o vento não derrubava.
Lembra de sua casa em Guarataia, que quando ela morava lá desde que se casou com Epitácio, no período de férias, as crianças do Rio, filhos e netos de seus irmãos e primos, vinham todos passar as férias em Guarataia, e sua casa era o ponto de referência.
Ela e seu saudoso esposo Epitácio, acolhiam a todos com muito carinho, e mesmo tendo uma vida sem muitas posses, o que tinham era compartilhado com todos que lá chegavam, a afirmar com clareza, que “Deus nunca deixou faltar nada pra nós”.
A caixa d'água era enchida com uma bomba manual, e se a bomba não desse conta a caixa era cheia com baldes d'água, com seus filhos e visitas carregando água, ficava alguém em cima duma escada, recebendo os baldes d'água para encher a caixa, e garantir o abastecimento da casa, tinha dia que a caixa era cheia de três a quatro vezes para atender a todos que precisavam tomar banho.
Os Pastores que vinham de fora para pregar em Guarataia, tinham como referência a sua casa para se hospedarem, alguns vinham de mais longe chegavam a ficar de dois a três dias em sua casa, conclui que era muita luta, mas tudo era feito com muita alegria por toda a sua família, porque estavam fazendo para a obra do Senhor, por isso tudo agradeço muito a Deus pelo que Deus fez no passado e tem feito em nossa família, somos pobres mas uma família feliz estas bênçãos.
Muitos outros comentários foram feitos pelos mais novos, que finalizando Vanda afirmou na despedida que muita gente pensou e sonhou de um dia realizar o encontro da família, mas foi uma coisa de Deus, levantar um rapaz ainda tão jovem chamado Gabriel, chamado de maluco por muitos que não acreditaram nas suas ideias, que depois encontrou Paulinho, que foi chamado de maluco também junto com Gabriel, porém já maduro e com mais experiência de vida.
Mais Deus abençoou estas duas pessoas iluminadas, que não desistiram das caras feias que encontraram, não desistiram das dificuldades que passaram, pois os dois sem dinheiro ou recurso qualquer para um evento de tal envergadura, acreditaram primeiramente em Deus, nos seus ideais, e a fé foi levada adiante que com o empenho destes dois, outros foram se ajuntando, foram contribuindo e nosso encontro que parecia impossível, aconteceu, damos graças a Deus por isso, e pela vida de vocês dois Gabriel e Paulinho.
Muitas foram as surpresas em nosso primeiro encontro, tantas foram que quase toda programação prevista fora modificada com a chegada do Pastor e ex-padre Lindberg Carvalho, neto de José Carvalho, conhecido como tio Zeca, também da palavra de Débora de Mocinha, da formação do grande coral, a programação foi estendida para a parte da manhã da sexta, manhã de sábado e somente no domingo é que o encontro foi encerrado.
A presença do Pastor Lindberg foi uma das surpresas agradáveis, além de seu depoimento transcrito abaixo, também foi convidado a ser o orador oficial da noite de sábado, com uma bela mensagem que consta nas gravações do DVD do encontro.
“Meu nome é Lindberg Carvalho, sou duplamente da família, biológica e espiritual, a minha mãe que já está com o Senhor, tenho certeza que ela estaria muito feliz estivesse aqui hoje, apesar de eu estar conhecendo a grande maioria absoluta aqui hoje, a gente fica quase que emudecido.
Minha mãe chamou-se Enete, filha de seu Zeca e dona Mariana, ela era irmã da tia Zezé aqui presente que abaixo de Deus está me proporcionando esta alegria de estar aqui hoje, obrigado tia Zezé, eu moro a 3.300 km daqui, estou no norte do Mato Grosso e meu irmão me ligou na semana passada e falou, Lindberg tem um encontro da família e você tem que estar lá.
Imagine a gente sair do Mato Grosso, a gente que tem negócios lá, é difícil e complicado a gente se organizar numa semana e sair de repente assim, mas eu confesso pra vocês que eu fiz o meu melhor e Deus me permitiu minha presença aqui. E eu estou assim, em estado de êxtase, de estar aqui, de conhecer meus primos, primas, fica indizível, só tem uma coisa que foi covardia, que quando eu entrei aqui hoje pela manhã, tem ali no programa um pedido muito difícil, que não vale chorar, e como não chorar?
Hoje de manhã eu vi só choro, eu estava falando com tia Zezé, eu tenho sentido como se tivesse numa H-Stern, só diamantes, numa joalheria muito preciosa. A palavra de Deus fala sobre o povo de Israel, quando Deus fala, Israel eu hei de te ajuntar, como a galinha ajunta seus pintainhos, e eu tenho percebido Pastor, que Deus está unindo e juntando nossa família.
Em 48 foi um brasileiro que deu seu voto minerva para que Israel se transformasse em nação, e quando entrei aqui hoje, a vontade de que minha mãe estivesse aqui era muito grande, pra assinar aquela lista de presença, e eu me recordei que lá no céu vai ter uma lista de presença, e para adentrar ao céu vai ter que nossos nomes estarem escritos lá para que nós possamos ter acesso.
Aqui não, basta que você entre para assinar o seu nome, mas lá no céu tem que ter os nossos nomes inscritos no livro da vida, e para isso acontecer são necessárias algumas coisas.
O Pastor ele não fica nervoso pra falar, mas é diferente, eu achava que nunca passei por isso, eu achava que eu estava inscrito no céu, achava que meu nome estava lá, aqui nós estamos em família e eu posso aqui contar.
Eu venho de uma família era evangélica e pra falar a verdade eu não sabia que tinham tantos evangélicos assim, e minha mãe também evangélica, mulher de Deus, que entrou num casamento tumultuado, meu pai achava-se convertido, dono extremo da verdade, e aqueles parentes que estão mais próximos sabem que minha mãe sofreu muito no casamento.
Mas pra você entender o que aconteceu comigo, e eu apesar de ter conhecido o evangelho quando criança, assim que minha mãe faleceu, eu sai da minha casa ainda adolescente e fui para o meio de uma família católica, não porque meu pai não tivesse condições não, mas foi uma oportunidade que eu tive de tanto sofrimento que eu vi.
Qual o filho que vendo em casa, você que é pai, mãe preste bastante atenção nisso, hoje em dia tem até programa de televisão para ensinar a educar filho, a tia Nani na televisão, pasmem ao ponto que chegamos: Programa de Tv ensinando a ser pai, a ser mãe, ensinando filhos a serem obedientes.
E eu cresci revoltado, por ver minha mãe sofrer, nunca houve agressão física, mas nós ficávamos revoltados de ver um pai crente entre aspas, e aquela revolta minha, me levou a ter revolta de crente.
Eu fui para uma família católica e talvez no meu inconsciente, como se fosse uma vingança, eu fui para um seminário católico, e fui ordenado Padre (aos prantos ele continua).
Graças a Deus que a minha mãe não teve este desprazer porque ela já havia falecido, e eu rezava missas, tomei contas de duas paróquias por cinco anos e oito meses, eu rezava missas que também ojeriza crentes.
Eu tinha amizade com espíritas, sabe tudo aquilo que foi formado, todo conceito cristão, evangélico que foi formado dentro de mim, as agressões dentro de casa, pelo fato de eu não poder externá-las, aquilo estava como uma panela de pressão a explodir, e eu me tornei Padre.
E achava eu que meu nome estava escrito no livro da vida. Mas eu quero que você saiba de uma coisa, se tem alguém aqui nesta noite que porventura esteja afastado do caminho de Deus, ou talvez você pensa estar perto de Deus, e quem sabe Deus esteja tão longe de você, eu estive afastado, eu vivi assim.
Sei que tem alguém nesta noite que está longe de Deus como eu estive afastado, que não vive uma intimidade com Deus, achei muito bonito quando hoje aqui pela manhã, o Pastor (Henrique) falando, ele fez aqui uma metáfora, quando disse:
O Presidente você pode conhecer, saber muito bem o que ele é, conhecer seus gostos e afins, mas você não tem intimidade, que é o que Deus quer que tenhamos.
Deus não quer que você o conheça, mas ele quer ser conhecido de você, ser íntimo de você, e eu vivia assim, um Padre, revoltado, rezando missas, era um cego tentando guiar cegos, e levá-los a Deus.
A vaidade e o orgulho se apoderou de mim, rezava as missas e muitas vezes eu terminava as missas e ia pra sacristia chorar, porque o vazio de Deus dentro de mim era muito grande, eu chorava copiosamente, com gosto de cabo de guarda-chuva.
A vida tinha pra mim gosto de nada, eu vivia, eu tinha amigos, eu era religioso, mui religioso, com bronca de crente e achava eu, que eu estava caminhando para o céu, como não? Tinha resposta pra tudo...
Voltando ao assunto, você que está afastado de Deus, saiba de uma coisa, uma hora Deus te pegar... porque quando têm na família, pessoas que estão clamando a Deus e orando por você, fique tranquilo, Deus vai te pegar, que este seja um ato profético aqui.
Você tem livre-arbítrio, você é dono do seu nariz, você manda tua alma pra onde você quiser, mas saiba que tem pessoas que clamam a Deus por você, e vezes acontecem coisas na tua vida que você fica indignado, chateado, porque ta acontecendo isso comigo, saiba que é Deus já falando com você através de situações para que você se curve diante do Todo Poderoso.
Foi isso que aconteceu na minha vida, por tudo, petulância, influência no meio político e social da cidade que eu vivia, e longe de Deus. Mas os rogos de minha mãe que já agora na glória.
As orações dela não foram em vão. A Bíblia diz que o Senhor colhe as nossas orações em sua taça, que as nossas orações sobem como fumaça, como perfume as narinas do Senhor, e que o Senhor exala, inspira as nossas orações, as nossas orações, não é heresia Pastor, mas digamos assim, elas trazem vida para Deus.
Às vezes você é mãe, é pai que tá orando e parece que Deus não está ouvindo, parece que o seu problema não tem mais solução, suas nossas orações são colhidas, não se preocupe como você ora, vocábulos, não... mas na simplicidade da sua oração, quanto mais simples, mais eficaz, a gente às vezes fica procurando nomenclaturas, vocabulários... e sabe o que aconteceu papai do céu na sua sapiência, eu com bronca de crente.
Meu pai depois que ele viu, coitado, na sua ignorância, viu o que ele fez e o que causou a mim, não transfiro pra ele toda culpa, pois eu tenho a minha parcela de culpa também, mas a revolta aonde me levou.
Meu pai saia do Rio, ia pra São Paulo onde eu morava em Novo Horizonte, ele assistia a missa me procurava e assim ele dizia: - Deus vai te salvar, e eu com respeito a ele, eu não o contrariava, nas orações, papai do céu me dava oportunidade e sabe o que aconteceu?
Deus não me tirou do catolicismo para vir para uma Igreja Evangélica não, pois eu sempre fui crente, mas sabe o que foi que Deus fez? Fez-me apaixonar-me por uma pessoa.
Num belo dia eu estava na cidade de Araçatuba-SP, onde eu tinha um restaurante, eu conheci uma moça, e foi assim, amor à primeira vista, eu a olhei, ela me olhou, eu baixinho barrigudinho careca, não sei foi coisa de Deus, acho que Deus fez um Fotoshop na hora de mim, porque a moça se encantou.
E era uma morena de olhos verdes de fechar o trânsito, e ela falou comigo, eu quero te ver amanhã, isso era no sábado, e no domingo eu tinha duas missas em outra cidade, e eu a disse, eu não posso, e eu não queria falar que eu era Padre também, me encantei por aquela menina...
Mas tudo era um plano de Deus, e Deus às vezes, Ele pra te quebrar, Ele toma tua vida da forma como você nem percebe, da mesma forma que satanás às vezes pra nos afastar de Deus, ele usa meios sorrateiros, formas sorrateiras sutis, e às vezes atrativas até.
E a gente vai se relaxando até que a situação caótica chega, Deus também tem suas estratégicas, e eu queria também conhecer esta moça, e nós nos apaixonamos, resumindo aqui, eu saí da Igreja Católica e fui morar com esta moça e nós amamos perdidamente.
Romeu e Julieta é fichinha perto do nosso amor. E quando estávamos no ápice do amor, aí Papai do Céu falou, agora eu te pego.
Alguns pastores da cidade que sabiam que o Padre Tito, meu nome de ordenação era Tito, Padre Tito tinha largado a batina, todos me procuravam, e eu nunca quis atender a nenhum deles porque eu não queria crente.
E Deus foi dando chance, e a gente às vezes não percebe, e como nós somos cabeça dura, como que às vezes a gente subestima as pessoas, e não percebe o que Deus quer fazer.
Pastores me procuravam e eu não queria conversa, mas sabe o que é que Deus fez, tirou a mulher que eu amava. E quando ele me tirou esta mulher, eu caí em depressão profunda, tenho até vergonha de falar, eu fiquei oito dias sem tomar banho, sem comer, e só bebendo e fumando dentro da minha casa.
Meus amigos mandavam lá, meninas, e eu não queria receber ninguém, pensando em suicídio, em morrer, chorando angustiado, e nesta hora Deus manda Pastor Ramires, um Argentino que mora aqui no Brasil na minha casa, e aquele moço quando entrou na minha sala e me viu chorando, ele disse, eu posso orar por você?
Aí eu falei, pode, aí ele se ajoelhou e chorava mais do que eu e ele dizia, Deus, Deus, tira o sofrimento dele, e eu olhava para aquele homem grande e eu falava, eu não to entendendo porque esse homem sofre por mim, e ele dizia, Deus tira Deus esse sofrimento, e eu olhava e ele chorava e eu nunca senti o amor de Deus tão grande na minha vida, aí ele me abraçou e me levou para uma Igreja, e aí eu comecei a ouvir a palavra e quando disseram na Igreja, quem quer ter Cristo como seu Salvador?
Era difícil para um Padre, dizer que queria Cristo como Salvador com todos os ensinamentos que nós tivemos. Mas no fundo do poço como eu tava, eu não podia dizer não, então eu disse, eu quero esse Cristo.
E a partir daquele momento a tristeza, as respostas que eu não as tinha, as angústias, a depressão, tudo foi embora. Aí eu comecei a seguir a Cristo na Igreja, com o coração ainda muito sofrível, eu comecei a experimentar Cristo, e Jesus não foi do tamanho do vazio.
Mas Ele foi bem maior do que o vazio, ele transborda, ele preenche, e eu quero dizer pra vocês, e não sei se vocês vão entender o que eu vou te falar, eu não to te chamando de ignorante não, talvez falta de você ter vivido o que eu vou te falar:
“Eu sou um homem feliz” eu não to te falando porque tenho momentos felizes, como os que a gente tá com os amigos. Eu moro no Mato Grosso, numa região de pecuária e agricultura e na região da pecuária é muito comum à gente churrasquear carneiro, um garrote, e a gente quando estar com os amigos é gostoso.
Eu sou feliz, quando passo por momentos difíceis, eu sou feliz, sabe, nada tira a minha felicidade, a minha paz, eu já vou terminar, Pastor fala demais.
Eu tenho uma papagaia lá em casa, a papagaia louva, ela acorda de manhã louvando Jesus, e eu entreguei minha vida a Cristo, e aqueles que são vocacionados a palavra e ao evangelho não conseguem parar, aí eu arrumei uma empresa, tentei fugir, e Papai do Céu me colocou novamente essa incumbência de ministrar a palavra pura, genuína e verdadeira.
Se tiver alguém aqui nesta noite que não conhece, que não tem intimidade com esse Cristo, eu quero te falar uma coisa, resumindo, talvez esteja alguém aqui dizendo, mas Pastor eu aprendi na minha Igreja que o purgatório salva, que a missa salva, eu mesmo quantas missas, não sei quantas eu rezei em favor das almas.
A pedido da dona fulana pela boníssima alma de seu sicrano, rezemos: Senhor escutai a nossa prece, Senhor... trocentas missas eu rezei, velas, intenções a almas no purgatório...
E um dia eu perguntei pro meu bispo, Deus já começando a me incomodar, eu perguntei ao bispo, caiu à ficha aqui, se Jesus morreu na cruz pra nos salvar, porque temos rezar missa, se a missa salva, se o purgatório salva, se o limbo salva, pra que Jesus morreu na Cruz?
Eu me lembro como hoje que o bispo deu um tapa na sua mesa e disse: você tá virando crente?
Eu disse-lhe não senhor, ele disse então não questione, reza lá, e eu fiquei com aquilo me incomodando, e eu fiquei pensando em Jesus, então se a missa, o limbo a vela o purgatório salva, então porque que Jesus morreu na Cruz?
Se você olhar pra linguagem, para língua portuguesa, o artigo “ô” o caminho, “ô” artigo singular masculino, “ô” eu sou “ô” caminho, e não um dos caminhos, quando Ele diz eu sou “ô” caminho e não um dos caminhos, ninguém vem ao pai se não for por mim.
Ele abole, Ele acaba com a missa e com o purgatório em favor das almas, é só você entender, compreender, o aluno de qualquer primário sabe, e aí eu questionei ali como padre como é que fica o artigo “ô” se nós estamos rezando missas em favor das almas, quando Jesus diz que Ele é a única forma de se chegar a Deus.
E aquilo tudo me incomodava, e eu conhecia a verdade, porque a sementinha, papai e mamãe pelo amor que você tenha ao seu filho, se você não quer trazer seu filho pra igreja pra receber libertação, traga-o agora.
Porque o pai ou a mãe que não leva o seu filho a igreja pra assistir a escola dominical, estão pecando, o satanás tá de olho no teu filho e ele não tem dó de você, traga seu filho pra igreja porque a sementinha vai germinar, ele pode ir pra onde for, Deus vai alcançá-lo, e a responsabilidade não é de Deus, ela é tua, desculpe a minha colocação, mas ela é um fato.
E aquilo tudo me incomodava, eu sabia que só Jesus salva, e Jesus então me alcançou, entrou na minha vida, essa moça se tornou crente mais tarde, quando eu me encontrei com ela, e eu fui falar de Jesus pra ela, e ela disse, engraçado, eu também conheci Jesus como meu Salvador, e como assim? ela disse eu faço parte de uma Igreja Batista, então eu disse, Glórias a Jesus, iéis...
Ela foi embora, eu fui embora, ela sumiu, Jesus me salvou, Jesus salvou ela, e hoje eu tenho certeza.
Eu não tenho medo de morte, quando a gente entra no avião, o pessoal fica assim quando passa num buraquinho, uma tremidinha todos ficam com medo, mas pra mim o morrer é lucro.
Eu quero te falar uma coisa aqui nesta noite, Jesus ama tanto você, e vou te falar uma coisa, não atropele a felicidade que Deus quer conceder a você.
Eu tenho certeza e posso falar pra tia Zezé, que a sua irmã a minha mãe não está aqui hoje, e se porventura se não tiver o encontro da família no ano que vem ou se tiver, uma coisa é certa, se der tempo ou não, nós teremos um encontro muito grande da família lá no céu.
E de uma coisa eu tenho certeza convicta, eu vou estar presente, eu não vou discutir aqui pontos teológicos não, mas eu tenho uma desconfiança que nós vamos nos reconhecer lá, só vai ter alegria, só vai ter gozo.
Então eu quero te fazer um pedido, por amor a você, desculpe a minha rispidez, se você quer aceitar Jesus, meus parabéns, se você não quer meus pêsames, isso é problema seu, se você não quer aceitar Jesus é problema seu.
Você não pensa que você entregando sua vida a Cristo, você não tá fazendo um bem a mim, é a você mesmo, nós vamos ficar muito felizes por você compartilhar esta alegria.
Olha parabéns pela organização do evento, Dalva e a todos que trabalharam, e tu cara (Gabriel) te amo.
Crente não bebe, só tem um problema, come pra caramba, e eu vi ali, meu Deus que variedade de cardápio, de comida, do café, parabéns.
Eu louvo a Deus por ter nascido nessa família, e vou louvar muito a Deus se você que ainda não faz parte da família cristã, vier a fazer, aí você vai deixar-nos muito mais felizes.
Orem por mim, por favor, quando você orar fale, Senhor, é aquele baixinho, barrigudinho e careca, Deus sabe quem é...
Um beijão e que Deus abençoe todos vocês”
Todo levantamento histórico da família aqui relatado, originou e como foi criado os encontros da família, que são realizados sempre no feriado de corpus christi na Igreja Batista existente na localidade de Guarataia, nos anos de:
2010 - 1º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2011 - 2º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2012 - 3º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2013 - 4º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2014 - 5º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2015 - 6º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2016 - 7º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2017 - 8º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2018 - 9º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2019 - 10º Encontro da Família Tavares Paes e agregados em Guarataia;
2020 - 11º Encontro – Realizado ON LINE por causa da Pandemia
Tópicos de relatos a serem contados:
# Visita na casa de Zenaide em Caxias;
# A história de Gilmo;
# Levantamento de dados familiares no cartório em Morro do Coco;
# Quadro in-memorian, com aquele(a)s que participaram dos encontros e já partiram;
# Proximidade entre famílias amigas na região;
# A História do Lenhador;
CONTE SUA PARTE NA HISTÓRIA
O que consta nestes relatos, é apenas uma parte histórica da família, sabemos que ainda falta muita coisa importante para ser registrada, mas como podemos fazer isto sem a sua participação, precisamos que você envie pra gente a parte que você achar interessante com a chegada dos agregados na família, sabemos que muitos outros sobrenomes importantes foram incorporados, onde em alguns casos o registro TAVARES ficou de fora, sejam nos casamentos ou nas certidões de nascimento das centenas de descendentes que foram gerados ao longo destes anos.
Sabemos que muitos dados históricos de nossa família precisa ser resgatado e inserido neste relatos, anote, escreve e nos envie para que possa ser incluído na parte de história que já temos levantado.
Se você é um dos nossos e gostaria de contar o histórico de sua parte, o que souber de seu sobre-nome seja ele Souza, Benvindo, Teles, Ferreira, Silva, Gomes, Trindade, Pereira e tantos outros, mande pra gente contando sua parte para ser registrado neste histórico familiar das famílias formadas através dos Souza Tavares daquela época.
Seus dados históricos deverão ser enviados através do e-mail encontro@guarataia.com.br ou procure uma das pessoas envolvidas neste projeto.































Nenhum comentário:
Postar um comentário